Depois da esperança da vacina, a volta à realidade: hoje, só o isolamento protege contra a Covid

Falta de vacinas vai tornar mais demorada a imunização da população, e até lá a única forma de evitar nova explosão de mortes é o isolamento


O uso de máscaras de o distanciamento, na foto de Gustavo Stephan


Barreira nas praias. Restrições a aglomerações. Limitação de público no comércio. Suspensão do carnaval. E a campanha de volta as ruas: use máscaras, mantenha o distanciamento social, lave as mãos, procure atendimento diante de qualquer sintoma.

Apesar da enorme esperança com que recebemos a vacina contra a Covid, ela ainda vai demorar a funcionar como uma proteção para a cidade, talvez só no fim do ano. Até lá, a única proteção que temos está nos nossos atos, nos cuidados para reduzir o contágio.


Em Niterói, a cidade recebeu 11.620 doses da vacina. Deve receber nas próximas semanas o estoque para a segunda dose, o suficiente, segundo a Secretaria de Saúde, para vacinar 53% das prioridades desta primeira etapa.


O ano começou com a excitação em torno da vacina contra a Covid, uma demonstração espetacular da força da ciência. Pelo menos cinco vacinas já estão sendo aplicadas em escala, no mundo. E o Brasil tem contratos para a produção da Coronavac, no Instituto Butantã, e da vacina AsraZeneca/Oxford, na Fiocruz. Mas, se os cientistas conseguiram descobrir uma forma de imunização, a vacina, a distribuição do produto, a campanha de vacinação, se revelou um problema. Falta vacina.


Em Niterói, a cidade recebeu 11.620 doses da vacina. Deve receber nas próximas semanas o estoque para a segunda dose, o suficiente, segundo a Secretaria de Saúde para vacinar 53% das prioridades desta primeira etapa.


Com poucas doses disponíveis, 6 milhões na primeira leva e, agora, a possibilidade de ter mais 2 milhões de doses importadas da Índia e 4,8 milhões produzidas no Instituto Butantan, o Brasil não tem o produto nem para a primeira etapa, que cobre profissionais de saúde, já restritos à linha de frente do atendimento médico-hospitalar, e idosos em asilos. Seriam necessárias 30 milhões de doses para a vacinação do público-alvo, em duas doses.


Em Niterói, a expectativa é que com chegada desta nova carga, talvez seja possível completar a vacinação deste primeiro grupo.


Uma trapalhada diplomática e comercial do Itamaraty, além de todas as outras do Ministério da Saúde, deixou o Brasil sem insumos para a produção nos laboratórios brasileiros. Não temos o princípio ativo da vacina, o IFA -Ingrediente Farmacêutico Ativo. Uma situação que levou à indignação a cientista da Fiocruz Margareth Dalcomo. Assim, sem começar a produzir em escala, a vacinação da população, propriamente, dos idosos acima de 60 anos, o maior grupo do plano de imunização, não começará antes de março, e poderá se estender até o final do ano.


A cientista Margareth Dalcomo, da Fiocruz: decepção com as trapalhadas na compra de insumos para a vacina. Reprodução Internet


Na última reunião de gabinete da Prefeitura de Niterói, na quinta-feira (21), o Prefeito Axel Grael fez um apelo para que a população mantenha as medidas de proteção - a única forma de combater a doença no momento. A vacinação de profissionais de saúde oferece uma proteção a quem atua na linha de frente com grande risco e vida, mas não detém a circulação do vírus. A Prefeitura anunciou a intensificação do policiamento para evitar aglomeração. Máscaras, isolamento e lavar as mãos ainda são a melhor proteção.


Epidemiologistas esperavam vacinar mais da metade da população para conter o avanço do Coronavírus. Este número de tornou ainda mais difícil depois que os resultados dos testes das vacinas estabeleceram a eficácia da Coronavac em 50,38% e da AstraZeneca/Oxford em 70%, o que impõe a necessidade de vacinar mais gente para se alcançar a imunização de rebanho e quebrar a circulação do vírus. Esta meta, que se persegue para a retomada das atividades, em tantas restrições como experimentamos hoje, no mundo todo, vai demorar mais do se previa.