Diretor do Azevedo Lima determinou vacinação dos enteados e de um amigo médico

Funcionários do hospital alegaram, em depoimento, que Rogério Casimiro pressionou pela vacinação de pessoas de fora da unidade

Hospital Azevedo Lima. Divulgação


Apontado como responsável por levar enteados para furar fila da vacinação, Rogério Casimiro, ex-diretor do Hospital Azevedo Lima, pressionou funcionários para aplicar o imunizante de maneira ilegal. A informação consta dos depoimentos de profissionais de saúde da unidade, que afirmaram, inclusive, que um médico de fora do hospital também foi incluído na lista de maneira irregular. As informações são do jornal "O Globo".


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Um dos depoimentos, da enfermeira responsável técnica do Heal, revela, ainda, que grupos que não atuam diretamente no combate à Covid-19 receberam a vacina. De acordo com documentos obtidos por "o Globo", dos 400 funcionários que deveriam ter sido imunizados no primeiro dia de campanha da unidade, apenas 295 foram contemplados. Os demais haviam sido vacinados em outros hospitais onde atuam.


A partir daí, Rogério Casimiro teria dado aval para funcionários de setores administrativos, acadêmicos de Medicina e estágiários do curso técnico de Enfermagem, passando por cima dos critérios prioritários determinados pelo Plano Nacional de Imunização.


Outro funcionário, responsável pelo núbleo de Gestão de Pessoas do hospital, contou ter notado três nomes na lista que não faziam parte dos quadros da unidade. Dois eram os ex-enteados do diretor, um adolescente de 16 anos e uma jovem de 20, o terceiro era um médico pessoa jurídica. Casimiro também teria criticado quando a técnica de enfermagem tentou confirmar se deveria aplicar as doses.


— Sua técnica [de enfermagem] é ruim de informação e de trabalho, porque não quis acatar a ordem de vacinação dos acadêmicos — reclamou o ex-diretor sobre a funcionária.


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A reportagem falou com a advogada Carolyne Albernard, representante legal de Rogério Casimiro, que negou que o ex-diretor tenha autorizado a imunização dos ex-enteados.


— Como médico, ele sabe que a vacina nem sequer é recomendada para pacientes tão jovens. Além disso, ele tem filhos da mesma idade e uma mãe de 84 anos e não usou do seu cargo para vacinar nenhum deles — alegou a advogada.


A Polícia Civil ainda aguarda ouvir Rogério Casimiro e a ex-mulher dele, Adriana de Moraes, mãe dos jovens que furaram fila. Outras provas, como documentos encontrados na busca e apreensão na casa dos envolvidos, ainda estão sendo analisados.