Eleições para a Prefeitura de Niterói: um jogo, muitos jogadores

Bola começa a rolar agora e a incógnita é para onde irão os votos da direita


Por Marcio Malta



As próximas eleições para a Prefeitura de Niterói chamam atenção pelo elevado número de candidatos. Serão sete postulantes a conduzir a cidade sorriso pelos próximos quatro anos.


Porém, o cenário ainda está indefinido. Pois enfrentamos, assim como em outras cidades, um quadro de judicialização da política ainda em aberto, onde cizânias internas aos partidos têm feito com que as forças derrotadas em convenções busquem uma intervenção do Poder Judiciário para reverter decisões.


No caso específico de Niterói, tais judicializações embaralharam as cartas. Pois se acreditava que, com a candidatura do deputado federal de extrema-direita Carlos Jordy, do PSL, o quadro que se desenharia seria o de uma polarização com o partido de esquerda PSOL, através da figura do deputado estadual Flávio Serafini.


Com a puxada de tapete que Carlos Jordy recebeu de seu partido, o PSL, que optou pelo nome de Deuler da Rocha, a disputa deve mesmo ficar centrada em dois antigos campos oposicionistas: Axel Grael, do PDT, e Felipe Peixoto, do PSD.


A candidatura de Grael representa a continuidade do atual Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. O leque de partidos que compõem a candidatura traz uma miríade de partidos, sendo que boa parte se coligou devido ao fisiologismo e ao famoso jogo de troca de favores e promessas de cargos comissionados em um eventual futuro governo.


Até mesmo o PSDB surpreendeu e chegou a declarar, através da figura de seu presidente estadual, a revisão de rumos históricos e a adesão à chapa. Porém, mais uma vez a Justiça deu as caras e autorizou as forças locais a marcharem juntas com Felipe Peixoto e seu vice recém saído do próprio PSDB, o vereador Bruno Lessa.


O nome de Felipe Peixoto é uma incógnita, pois ao vestir sua nova camisa da direita ainda não demonstrou qual conteúdo programático pretende adotar e se encontra desgastado por sucessivas tentativas infrutíferas de eleições passadas aos mais diversos cargos, o que talvez dificulte uma ida para o segundo turno.


Assim como nas últimas eleições, corre por fora o nome do sociólogo e deputado estadual Flávio Serafini, que tem demonstrado bons desempenhos e musculatura, principalmente na reta final, onde costuma crescer. O nome esbarra nas dificuldades de ampliar o leque de alianças e de financiamento eleitoral escasso diante de máquinas estrondosas como a arquitetada por Rodrigo Neves em prol de seu nome à sucessão.


Os atores políticos em questão nessa trama indefinida são muitos, mas espelham uma situação nacional: o crescimento da direita. O que ocorreu nos marcos nacionais e estaduais nas eleições de 2018 é uma incógnita neste ano de 2020. Afinal a dúvida é para onde irão os votos bolsonaristas.


Nomes como o da recém-ingressa na política Juliana Benício e seu partido Novo parecem não ter envergadura para emplacar e seu liberalismo requentado não demonstra muita vitalidade para convencer o eleitorado da cidade. Ao passo que nomes insossos e desconhecidos como o da candidata do MDB, Renata Esteves, também não demonstram a que vieram. Bem como na extrema-esquerda o correr solitário de Danielle Bornia do PSTU não demonstra a que veio.


As candidaturas femininas parecem muito mais querer demarcar posições do que assentar bases concretas e programáticas.


É comum em quadros de crise institucional e econômica como a vivenciada agora a fragmentação de forças. No atual momento – somada a nova legislação restritiva sobre coligações das eleições proporcionais – o cenário de múltiplas candidaturas a prefeito em Niterói se explica. Em uma eleição atípica marcada pelo enfrentamento da pandemia, a campanha irá transcorrer em marcos novos, com as dificuldades impostas pelo isolamento.


A questão posta é: a cidade irá optar por manter um modelo de desenvolvimento e inclusão popular em quadros gerais posto até agora, representado por candidaturas como a de Axel Grael ou Flávio Serafini, ou irá optar por nomes que têm em seu tropel fórmulas liberais que já demonstraram ineficiência política e econômica em marcos nacionais? A bola começa a rolar agora e iremos acompanhar os próximos lances dessa partida que dispõe de muitos jogadores.


Marcio Malta é cientista político, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (INEST/UFF).



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