Donos de restaurantes de Niterói calculam perdas no 'lockdown'

Durante as medidas restritivas, bares, restaurantes e lanchonetes só poderão funcionar através do delivery e drive thru


Por Gabriel Gontijo

Bares, lanchonetes e restaurantes ficarão 10 dias fechados por causa do lockdwon


O decreto de Niterói com restrições mais duras para conter o avanço da Covid vai permitir que bares, restaurantes e lanchonetes funcionem apenas para entrega a domicílio (delivery) ou para buscar a comida no estabelecimento, o drive thru. A permanência de público e o consumo nesses locais serão proibidos a partir desta sexta-feira (26). Medida defendida por autoridades sanitárias, o fechamento não agrada, porém, a donos de bares e restaurantes, que temem pelos prejuízos durante os 10 dias de portas fechadas.


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Um dos sócios do restaurante Buzin, em Icaraí, na Zona Sul do Rio, Felipe Felício que os empresários do setor culinário estão por "conta própria" no que chama de segundo lockdown. Recordando que os governos federal e municipal ajudaram o comércio quando houve a primeira medida restritiva do tipo, ele alega que já há um prejuízo por causa da impossibilidade de usar a capacidade plena do estabelecimento. E que não há como se manter com a decisão atual do decreto.


- Há um ano a coisa não está boa. Eu tinha mais de 50 funcionários e hoje estou com 38. Nenhum governo me ajuda em nada no momento. Aqui, para mim, se eu fechar por dez dias vou ter um prejuízo de pelo menos R$ 300 mil. A estrutura aqui é grande e só de aluguel pago R$ 36 mil. Já estou encerrando o expediente às 18h e funcionando com metade da capacidade. Fechando de vez, terei uma perda no valor que te falei- explica Felício.


Para tentar movimentar a clientela pelo delivery, o dono do restaurante diz que vai investir mais em um aplicativo próprio voltado para esse serviço, focando em mais agilidade na entrega e na logística para isso. Mas ele admite que isso é apenas "uma gota no oceano" diante do problema que vai ter.


Dono da unidade de Icaraí da Porção Mágica, Alexis Japiassu fala da dificuldade do pagamento de salário no mês de abril. E outro problema é que o estabelecimento não poderá vender para lojas, já que a confeitaria também atende clientes do ramo comercial.


- Eu devo perder uns R$ 30 mil por esses dias sem funcionamento, porque a gente não trabalha apenas com o cliente que vai no estabelecimento, mas vendemos, por exemplo, sorvete para algumas lojas da cidade. O fechamento do restaurante faz a gente perder as vendas para o comércio. Já a venda para o consumidor individual, como ainda é permitido comercializar através da retirada da refeição no local, então ainda terão clientes, já que na região da loja há consultórios médicos e quem trabalhe neles. Isso vai permitir que a gente ainda tente reduzir esse impacto financeiro - afirma Japiassu.


A respeito do serviço de entrega, ele explica que não são todas as empresas do ramo de culinária que conseguem operar o delivery. Embora o empresário tenha esse serviço, Japiassu afirma que quem não tem essa opção e precisa recorrer há algum aplicativo que trabalhe com isso, como o Ifood, tem uma perda de 30% no faturamento. Em época de pandemia, o dono da loja conta que "muitos, na prática, pagam para trabalhar e com isso, quebram".


Comerciante vê medidas como necessárias


Responsável pelo Bistrô MAC, no Museu de Arte Contemporânea, na Boa Viagem, Camila Soares adota um tom diplomático. Ela reconhece que vai ter perdas financeiras nesse período, mas entende que as medidas são necessárias porque "a população não colaborou com as restrições sanitárias".


- Infelizmente muita gente aglomerou, desobedeceu as regras e deixou de colaborar com a situação. Naturalmente dependemos da renda, até porque é difícil um restaurante se manter financeiramente só com o delivery. Só que é necessário fazer alguma coisa. A gente fica preocupado, nervoso e até um pouco chateado, pois seguimos à risca as medidas restritivas. Mas como alguns não respeitaram as normas, é preciso tomar uma decisão mais brusca. Mesmo tendo meu negócio prejudicado, eu entendo que a prioridade é salvar vidas - conta a empresária.


Evitando falar em valores, Camila explica que o serviço de entrega responde por apenas 20% de todo o faturamento do restaurante. Para evitar que o funcionário pague essa conta, ela explica que vai dar férias para alguns profissionais durante esse período e que vai cortar outros custos para minimizar as perdas financeiras durante o lockdown.