Chef que passou pela Itália e pelo Fasano assume restaurante da Beira-Mar

Chefe leva a cozinha “ítalo-caipira” para Icaraí e sonha com novo Mercado Municipal de Niterói

Por Carolina Ribeiro


Chef Vicente Maia. Foto: Divulgação


Formado em administração, com especialização em marketing, o chef Vicente Maia, de 41 anos, demorou a identificar que sua paixão era a gastronomia. Precisou sair de Niterói, onde veio estudar, e voltar às origens, em São Fidélis, no interior do Estado do Rio, para ajudar ao pai no restaurante da família e descobrir o seu futuro. Dezesseis anos depois, com especialização em diferentes cursos, incluindo a Escola Internacional de Cozinha Italiana (ICIF) na Itália, é especialista no que chama de “cozinha ítalo-caipira”. Multitarefas, Vicente Maia é o novo chef do restaurante da Confeitaria e Padaria Beira-Mar, em Icaraí. É ele o responsável por adequar a cozinha do buffet ao “novo normal” na pandemia de Covid-19.


Além de cozinhar, Vicente Maia tem um buffet para festas e eventos, presta consultoria para o treinamento de equipe e desenvolvimento de cardápios em restaurantes, ensina gastronomia a iniciantes e ainda é coordenador dos cursos de Extensão e Pós-graduação em Gastronomia na Uni Lasalle. E tem mais: no mês que vem vai lançar um canal no Youtube, o Gourmetizar, para dar dicas a quem quer cozinhar em casa, de maneira fácil e rápida. Ah, e não para por aí. Ele também já está de olho no Mercado Municipal, que será inaugurado no Centro, em novembro.


Sucesso da cozinha na Beira-Mar: Paella Caipira. Foto: Divulgação


Em meio a tantas ideias, não pôde recusar o convite para guiar o restaurante da Beira-Mar durante o período de pandemia e a futura reabertura. Vicente já realizava workshops e consultorias nos negócios da confeiteira em parceria com uma das proprietárias, Maria Célia Naegele. O restaurante passa por obras para se adequar às novas regras. Os clientes não terão mais acesso às comidas e o buffet será servido por um funcionário.


- Tudo dentro dos novos parâmetros, será um novo ‘a quilo’, a comida vai ficar protegida. Por isso, eles optaram por fazer obra para se adequar, estão instalando uma barreira de vidro entre o cliente e o balcão e um funcionário irá servir - adiantou.


Mas quem pediu um delivery desde junho, quando ele assumiu a cozinha, já percebeu as mudanças. São opções de cardápios semanais, mas que também oferecem combos para os clientes, além de menus especiais.


- Mudamos toda a operação. Antes a cozinha era organizada para o restaurante a quilo. Depois que a comida estava pronta, eles atuavam com a reposição. Hoje, é um serviço a la carte. A pessoa faz o pedido e a comida é preparada na hora. Tivemos que adotar vários novos procedimentos. Quem trabalha em restaurante entende que é uma transformação muito grande - ressalta.


E toda essa reorganização acontece em meio à pandemia de um vírus contagioso. Com uma esposa grávida em casa, o medo de aceitar o convite estava latente em Vicente, mas o cuidado foi triplicado, como deve ser.


- Minha esposa está grávida, estávamos em casa e de repente precisei sair. Demorei umas duas semanas para aceitar, pois existe o fator psicológico. E depois há o desafio de trabalhar com todos os equipamentos de segurança, com máscaras, face shield…


Mas a readequação já deu frutos na cozinha. De família tradicional portuguesa, a Beira-Mar costuma seguir a tradição da culinária lusitana, com muito bacalhau à mesa. E eles continuam no cardápio, mas também há muito espaço para a comida caipira.


- O que tem dado muito certo é a comida do interior. Brinco que estou fazendo todas as receitas que meu pai me ensinou, com um tempero da roça, principalmente nos almoços de sábado. A clientela da Beira-Mar é antiga, mas também tem muitos novos. Queria levar o sabor de casa para a refeição, é a ‘Comfort Food’, não quis criar partos muito rebuscados - explicou.


