Dez perguntas e respostas sobre a vacinação contra a Covid-19 em Niterói

Cidade inicia a campanha com doses de vacina limitadas e público alvo reduzido; entenda por quê


Distribuição da Coronavac a partir do 12ºBPM (Niterói). Divulgação/Governo do Rio


Niterói começa nesta terça-feira a campanha de vacinação contra a Covid-19. Na primeira fase, a imunização será integralmente feita com a Coronavac, abrangendo apenas uma parte do público alvo previsto inicialmente. Quando teremos mais? Niterói terá outras vacinas? Quais os próximos passos?


O A Seguir: Niterói esclarece, em dez pontos, as principais dúvidas sobre a vacinação:


1 • Quantas e quais pessoas vão ser cobertas pela vacina agora em Niterói?


O lote destinado a Niterói nessa primeira fase é de 23.240 doses, o que é suficiente para imunizar 11.620 pessoas. Como a quantidade é limitada, por definição, a campanha de vacinação começa com profissionais da linha de frente, idosos que residem em casas de repouso e abrigos e pessoas com deficiência em instituições, sendo aplicadas por equipes do município in loco. Ou seja, NÃO haverá vacina disponível para nenhum outro grupo e NÃO há doses em postos e unidades de saúde neste momento.


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2 • Quanto será a próxima etapa?


Existe uma expectativa para que uma nova leva de vacinas chegue no mês que vem, como informou o Secretário de Saúde de Niterói, Rodrigo Oliveira, em live na noite de segunda-feira. o Butantan entrou com pedido de uso emergencial de mais 40 milhões de doses produzidas no Brasil e toda a produção será destinada ao Ministério da Saúde, mas dependerá da autorização. Lembrando que seis milhões de doses iniciais foram importadas da China e tiveram critério de avaliação da Anvisa diferente da produzida no laboratório paulista.


3 • Por que não aplicar todas as doses em mais pessoas e deixar a segunda dose para depois?


Como ainda não há uma data garantida para a disponibilização de novas doses no país, governos e prefeituras precisam garantir a vacinação da população prioritária, o que tem que ser feito, obrigatoriamente, em duas doses. Caso contrário, a imunização dessas pessoas pode não funcionar de fato. Foi o que explicou o pesquisador Julio Croda, em entrevista à Globonews. "Não temos dados da eficácia da Coronavac com uso de apenas uma dose".


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4 • Qual é o intervalo entre as doses?


A Coronavac tem prazo de 21 dias para a aplicação da segunda dose. Mas cada vacinado será informado da data correta para reaplicação do imunizante.


5 • A Coronavac distribuída esta semana é suficiente?


Não. Pelo Plano Nacional de Imunização, seriam necessárias 30 milhões de doses para a fase 1, mas o Brasil só tem 6 milhões disponíveis. De acordo com o pesquisador Julio Croda, da FioCruz, com a quantidade atual de imunizante disponível em território nacional só 34% dos trabalhadores de saúde serão imunizados.


Em Niterói, a cobertura para esses trabalhadores é um pouco maior: 53%. O número de idosos e vulneráveis atendidos também é insificiente, mas as autoridades estão tentando otimizar o processo. Bio-Manguinhos e Butantan trabalham agora para agilizar a produção das vacinas aprovadas, mas ambas dependem de insumo que vem da China.


6 • Qual é o próximo grupo a ser vacinado?


O público alvo da primeira fase do Plano Nacional de Imunização, originalmente, compreendia prifissionais da área de saúde, idosos, indígenas e populações ribeirinhas. Como esse grupo acabou sendo limitado (por ora, serão imunizados idosos em instituições e trabalhadores da linha de frente), a próxima remessa de vacinas será utilizada para proteger quem foi "cortado" agora. Mas os próximos passos ainda serão informados pelas autoridades.


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7 • Quando teremos a vacina de Oxford?


A Fiocruz tem um acordo de encomenda tecnológica com a AstraZeneca que garante o acesso a 100,4 milhões de doses até julho e mais 110 milhões até o fim do ano. O imunizante será produzido em Bio-Manguinhos, tão logo chegue o ingrediente farmacêutico ativo (IFA), de responsabilidade da AstraZeneca. Esse é o insumo produzido na China.


A produção da FioCruz também será distribuída pelo Ministério da Saúde, incorporada ao PNI e enviada aos estados e municípios.


8 • E a vacina da Índia?


Segue a mesma tecnologia da Oxford, porém é produzida pelo Instituto Serum, o maior produtor de vacinas do mundo. O governo pretendia adquirir 2 milhões de doses desse imunizante (ou seja, cobrir mais 1 milhão de pessoas), mas os planos foram frustrados. O Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, garantiu em coletiva, na última segunda-feira, que as negociações com o país indiano continuam, mas o "fuso-horário é muito complicado".


9 • Niterói pode ter vacinas de outros laboratórios?


Sim, mas depende da aprovação das mesmas pela Anvisa. A empresa União Química e o Governo da Bahia solicitaram autorização emergencial da russa Sputnik V, mas a agência pediu mais informações e condicionou a análise ao início da fase 3 de testes no país, o que deve começar em breve. Já a Pfizer, que no ano passado ofereceu 70 milhões de doses ao Brasil, não chegou a um acordo com o Ministério da Saúde. Sem essa negociação, o laboratório se comprometeu com outros países.


10 • Qual é a melhor vacina?


Em entrevista à CNN, a epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, foi muito clara em seu posicionamento. Para a cientista, a ideologização dos imunizantes é absurda: "Vacina boa é a que foi liberada pela Anvisa e a que estará disponível na sua localidade. A melhor vacina é a que vai chegar no braço do cidadão".