Em meio à pandemia, farmácias tiveram lucro de mais de R$ 10 bi no Estado do Rio

Niterói ampliou o número de drogarias, que já são mais de 300 na cidade


Por Gabriel Gontijo

Movimento intenso na Gavião Peixoto: rua disputa com a Moreira César a liderança do ranking de farmácias em Icaraí. Foto Gustavo Stephan


A pandemia deixou doente e até em fase terminal alguns setores da economia. Mas o varejo farmacêutico manteve seu bom desempenho de antes da Covid e até cresceu. Reforçou o delivery, criou canais de vendas on-line e ampliou ofertas, além de não ter fechado suas lojas um dia sequer por prestar serviço essencial. Tudo isso ajuda a explicar também a overdose de farmácias em Niterói, onde elas já passam de 300.


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A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) diz não ter dados separados por municípios mas informa que, no Estado, as farmácias tiveram um aumento de 8,5% no faturamento nos últimos dez meses de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019. O faturamento do varejo farmacêutico no Estado do Rio chegou a R$ 10,1 bilhões.


As redes vinculadas à Ascoferj faturaram 26% mais, enquanto as independentes tiveram aumento de 21% em seu faturamento. As pequenas redes tiveram um dos maiores crescimentos em faturamento: 20%. As médias redes aumentaram 2%, enquanto as grandes redes tiveram apenas 1% de acréscimo. O pior resultado foi o das conveniadas, que caíram 12%. Os dados são da Close-up International, responsável por auditar os dados do mercado farmacêutico no Brasil.


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“A Covid-19 impôs uma nova realidade de consumo e forçou uma rápida digitalização das vendas”, disse Daniella Eiger, analista de varejo da XP Investimentos, ao Portal Pharma Innovation. Na visão da XP, que prevê uma valorização ainda maior e incremento da receita do setor este ano, o papel da nova farmácia passa pela incorporação dos serviços clínicos e pelo resgate da antiga missão do farmacêutico.

-E se compararmos com os Estados Unidos, onde mais de 75% dos estabelecimentos disponibilizam vacinação, contra 10% do Brasil, enxergamos um elevado potencial de crescimento – disse ela.


Mas Daniella alerta que os serviços não serão a principal fonte de rentabilidade das farmácias, embora devam assumir um papel similar ao dos não medicamentos quando foram agregados ao ponto de venda.


- Eles contribuirão para reter o consumidor e estimulá-lo a aproveitar a ida à loja para adquirir produtos, o que abre possibilidades de ampliação e diversificação do mix. E isso está ao alcance dos grupos com fôlego financeiro, maior capacidade de estoque e poder de barganha junto a distribuidores - diz.


Quanto custa abrir uma farmácia em Niterói


Quando o tema é o valor investido para a abertura de uma drogaria, tanto o Conselho Regional de Farmácia do Rio como a Ascoferj alegam que não têm dados a respeito. Também a Associação Brasileira de Farmácia diz não ter como precisar "pois há muitas variações de acordo com a região do país e tamanho do estabelecimento".


Mas há vários determinantes para o valor do investimento. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói, Luiz Vieira, contou ao A Seguir: Niterói quais fatores podem interferir diretamente no investimento necessário para se abrir uma farmácia.


- O preço de investimento varia muito, e há fatores que contribuem pra isso mesmo dentro da mesma cidade. Um deles é a metragem. Quanto maior o tamanho (da loja), mais caro será o valor. Então se temos uma loja de 300 m2, ela terá um custo maior que uma de 100 m2, por exemplo. A localização também influencia. O preço do aluguel em Icaraí é muito superior ao do Fonseca - explica o presidente do CDL niteroiense.


Mas se o preço do investimento na Zona Sul é superior ao da Zona Norte, como explicar o fato de o número de unidades do ramo ser baixo nesta se comparada com aquela? A explicação se dá baseada em dois fatores: demanda e população idosa.


Vieira explica que quanto maior for a loja, mais variadas são as possibilidades de investimento fora do perfil específico de remédios que podem ser feitos no estacionamento. Ele exemplifica que, se uma unidade tem uma loja ampla em Icaraí, pode investir em ampliar o comércio de perfumaria, cosméticos e outros produtos, por exemplo. Aliado a isso, também há a questão da diferença de poder aquisitivo entre os moradores das duas áreas.


Os setores da economia que mais perderam na pandemia

Se o varejo farmacêutico foi bem, assim como empresas de delivery, de infraestrutura de home office e de alimentos, diversos outros setores amargaram graves perdas na economia em 2020 no Brasil. Levantamento da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia divulgado no último trimestre do ano passado mostra a lista dos setores da economia mais impactados pela pandemia de coronavírus.

Atividades artísticas e de transporte aéreo lideram o ranking de atividades mais prejudicadas, seguidas por transporte ferroviário e metroferroviário de passageiros. Na sequência, aparecem os serviços de alojamento e de alimentação.