Fetuccine com compota de berinjela no balsâmico, tomates cerejas, queijo branco e azeitonas pretas: Delivery da Beira-Mar. Foto: Divulgação


Culinária Raiz


Esse encanto do interior ele conhece desde que nasceu. Natural de São Fidélis, Vicente recorda-se que dividia o tempo entre Niterói e o interior quando criança. Parte de sua família morava em Niterói e todas as festas aconteciam por aqui. Anos mais tarde, adotou o município para morar enquanto estudava administração e marketing. Sem um espaço no mercado, voltou para sua cidade natal e foi ajudar o pai no restaurante da família e a mãe na escola em que era dona.


- Nasci num restaurante, mas nunca pensei em gastronomia como profissão. Meu pai sempre foi cozinheiro, era um dos restaurantes mais conhecidos de lá. Quando comecei a trabalhar com ele, vivenciei aquilo e fui ‘picado’ ali. Comecei a mudar o cardápio do restaurante, fiz uma proposta mais para a noite e vi que gostava - recorda-se.


Foi então que ele resolveu estudar para se dedicar à área. Teve a oportunidade de ir para a Itália aos 25 anos e a agarrou. Formou-se como Chef Master, com especialização em Cultura Enogastronômica Italiana pela conceituada ICIF. Chegou a trabalhar em restaurantes por lá e depois chefiou um hotel em Búzios quando voltou. A carreira foi deslanchando. Vicente foi trabalhando em mais restaurantes, incluindo o Fasano, no Rio, e depois foi para o Sul, onde estudou mais da gastronomia italiana em uma filial da ICIF. Quando voltou ao Rio, seu pai havia adoecido com um câncer e ele resolveu chefiar o restaurante da família.


- No primeiro dia de abertura, um representante do Senac me procurou para dar aulas e também gostei. Alinhei a paixão pela cozinha do meu pai e a parte acadêmica da minha mãe - comenta.


Sala de aula


Depois de um tempo, em 2010 iniciou na Escola de Gastronomia da Uni Lassalle, onde coordena até hoje os cursos. Atuando como professor, formava mão de obra para os restaurantes, e também conhecia muitos donos de estabelecimentos de Niterói. Foi daí que nasceu as consultorias. E depois o buffet.


- Em 2015, quis colocar a marca do Vicente Maia no mercado. Fundei uma empresa para prestar consultoria, mas também oferecer buffet para eventos. Depois, comecei a participar de workshops, eventos, feiras de gastronomia e não parei mais…


Um dos kits do Chef Delivery. Foto: Divulgação


Nem mesmo a pandemia atrapalhou os planos do chef. Antes Vicente já oferecia o serviço de ‘chef em casa’, em que ele ia na casa dos clientes ensinar receitas e dar dicas sobre o preparo dos alimentos, além de fazer almoços e jantares especiais. Em meio ao Covid-19, as consultorias foram online.


- A crise também gera oportunidade. Montei o chef delivery, em que envio kits de ingredientes para enviar a casa dos clientes e também presto consultoria porque as pessoas não sabiam o que ou como cozinhar. E a gastronomia está fazendo muito sucesso neste período, deu muito certo o projeto - começou.


No mês que vem, ele lança seu próprio canal no youtube, o Gourmetizar. A ideia é justamente ensinar quem não sabe a cozinhar de uma forma prática.


- Minha pegada é prática, quero que as pessoas façam a comida em casa, ensino o passo a passo sem ter muita dificuldade. A pandemia trouxe de volta a vontade das pessoas cozinharem em casa. Fiz muitas receitas para fazer com filhos, foi bem legal essa redescoberta da gastronomia.


Incentivo à gastronomia


O novo Mercado Municipal de Niterói será inaugurado em novembro, no Centro, no mesmo prédio em que funcionou há 30 anos. O local passa por obras de revitalização e restauração dos traços de art déco para receber cerca de 180 lojas e restaurantes. Se depender de Vicente, ele também terá um espaço por lá.


- Acho muito bacana. Sempre viajei muito e o meu ponto turístico é o Mercado Municipal das outras cidades e países. Acho que é o que faltava em Niterói, acredito que os restaurantes tradicionais vão querer estar lá com uma proposta diferenciada. Vou participar da reunião em agosto para conhecer o projeto, pois estou querendo entrar no mercado - confidenciou.




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