Escritor niteroiense lança livro em quadrinhos com boto contra o tráfico de drogas

André Luiz Barroso lança segunda obra da série "Codinome: Boto" e fala do momento atual


Por Gabriel Gontijo

André Luiz Barroso segurando um desenho do personagem Boto. Foto: Divulgação


Um super-herói brasileiro que busca fazer justiça combatendo o tráfico de drogas e fazendo o impossível para muitas autoridades; enfrentar de frente, literalmente, os mandantes do narcotráfico. Este é o tema de "Codinome: Boto. Boto X San José", lançado virtualmente no dia 6 (terça) pelo escritor niteroiense André Luiz Barroso. Os desenhos são do cartunista Melado.


A obra é a segunda de uma série que começou em 2017, quando Barroso lançou "Codinome: Boto". Barroso conta que resolveu criar um personagem tipicamente nacional, sem estereótipos, para vencer, ao menos na ficção, um problema que dura décadas: o tráfico de drogas.


- Eu pensei em um personagem que possa ser identificado como realmente brasileiro, que não precise usar cueca por cima da roupa, como os americanos fazem, e que tivesse uma pegada como o Asterix, que fala da história francesa, ou os lutadores mexicanos. Daí encontrei esse tipo no folclore, algo que remete à história do povo brasileiro e que está no inconsciente coletivo das pessoas. Isso ajuda até na composição de estórias ambientadas nos nossos problemas também - explica o autor.


O livro retrata a fictícia cidade de San José como principal rota do tráfico internacional de drogas. Ela que dá suporte de drogas para políticos brasileiros fictícios e que também são traficantes. Os poderosos do local se colocam contra o Boto por ele ter quebrado o domínio do principal traficante, que é o antagonista da primeira edição. Mas ainda que um verdadeiro exército de narcotraficantes se coloque como um adversário difícil para o herói brasileiro, o Boto consegue se manter firme na luta graças à ajuda de alguns personagens inesperados, que se encontram nesta segunda parte.


Sedução como aliada contra o crime


No folclore, o boto cor de rosa vive na Amazônia e se transforma em um poderoso sedutor nas noites de lua cheia, encantando as mulheres com seu charme irresistível. Mas como dar um aspecto heróico a um personagem que, em princípio, não tem essa característica? Barroso explica como trabalhou essa questão.


- Ele já se torna irresistível para as mulheres. No primeiro momento, temos a mulher como refém de bandidos e fica encantada com ele. No segundo, já temos uma antagonista mulher que também se apaixona por ele, dando problemas no andamento de sua missão. E em uma futura história haverá antagonismo e protagonismo femininos. Vamos ampliando o leque de discussões sobre o tema - destaca o autor.


O herói brasileiro venceria a pandemia? O escritor responde


Se o Boto é capaz de enfrentar praticamente sozinho um problema tão sério como o tráfico de drogas, será que ele consegue resolver o a má gestão na condução de políticas públicas durante a pandemia? O escritor diverte-se com a pergunta e afirma:


- Acho que nem ele pode resolver isso (risos). Isso é um problema estrutural que existe desde o descobrimento do Brasil, mas ele pode ser um catalisador para que consigamos ver esses problemas de outra forma. A educação é a melhor arma e ele pode ser uma dessas forças de mudança de comportamento - finaliza.


Foto: Divulgação


Lançado pela Editora Proverbo, o livro "Codinome: Boto. Boto X San José" pode ser adquirido no site da editora no link https://proverboeditora.com.br/produto/codinome-boto/?fbclid=IwAR1wPmreIMUFOup67QqFalwpsOVfnmrhhsklIl75uQSzKhW41yYquyhW_8o