Enquanto Niterói define retorno da rede municipal, São Gonçalo segue com modelo híbrido

Maricá prevê retorno para início de abril. Sepe-Niterói é contra retorno presencial da rede municipal


Por Livia Figueiredo

Foto: Reprodução da internet


Sem bater o martelo, Niterói ainda avalia qual formato será adotado no retorno da rede municipal de ensino no dia 25 de março. Em municípios vizinhos, como São Gonçalo, as aulas retornaram no modelo online, em um primeiro momento, e desde o dia 1° de março segue com o modelo híbrido de ensino. Na semana passada, o município deu início ao segundo momento do sistema híbrido. Em nota, a Prefeitura informa que as aulas estão sendo realizadas em revezamento de grupos, dividindo 50% dos alunos em cada modelo de ensino, presencial e remoto, de acordo com a capacidade do espaço físico.


O retorno às aulas no sistema híbrido é opcional. Para aqueles que não preferirem voltar ao modo presencial, neste momento, as aulas são mantidas somente de maneira remota. Professores com mais de 60 anos ou com comorbidades, comprovadas por meio de laudo técnico, devem seguir no sistema remoto, independente da opção escolhida pelo aluno. Não há diferenciação de conteúdo nos dois modelos de ensino.


Já em Maricá, professores da rede municipal de ensino se preparam para o retorno às aulas presenciais de forma híbrido, que tem previsão, a princípio, para a segunda semana de abril. De acordo com a Secretaria de Educação, a decisão é embasada no acompanhamento feito pelo Gabinete de Ação para a Covid-19 e no cenário de retomada das atividades econômicas na cidade, diante da expectativa de avanço da campanha de vacinação contra a Covid-19 no município.


As aulas presenciais acontecerão em sistema de rodízio, exceto para as turmas de berçário. Embora já inseridas no calendário, estas terão retorno de acordo com a análise de condições de saúde. De acordo com a secretária de Educação do município, Adriana da Costa, o cronograma foi pensado de modo a ampliar gradativamente o número de estudantes, de forma que a escola pudesse receber os primeiros alunos, com o objetivo de entender a nova dinâmica escolar, após um ano sem aula presencial, corrigindo alguns pontos de melhoria.


Nesse sentido, a previsão é do retorno presencial de dois anos do primeiro segmento e dois anos do segundo segmento (2º, 5º, 6º e 9º). No Ensino Fundamental, ficou estabelecido que o rodízio será semanal, com cada turma dividida em dois grupos, A e B, que contará com 50% dos estudantes. Em uma semana, haverá aula presencial na unidade escolar e, na semana seguinte, aula em modalidade remota. Já na Educação Infantil, o rodízio será quinzenal e dividido por etapas de ensino. Nesse sentido, em uma quinzena irão todos os alunos de Pré II (5 anos) e M II (3 anos) e, na quinzena seguinte, todos os alunos de Pré (4 anos) e M I (2 anos).


Pais de alunos são contra retorno presencial das escolas em Maricá


No entanto, uma pesquisa feita com pais de alunos aponta o receio dos responsáveis em deixar os seus filhos retornarem às aulas. Em escolas municipais de Maricá, mais de 80% não deixariam os filhos retornarem antes da aplicação das vacinas ao menos nos profissionais de educação. Além disso, o Sindicato dos Profissionais em Educação do município já demonstrou ser contra o retorno presencial antes da vacina.


A decisão tem sido motivo de debate em diversas cidades do país. Após o Rio de Janeiro adiar em duas semanas o retorno das atividades presenciais para alunos de mais de 8 anos e o governo de São Paulo suspender as atividades presenciais nesta quarta (17) até o dia 1° de abril, alguns lugares tem refletido sobre o que é mais prudente para o momento. No Espírito Santo foi decretado fechamento de comércio, escolas, entre outras atividades a partir desta quinta, 18 de março. Em Minas Gerais, o retorno das redes municipais foi adiado mais uma vez devido aos altos indicadores da Covid-19, apenas serviço essenciais podem funcionar. A medida começa a valer nesta quarta-feira (17).

Conforme publicado aqui no A Seguir: Niterói, a Prefeitura de Niterói realizou uma consulta pública com responsáveis dos alunos da rede municipal de ensino. Os resultados indicaram que menos da metade dos responsáveis dos alunos concorda com o retorno presencial, algo em torno de 36,8%. A pesquisa revelou ainda que 82,55% dos participantes são favoráveis ao retorno das atividades escolares e 20,2% preferem manter o ensino remoto, já 18,6% optaram pelo sistema híbrido e 17,4% discordam totalmente com a volta às aulas.


A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que segue monitorando e avaliando todos os indicadores e, caso haja necessidade, ampliará as medidas restritivas. Ressaltaram, por fim, que a dinâmica de todo o processo está diretamente relacionada com o comportamento dos cidadãos e com o ciclo da pandemia.


SEPE-Niterói é contra retorno presencial


De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação de Niterói (SEPE-Niterói), o retorno das aulas só deve ser realizado com vacina e com o cenário de redução de número de mortes e contágio. O Sindicato afirma que o retorno deve ser feito de forma remota para garantir a segurança dos profissionais de educação, alunos e demais funcionários.


- As escolas da rede municipal de Niterói têm as condições ideais para a propagação do vírus. É inconsequente o governo assinalar por uma volta híbrida das aulas de Niterói em um momento em que aumenta o número de mortes, faltam leitos e vacinas. Não existe nenhuma previsão do governo em vacinar os profissionais de educação. Nós estamos assistindo São Paulo, em que diversos profissionais se contaminaram e alguns chegaram a óbito. O governo de Niterói vem trabalhando em uma direção oposta, de um retorno híbrido, colocando profissionais de educação, crianças e adolescentes na linha de frente em um momento em que não há nenhuma base científica que alegue um retorno seguro às aulas– declarou Thiago Coqueiro, um dos coordenadores gerais do SEPE-Niterói.