Em debate, aulas on-line e ensino a distância

Com pandemia de Covid-19, escolas de Niterói têm recorrido a aulas virtuais. Já o EaD tem metodologia própria e é voltado para adultos


Por Silvia Fonseca



Com as salas de aula fechadas por causa da pandemia de Covid-19, muitas escolas começaram a dar aulas virtuais ou disponibilizar conteúdos, via internet, para seus alunos estudarem. É o chamado ensino remoto de emergência. Mas qual a diferença da educação remota para o Ensino a Distância (EaD)?


Em comum, o uso de tecnologia como mediador. Mas EaD é uma modalidade de ensino, regulada pelo Ministério da Educação, e mais apropriada para adultos ou jovens que já têm maturidade para isso. O EaD tem metodologia de ensino, material e legislação próprios. Já a educação remota é uma estratégia, uma excepcionalidade, uma emergência, ensina Juliana Lima de Souza, pedagoga formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).


Ela criou em 2018 o Instituto Aldeia, em São Francisco, que define como um hub de educação. O Aldeia articula a rede local de serviços, projetos e profissionais que atuam com educação e divulga, dando visibilidade ao potencial educativo não formal da cidade.


Para Juliana, o ensino remoto, em um período emergencial como a pandemia de Covid, é “mais uma mediação afetiva do que propriamente o processo de escolarização”. Ela vê como um suporte ao processo de aprendizagem, embora seja autorizado por pareceres do Conselho Nacional de Educação (CNE) e pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.


- O país não tem, como na saúde, um SUS da Educação. Mas o Plano Nacional de Educação dá um norte, a Lei de Diretrizes da Educação dá um norte, há deliberações do Conselho Nacional de Educação (CNE).


Parecer do CNE aprovado em 28 de abril passado autorizou as aulas remotas durante o isolamento imposto pela pandemia de Covid-19. “Neste sentido, a fim de garantir atendimento escolar essencial, propõe-se excepcionalmente a adoção de atividades pedagógicas não presenciais a serem desenvolvidas com os estudantes enquanto persistirem restrições sanitárias para presença completa dos estudantes nos ambientes escolares”, diz o texto da resolução. “Estas atividades podem ser mediadas ou não por tecnologias digitais de informação e comunicação, principalmente quando o uso destas tecnologias não for possível”.


O Conselho embasou sua decisão: “A realização destas atividades encontra amparo no Parecer CNE/CEB número 5/97, que indica não ser apenas os limites da sala de aula propriamente que caracterizam com exclusividade a atividade escolar. Esta se caracterizará por toda e qualquer programação incluída na proposta pedagógica da instituição, com frequência exigível e efetiva orientação por professores habilitados”.


- A gente está vivendo um momento excepcional, que exige novas estratégias – diz ela, para quem as escolas, quando o período crítico do isolamento passar, terão de fazer uma avaliação, um diagnóstico sobre como voltará cada aluno, rever planos pedagógicos e estratégias.


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