Em debate, candidatos a Prefeito de Niterói atacam desigualdade

Atualizado: Out 30

Encontro foi promovido pela Pastoral Fé e Cidadania; Axel Grael não compareceu


Quatro dos principais candidatos a Prefeito de Niterói no debate on line com o apresentador (no alto, à esquerda). Foto: reprodução internet.


A gestão do Prefeito Rodrigo Neves foi duramente criticada por quatro dos principais candidatos à Prefeitura, em debate promovido nesta quinta-feira (29) pela Pastoral Fé e Cidadania, do Santuário das Almas de Niterói. Felipe Peixoto (PSD), Flávio Serafini (PSOL), Juliana Benício (Novo) e Deuler da Rocha (PSL) participaram do encontro, promovido de forma remota. O candidato do Prefeito, Axel Grael, foi convidado, segundo os organizadores, mas não respondeu e não compareceu ao evento, transmitido ao vivo.


Depois de se apresentarem para o eleitor e falaram de seus principais projetos, os candidatos responderam a uma primeira pergunta sobre direitos humanos e desigualdade na cidade. O moderador destacou que, embora Niterói seja a terceira cidade do país com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), nem todos vivem dignamente na cidade. E perguntou o que os candidatos pretendem fazer para reduzir a desigualdade social e racial em Niterói.


Um sorteio definiu a ordem dos candidatos para falar. Juliana Benício afirmou que Niterói era a terceira cidade em IDH em 2010, mas não é mais porque enfrenta “enorme retrocesso em desigualdade”. Afirmou que é uma cidade partida, com pessoas morando no esgoto, que a saúde básica na cidade é só teatro e que, na Educação, aparece no número 3.199 no Ideb no Brasil.


-A Prefeitura de Niterói tem hoje um dos governos mais autoritários do país, que aparelhou a mídia, aparelhou os órgãos representativos, aparelhou a máquina. A gente anda na rua e vê pessoas que têm cargos comissionados na Prefeitura, pagos com o dinheiro da população, fazendo campanha para o candidato do Prefeito. Isso, sim, é governo autoritário na prática. E o que é mais grave: é um governo autoritário se passando por democrático - disse Juliana, que lamentou a ausência de Axel, candidato de Rodrigo Neves, para debater com os demais candidatos.


Todos os debatedores foram nessa linha, com Deuler sendo mais moderado nas críticas. E a ausência de Axel deixou a Prefeitura ainda mais na berlinda. Felipe Peixoto também lembrou que Niterói é rica, com orçamento de quase R$ 4 bilhões, mas não reduziu a desigualdade e tem grande concentração de renda.


- Você vai na Amaral Peixoto e vê uma população de rua muito grande. Niterói tem mais de 10 mil analfabetos, sem falar nos analfabetos funcionais - disse Felipe, destacando ainda outros fatores de desigualdade na cidade. Afirmou que, só na pandemia, Niterói perdeu 10 mil postos de trabalho e que é preciso investir para reduzir o desemprego, um dos maiores fatores de desigualdade.


Flávio Serafini afirmou que o combate à desigualdade é ponto central de seu programa de governo e também citou estatísticas que deixam Niterói em situação ruim.


- Em Niterói, 30% vivem em domicílios com rendimento menor que meio salário mínimo mensal por família. A cidade tem 40 mil famílias vivendo em condições de habitação inadequadas. É a cidade mais segregada das Américas - disse ele, afirmando que, se eleito, fará uma política de renda básica e que manterá o auxílio emergencial até o fim do ano que vem, além de pretender ampliar as redes de Educação e Saúde na cidade.


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