Escolas particulares de Niterói farão avaliações pedagógicas e psicológicas na volta às aulas

Atualizado: Jan 12

Colégios privados já se preparam para ter de manter ensino remoto por mais tempo e estão com matrículas abertas

Por Gabriel Gontijo




Umas das muitas adaptações que o mundo precisou fazer com a chegada da pandemia foi sobre o formato das aulas nas escolas, que passaram a ser virtuais, especialmente na rede privada. Suporte psicológico, avaliação diagnóstica, manutenção de bolsas, plantão tecnológico são algumas das estratégias que fazem parte de um processo de reinvenção para ajudar os alunos a continuarem estudando com foco em 2021, mesmo que ainda de forma remota. O isolamento social em Niterói foi prorrogado até 28 de fevereiro por causa da segunda onda de Covid.


Diretor- geral e professor de Matemática do Colégio e Curso Progressão, Leonardo Chucrute diz que houve alunos que não conseguiram acompanhar as aulas, não demonstraram interesse no formato remoto e também não tiveram condições financeiras de continuar os estudos por não conseguirem pagar as mensalidades em dia. Por isso que neste ano a rede, que tem uma unidade no Centro de Niterói, planeja um acompanhamento psicológico junto com uma monitoria de reforço.


- Para o ano letivo de 2021, além dos objetivos estabelecidos pelas diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), estamos programando uma monitoria especial, que terá início na segunda semana de aula, e tem como programa as perguntas trazidas pelos alunos. Acreditamos que assim eles fiquem mais à vontade para falar das dúvidas que têm. E como a parte emocional também é muito importante, nossas psicólogas continuarão dando suporte a nossos professores treinados para ajudar nessa parte a quem sentir necessidade. Sejam alunos, responsáveis ou profissionais envolvidos com o Colégio - conta Chucrute, que também explicou sobre as matrículas de 2021 terem iniciado ainda no ano passado, em outubro.


Salesianos tem matrículas abertas até início de março


Tanto o Instituto Abel quanto o Colégio Salesiano elaboraram uma avaliação diagnóstica que será feita com os alunos na retomada, agora em 2021.


- Iniciaremos o ano letivo de 2021 aplicando uma avaliação diagnóstica nos alunos de todos os anos de escolaridade. Esse resultado nos apontará os conteúdos que deverão ser revisados, e competências e habilidades que ainda precisarão ser desenvolvidas. Dessa forma trilharemos os percursos pedagógicos com segurança - explica a diretora pedagógica Cláudia Regina Braz de Souza, responsável pela unidade Piratininga do Salesianos, que se encontra com as matrículas abertas até o início de março, sendo que as aulas começam dia 8 de fevereiro.


Abel medirá aprendizado para estabelecer estratégia


O Abel também fará uma avaliação na volta às aulas virtuais.


- No retorno às aulas será realizada uma avaliação diagnóstica, que possibilitará uma análise de dados sobre quais serão as estratégias a serem utilizadas no início do ano. Essa prova tem como objetivo, recuperar a aprendizagem dos estudantes e compreender como ocorreu o processo dos estudos domiciliares, pois sabemos que cada aluno se adapta de uma forma diferente - detalha o setor pedagógico do Abel, que realiza as matrículas de forma virtual e em etapas onde "são realizadas reuniões virtuais e entrevistas de acolhimento com os responsáveis, futuros alunos e coordenação pedagógica. Em seguida é agendada a vinda dos responsáveis ao Colégio para que seja feita a entrega de documentos".


Ferramentas contra a evasão escolar de alunos com dificuldades financeiras


Um ponto em comum que diversas escolas desenvolveram no ano passado e é motivo de atenção especial em 2021 diz respeito à baixa frequência de alunos às aulas remotas por dificuldades de acesso a computadores e internet por causa de problemas financeiros. Diante dessa situação, cada escola elaborou um plano para impedir que os estudantes que fazem parte desse grupo de vulnerabilidade social não fossem excluídos.


Chucrute, diretor do Progressão, explica que para esses casos foi deixado um material físico na secretaria da escola "para cada aluno com dificuldade de acesso à internet e sem recursos tecnológicos suficientes", disponibilizando também a estrutura interna para uso durante a reabertura, "quando autorizados pelos órgãos competentes".


Já a diretora do Salesianos de Piratininga explicou que a escola já tem um percentual de bolsas para os alunos pelo fato de a instituição ser filantrópica. Tanto na unidade da Região Oceânica como na de Santa Rosa o colégio "acolheu os raros casos de alunos que apresentaram alguma dificuldade de acesso à Internet".


E o Abel informa que "já trabalhava as particularidades de cada estudante", pois "as orientadoras educacionais do colégio auxiliam cada aluno a elaborar um plano de estudos, que serve de guia durante todo o ano". Além disso, a escola "buscou estreitar laços com as famílias para poder acolher as demandas de cada estudante de maneira individualizada, evitando qualquer eventual dificuldade".


Cursos de idiomas também se readaptaram


Embora o ritmo e o foco do ensino sejam diferentes ao das escolas particulares, cursos de idioma igualmente precisaram se reinventar para manter um bom nível de aprendizado dos alunos na pandemia. E nestes casos, houve situações em que o período do isolamento serviu para aprimorar uma plataforma desenvolvida antes da Covid, Em compensação, teve curso que precisou se adaptar depois que foi pego de surpresa com a chegada do novo coronavírus.


Com uma unidade em Icaraí, a Aliança Francesa de Niterói encontrou nas aulas virtuais uma oportunidade de desenvolver o método chamado Défi, conforme explica o diretor Eric Lahille.


- O desafio principal foi adotar novas formas de ensinar em um tempo reduzido. Uma vantagem é que lançamos o método Déf antes mesmo da pandemia. Como ele oferece possibilidades de interação, conversas, atividades em grupo e conta com vídeos integrados ao livro, animações para treinar pronúncias, exercícios interativos e uma versão digital disponível para tablet e smartphone, o curso saiu da sala de aula para chegar à casa de todos os nossos alunos. Foi indispensável que todos os envolvidos, alunos e professores, tenham se adaptado às novas modalidades - conta o diretor.


Já Ricardo Freitas, diretor do Instituto Cultural Germânico, também localizado em Icaraí, admite que a forma repentina da chegada do ensino remoto obrigou a instituição a treinar os professores antes das aulas virtuais serem passadas aos alunos.


- Após determinar a plataforma a ser utilizada, precisamos montar um treinamento intensivo para os nossos professores e também um canal direto com nossos alunos, orientando-os em todos os detalhes. Após esse período desafiador, continuamos a aprimorar nossas aulas, tornando-as cada vez mais atraentes e com bons resultados - afirmou Freitas, que também reconheceu que o retorno dos pais e alunos durante esse tipo de aprendizado "ajudou muito no processo".