‘Educação pública nunca foi uma prioridade no Brasil’, diz coordenadora do SEPE-Niterói

Coordenadora defende que a vacinação para os profissionais de educação deve ser priorizada


Por Livia Figueiredo

Salas vazias é questão de tempo. Aulas presenciais poderão ser retomadas na segunda quinzena de março / Foto: Reprodução da internet


“Não queremos as escolas fechadas até 2022, pelo contrário. Se a educação é serviço essencial, vacinar os profissionais de educação tem que ser essencial também”. É assim que a coordenadora do SEPE-Niterói, Marcela Almeida, defende seu ponto de vista quanto ao retorno das aulas presenciais das escolas municipais, previsto para segunda quinzena de março, conforme já anunciado pela Prefeitura de Niterói. Ela diz que a vacinação dos educadores é perfeitamente possível de ser realizada em curto prazo e afirma que o Plano de Retomada para as aulas da Rede Municipal é necessário, porém algumas condições precisam ser revistas, como é o caso da fila de prioridade da vacina contra a Covid-19 e a importância da concretização de ações intersetoriais entre as áreas de Educação, Saúde e Assistência Social.


- Defendemos o retorno seguro das aulas presenciais, o que, na nossa visão, só pode ocorrer com a vacinação prévia de todos os Profissionais da Educação Pública. Somente a vacina é capaz de proteger de maneira eficaz a comunidade escolar pois, embora não haja vacinas para as crianças, ter os educadores vacinados no ambiente escolar permite que o processo educativo ocorra com segurança e também protege mais alunos e responsáveis – declarou a coordenadora geral do SEPE-Niterói, Marcela Almeida.


Após meses de discussão sobre o retorno das aulas presenciais, a Prefeitura de Niterói apresentou com mais detalhes nesta sexta, em uma trasmissão nas suas redes sociais, o projeto que contempla diversos critérios para a retomada das atividades presenciais da rede pública de ensino. O cuidado sanitário é um deles, com testagens regulares e políticas de monitoramento. Além disso, a Prefeitura garantiu a entrega dos equipamentos pessoais de proteção, os EPIs, e prometeu o fechamento das escolas em caso de surto de contaminação.


A coordenadora do SEPE afirma que as medidas de distanciamento social e os protolocos de higienização são importantes e necessários, visto que a vacinação de toda a população é um processo relativamente demorado. Porém, ressalta que a plena segurança do retorno só é alcançada com a vacinação prévia dos profissionais da educação. Ela afirma também que o SEPE defende uma reestruturação emergencial de todas as Escolas e UMEI's, obras e reformas, para que atendam concretamente aos protocolos sanitários e qualifiquem o trabalho educativo que será necessário após longa ausência de aulas presenciais.


Convocação de mais profissionais da educação


Além da infraestrutura, ela fala sobre a importância das verbas para que as escolas dinamizem seus projetos educativos respeitando as características de cada comunidade. Além disso, aponta para a necessidade da convocação de mais profissionais da educação, pois se já havia carência antes da pandemia, agora a demanda se intensificou.


A democratização do acesso à internet é necessária


De acordo com a coordenadora, o ideal é que cada escola adote o modelo mais adequado de acordo com a sua comunidade escolar, de forma autônoma, além daquele que melhor preserve a vida de educadores e estudantes. Nos dois cenários, tanto no formato 100% online, como no híbrido, a democratização do acesso à internet e equipamentos tecnológicos é necessária, levando em consideração a demanda dos movimentos estudantis em todo país. Ela ressalta que o respeito aos direitos dos Profissionais da Educação, como o direito de 1/3 de planejamento e de evitar sobrecargas de trabalho também é fundamental.


- Precisamos repensar os objetivos de ensino-aprendizagem na realidade que estamos vivendo, em que é necessário reconstruir vínculos, sonhos, projetos de vida. Cada comunidade tem suas características, cabe ao Poder Público proporcionar as condições materiais e a gestão democrática para que o diálogo educadores - estudantes - famílias seja a fonte da construção dos projetos educativos – sublinhou Marcela.


“Estamos pagando um preço alto por tanto descaso”


Segundo a coordenadora do SEPE, a educação pública no Brasil nunca foi prioridade. O sistema educacional estava sucateado já antes da pandemia, e pouco ou nada mudou durante quase um ano de escolas fechadas. Ela diz que a comparação com as políticas da Europa é incoerente e não se aplica à realidade do Brasil, já que os países europeus tiveram uma postura ancorada na ciência e de mais responsabilidade com a pandemia. Mesmo com erros, o que acabou repercutindo em cenários de maior controle da pandemia e políticas acertivas, como a de lockdown. Já o Brasil foi submetido à uma política geral negacionista e genocida.


- Estamos pagando um preço alto por tanto descaso, o que não acontece na Europa. O que percebemos, a partir dos nossos conhecimentos e estudos, como educadores que somos, é que o Secretário de Saúde erra na comparação por diversos motivos, destacamos os seguintes: Portugal, Inglaterra, demais países europeus, não têm a mesma realidade social desigual, recordista de pobreza, escolas e sistemas de assistência social precarizados, como temos no Brasil – disse.


Em nota, o SEPE-Niterói afirmou que é a favor do retorno das escolas públicas para atividades presenciais com estudantes das classes populares, de forma segura e com urgência. Disseram que possuem ciência dos inumeráveis prejuízos de uma ausência longa da escola presencial na vida das crianças e jovens, apesar de não ser ideal o modelo de ensino remoto emergencial, erguido numa luta e trabalho incansáveis dos educadores, muitas vezes financiados "do próprio bolso" e com pouco apoio efetivo do Poder Público.