E agora, Niterói? Os problemas que o novo Prefeito vai encontrar

Saúde, educação, segurança, mobilidade, geração de emprego e renda na pauta do novo Prefeito

Por Gabriel Gontijo


Melhor IDH do estado, uma renda per capita entre as maiores do país, um orçamento de R$ 3,6 bilhões... Niterói tem hoje 515.317 habitantes e bons motivos para se orgulhar. Mas ainda tem muitos problemas para resolver: o trânsito, considerado entre os piores do país, a educação fundamental, a segurança, que exibe índices assustadores de letalidade policial e, sobretudo, a desigualdade social. O A Seguir: Niterói fez uma análise dos problemas que o novo Prefeito da cidade encontrará na sua mesa. niteroiense:


Saúde Sem sombras de dúvida, o maior desafio, como já acontece este ano. A cidade, que chegou a ser destaque na imprensa internacional como referência no combate à Covid-19, ao adotar medidas de isolamento, ainda não conseguiu controlar o coronavírus. Mas reforçou a rede hospitalar, com melhorias no hospital Carlos Tortelly, no Antônio Pedro e a ocupação do Hospital Oceânico. A permanência do Hospital Oceânico, aliás, está na pauta de praticamente todos os candidatos. Programas como as UPAs e o programa médico de Família também apareceram na campanha.


Em relação ao quadro de servidores públicos, de acordo com o site da Prefeitura (http://www.coseac.uff.br/concursos/pmn/fms/2019/index.htm), o concurso público para a Fundação Municipal de Saúde disponibilizará no dia 2 de dezembro de 2020 as informações sobre local e horário da prova, que deveria acontecer em março deste ano e foi suspensa na ocasião por causa da pandemia.

Apesar da Prefeitura afirmar que houve um aumento no número de atendimentos em hospitais públicos com qualidade, Niterói tem menos leitos disponíveis (12,4) do que outras cidades com menos habitantes, com Petrópolis 12,5), Itaboraí (12,7), Rio Bonito (14,5) e a campeã Cachoeiras de Macacu (16,8). Os dados são do ano passado e foram levantados pelo Ministério da Saúde.


Retomada da economia A retomada da economia será outro desafio tão importante qunto a saúde, depois de sete meses de restrições. Assim como todo o Brasil, Niterói não escapou da crise econômica causada pela pandemia e viu mais de 7.700 postos de trabalho serem fechados na cidade no primeiro semestre de 2020. No segundo semestre, a cidade ensaiou uma recuperação, com quase 500 oportunidades no mês de agosto, segundo levantamento da Firjan.


Niterói tem uma atividade fortemente concentrada no comércio, em serviços e na construção - além da atividade naval. Foram justamente estas as atividades mais afetadas pela pandemia, em todo muido, e as que mais demoram na retomada.


Os prejuízos também afetam serviços que afetam o dia a dia do cidadão, com o transporte rodoviário. Mais de 330 demissões aconteceram em setembro nas empresas Ingá, Brasília e Barreto, responsáveis por linhas que ligam a Zona Norte até a Zona Sul da cidade. E como esse é ó único sistema de transporte que existe na cidade, a tendência é que haja redução das linhas em circulação.

Certamente, o novo prefeito terá o desafio de ajudar na retomada da economia com geração de empregos e renda, mas sem se descuidar dos cuidados com a Covid-19, pois uma segunda onda pode trazer efeitos mais devastadores ao crescimento econômico municipal.



Mobilidade Uma das constantes reclamações do motorista que trafega pela cidade é o trânsito. Vias como a Avenida Roberto Silveira, Rua Mário Vianna, Avenida Visconde do Rio Branco, Rua Marquês de Paranã, Avenida do Contorno e Alameda São Boaventura são as campeãs de queixas no quesito lentidão.

Apesar do alargamento de parte da Marquês de Paraná - além do mergulhão já existente há alguns anos -, do mergulhão da Feliciano Sodré e da previsão do início em breve das obras da Rua Dr. Paulo Alves, no Ingá, o tráfego ainda é muito intenso nos horários de pico.

Em 2008, o então candidato Jorge Roberto Silveira chegou a falar na construção de garagens subterrâneas como solução, mas a ideia sequer chegou a ser colocada em pauta. E nas campanhas seguintes, foi comum ouvir planos para a instalação do Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT. Mas da mesma forma, nada foi feito.


