Em carta, pais de alunos do Abel denunciam que professores correm risco sanitário

Docentes seriam obrigados a compartilhar microfones e outros materiais de trabalho sem os devidos cuidados por parte da instituição


Foto: Reprodução


Pais de alunos do Colégio Abel fizeram um abaixo assinado relatando o descumprimento dos protocolos sanitários das autoridades de saúde contra a Covid-19. O documento, assinado por mais de 140 responsáveis, foi enviado ao corpo de direção da escola. Nele, é questionada a falta de atenção da instituição quanto a diversos aspectos relacionados à Covid-19. Segundo relato, docentes e colaboradores não receberam equipamentos de proteção individual da instituição para exercerem seu ofício. Professores com idade mais avançada e outros com comorbidades estão trabalhando no sistema presencial, quando deveriam ter sido escalados para o ensino remoto.


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Além disto, os pais se queixam da falta de transparência da escola quanto às informações sobre casos de professores e colaboradores com suspeita de COVID-19. “Entendemos necessária a divulgação de um boletim semanal com o número de casos suspeitos, confirmados e turmas suspensas”, eles solicitam.


Itens de objetos pessoais, como microfones utilizados para transmissão das aulas são compartilhados por todos os professores, sem qualquer tipo de higienização ou proteção entre manuseios. Canetas e apagadores, utilizados em sala de aula, são igualmente compartilhados. Os responsáveis dos alunos também reclamam da falta de monitoramento quanto à taxa de ocupação das salas de aula, que eles dizem ser facilmente identificada pelo número de alunos no sistema presencial.


Eles também se queixam quanto à discrepância do ensino remoto em relação ao que é oferecido no presencial e afirmam que, apenas dois dias antes do início das aulas, foi comunicado que a transmissão aconteceria em uma só turma para cada série escolar. Muitos responsáveis questionaram sobre qual seria a impossibilidade de que esta ocorresse em todas as turmas.


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“Alguns de nós, cujos filhos estão no ensino fundamental, anos iniciais, não tivemos sequer tal informação, pelo contrário, foi dito que as aulas on-line seriam ministradas por turma, ou seja, pelas regentes de cada uma delas. Houve alguma falha na comunicação, que fez as responsáveis terem entendimentos diversos sobre como se daria o sistema remoto em 2021. O fato é que iniciamos o ano com uma só turma de transmissão", eles afirmam.


Os responsáveis prosseguem relatando o desgaste excessivo dos docentes, desdobrando-se para atender alunos presentes e no sistema remoto. Para os alunos do 1º ano do ensino fundamental restou a constatação do exíguo tempo que as docentes puderam dedicar aos alunos do sistema remoto. Eles identificam algo em torno de 40 alunos nas turmas iniciais e mais de 60 para as séries adiantadas assistindo às aulas a partir de uma única turma de transmissão.


Também é questionada a falta de interação entre alunos do ensino remoto e presencial, que contribuiria para o reforço de uma exclusão e de certa prioridade a determinados grupos de alunos. Eles alegam que os estudantes que optaram pelo ensino remoto não têm o áudio do que acontece em sala, assim como os do presencial não interagem com o remoto, ou seja, quando um aluno do presencial questiona algo, o aluno do sistema on-line não ouve e vice-versa.


Alem da ausência de transmissão simultânea, eles relatam que alguns dos responsáveis foram informados de que não haveria regente única para as crianças menores e, sim, um revezamento das docentes das turmas do sistema presencial. Eles dizem que a escola enviou um comunicado se comprometendo a efetuar mudança nos pontos de transmissão das aulas e que, além disso, seriam feitos rodízios para que todas as turmas fossem contempladas. No entanto, o referido rodízio não reduz o número de alunos sob a responsabilidade dos professores.


“Ponderamos sobre o fato de as turmas terem desenvolvimentos diversos, que necessitam, pois, de tratamento diverso. Ponderamos também sobre o fato de que docentes teriam, sob sua responsabilidade, um número razoável de alunos, no presencial e no remoto, com o qual trabalhariam normalmente em situações pretéritas” , destacam.


Por fim, os pais dos alunos solicitam o reparo das questões apontadas e a adoção de medidas necessárias, de modo a oferecer aos alunos que estão no sistema remoto o devido tratamento paritário àqueles que estão no sistema presencial, seguindo as normas sanitárias adequadas.


Procurado pelo A Seguir: Niterói, o Colégio La Salle Abel não se manifestou sobre o caso até o fechamento dessa reportagem.