Diretor suspeito de furar a fila no Azevedo Lima já perdeu o emprego em 2003 por ajudar parentes

Situação ocorreu quando Rogério Casemiro era servidor da Secretaria Municipal de Saúde de Niterói


Por Gabriel Gontijo

Foto: Reprodução/Twitter


A polêmica ajuda aos enteados para furar a fila da vacinação no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, na Zona Norte de Niterói, não foi a primeira polêmica do tipo envolvendo o nome do diretor técnico afastado da unidade, Rogério Casemiro da Silva. Segundo apuração do A Seguir: Niterói, ele foi demitido da Fundação Municipal de Saúde em 2003, após processo administrativo concluir que ele ajudou parentes.


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De acordo com o Diário Oficial municipal, a primeira publicação constando que ele respondia pela infração é de 1º de julho de 2003. Segundo o registro, ele era acusado de desrespeitar o inciso VIII do artigo 195 da Lei Municipal 351/1985, que trata sobre o funcionalismo público da cidade de Niterói.


De acordo com a regra, o servidor municipal é proibido de "pleitear, como Procurador ou intermediário, junto aos órgãos municipais, salvo quando se tratar de percepção de vencimentos, remuneração, provento ou vantagens de parente, consanguíneo ou afim até o segundo grau civil".


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A decisão do processo administrativo número 200/5632/03 seria publicada em Diário Oficial, em 4 de setembro de 2003. A publicação informa a demissão dele, "a contar de 25 de abril de 2003, de Médico Anestesiologista".


Procurada para responder sobre o teor da denúncia e do inquérito, a Prefeitura de Niterói não respondeu sobre o assunto. Mas segundo fontes, "dificilmente" o Executivo encontrará uma resposta sobre o tema pelo fato de "muita coisa dessa época não estar digitalizada".


Indicação de Casemiro para o cargo partiu da Secretaria, diz OS


Assim que a operação feita pela Polícia Civil na última segunda-feira se tornou pública, chamou a atenção o fato de o diretor e a mulher dele trabalharem no mesmo hospital. É que a Organização Social Instituto Sócrates Guanaes (ISG), responsável pela administração da unidade, tem como política de Recursos Humanos não contratar parentes, "caso contrário estariam ferindo o código de ética e sujeitas a penalidades".


O ISG reconheceu que ambos têm ligação profissional com a OS, mas que cada um exercia uma função diferente do outro no Azevedo Lima, sem nenhum vínculo entre si. Além disso, a indicação para Casemiro exercer o cargo partiu da Secretaria de Estado de Saúde, pois esse procedimento é feito diretamente pela pasta, "conforme previsto em contrato".


A reportagem não conseguiu localizar o diretor afastado do Azevedo Lima para comentar sobre a demissão, em 2003, da Fundação de Saúde de Niterói e nem para explicar sobre o fato dele trabalhar ao lado da esposa no mesmo hospital.