O Prefeito Rodrigo Neves tirou a Transoceânica do papel, construindo o túnel entre Charitas e o Cafubá. Mas a integração dos transportes ainda está longe de acabar. E os engarrafamentos continuam a acontecer na Avenida Roberto Silveira.

Em 2018, a Prefeitura chegou a criar uma consulta pública para a elaboração de um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), que foi lançado no ano seguinte e está disponível para consulta no site http://www.niteroi.rj.gov.br/pmus/#downloads Resta saber se no ano que vem o programa sairá do papel e terá efetividade na solução de um problema que coloca Niterói como o local com o trânsito mais engarrafado do Brasil, segundo dados do Índice 99 de Tempo de Viagem divulgados em 2018. Educação Niterói é a segunda cidade do Estado do Rio que mais investe em educação, de acordo com o Anuário Multicidades divulgado em janeiro de 2020. Ainda segundo a pesquisa, a cidade paga em média R$ 16 mil por aluno, enquanto os outros mais de 100 municípios analisado investem na faixa de R$ 7 mil. Apesar disso, a nota no IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) está em 3,8, menor que a capital (4,7) e outras cidades que tem um IDH abaixo ao de Niterói, como Maricá (4,2), Paracambi (4,0) e Nilópolis (3,9), além de ter empatado com outras como Magé, Guapimirim e Japeri. Em relação à média nacional (4,4) e estadual (4,2), Niterói também está abaixo. Em compensação, a taxa de evasão escolar (6%) é uma das menores se for comparada com a média nacional (22,1%), estadual (11,1%) e da região metropolitana (15,1%). Saneamento básico Niterói orgulha-se de ser a única cidade do estado a ter 100% de abastecimento de água, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2018. O município também é o campeão estadual em tratamento de esgoto, segundo levantamento de 2018 do Instituto Estadual do Ambiente, com 97,7% do esgoto tratado.  Apesar dos índices positivos, os dados do SNIS da coleta seletiva mostram que apenas 40,6% do lixo é recolhido de forma correta. 



Segurança Embora a Segurança seja atribuição do Estado do Rio, o tema se faz presente na cidade por causa de ações desenvolvidas pela Guarda Municipal. Além disso, o programa Niterói Presente foi recentemente ampliado para oito bairros Região Oceânica e, somados com a atuação existente em outras área, já são 16 os bairros que contam com o projeto. 

Os últimos dados comprovam que a criminalidade tem caído em Niterói. Roubos de rua apresentaram uma redução de quase 50%, o de veículos caiu em mais de 65% e os dados de letalidade violenta diminuíram 60%. Mas, apesar dos índices positivos, de acordo com dados de 2019 do Instituto de Segurança Pública, ainda há problemas graves para resolver: Niterói tem uma taxa de homicídios na faixa de 46,0 para cada 100 mil habitantes, superando a da capital (28,4).

Cultura Praticamente toda a atividade cultural da cidade se viu paralisada a maior parte do ano. Casas de espetáculo, teatros e até bares com música ao vivo interromperam sua programação. Mesmo depois de autorizados a funcionar, o movimento é pequeno. Um programa de auxílio à classe artística ajudou a atrevessar o perídio, com recursos da Lei Aldir Blanc. Mas a normalização do setor está longe de acontecer. A criatividade na criação de modelos alternativos, como as transmissões pela Web, não conseguiu gerar renda suficiente para manter o setor.


Com onze museus na cidade, Niterói só perde para Petrópolis (14) em relação a cidades que constam com esse tipo de atração e que se encontram fora da capital, que tem uma quantidade bem superior, com 136 museus. O levantamento foi feito esse ano pelo Instituto Brasileiro de Museus. Além disso, a cidade é que mais tem salas de cinema (23) no estado, depois do Rio, com 216, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Cinema também neste ano.  O funcionamentos dos cinemas é outra incógnita, as salas que reabriram no Brasil operam com uma média de 8% de sua ocupação.

Apesar disso, os projetos dos candidatos a Prefeito pouco tocavam no assunto e quando o faziam era dentro de uma perspectiva mais geral ou a respeito da revitalização do Cine Icaraí, desativado desde 2004.




728x90.gif

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.