Denúncias de aglomerações na pandemia aumentam em Niterói

Ruas e praias cheias, além de lojas e shoppings lotados, podem estar por trás do salto de casos de infecções

Gráfico do Disque Denúncia que mostra aumento das denúncias de aglomerações em Niterói depois de quedas consecutivas


Gavião Peixoto, sábado, 21 de novembro, 11h da manhã. A movimentada rua de comércio de Icaraí, em Niterói, parecia viver a véspera do Natal. Era uma multidão nas ruas e um entra e sai de gente no comércio, carregando sacolas para todo lado, como se não houvesse pandemia de Covid, pacientes internados em UTIs e tantas vidas levadas pelo coronavírus. Poucos passos dali, a situação era a mesma na Moreira César, assim como no comércio, nos cafés, padarias e restaurantes do bairro.


O número de denúncias de aglomerações cresceu em novembro, segundo o Disque Denúncia em Niterói. Pode estar relacionamento à campanha eleitoral nas ruas, mas mesmo depois do encerramento da eleição no primeiro turno, no dia 15, as ruas continuam lotadas. Nas lojas Americanas da Gavião Peixoto entrava um atrás do outro, sem qualquer controle de número de clientes ou de temperatura. Lá dentro, com a loja lotada de produtos para a Black Friday, a multidão se espremia pelos corredores e na fila, que por volta das 11h tinha cerca de 30 pessoas, sem manter distanciamento.


-Entrei lá porque tinha necessidade de comprar um produto de higiene mas não fiquei nem cinco minutos. Saí horrorizado de ver como as pessoas não estão mais nem aí para o risco da Covid - conta Vitor Pestana, morador do bairro e aposentado.


Icaraí é o bairro mais populoso e onde mais moradores se infectaram e morreram de Covid em Niterói. Mas não é nem de longe o único onde se vê o fim do isolamento e os cuidados sanitários sendo deixados de lado. Por toda a cidade o número de pessoas nas ruas escancara o fato de que o medo parece ter passado e todo mundo decidiu voltar à vida normal. Mas o coronavírus continua circulando e fez os casos de infecção e internação aumentarem nas últimas semanas como não se via desde julho.


Apesar da queda no isolamento, que no sábado era de apenas 43,6% segundo dados divulgados pela Prefeitura no painel do Sigeo, o niteroiense passou a se incomodar mais quando vê aglomerações. Em novembro, entre os dias 1 e 22, o Disque Denúncia em Niterói recebeu 34 reclamações de aglomeração de pessoas na cidade, que aumentam o potencial de risco de propagação do coronavírus.


Termômetro do quanto as pessoas estão desrespeitando a necessidade de distanciamento mínimo, o número de reclamações encaminhadas ao Disque Denúncia em novembro é o mais alto dos últimos três meses. Depois de 91 denúncias em junho, 60 em julho e 50 em agosto, começou uma queda expressiva, mas agora em novembro elas voltaram a subir.


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