Escritora que teve 90% do corpo queimado na tragédia do circo, em 61, conta sua história em livro

Zezé Pedroza relata como sobreviveu ao incêndio de 1961; ela hoje vive em São Gonçalo

Por Gabriel Gontijo

Zezé Pedrosa, escritora que sobreviveu, quando criança, ao incêndio no circo. Foto Divulgação


Maria José Pedroza, que hoje vive em São Gonçalo, era mais uma entre tantas crianças que foram ao circo em Niterói, em 1961. Prestes a completar 60 anos, a tragédia do Gran Circus Americano ainda é lembrada pelos moradores mais antigos de Niterói com muita tristeza. Mas, para uma sobrevivente da tragédia, é possível escrever uma nova história de vida mesmo após tamanha desgraça. E esse é o propósito da escritora Zezé Pedrosa no livro "Vida em chamas", sua biografia.


Era para ser uma tarde de diversão. Mas o incêndio fez sua vida ganhar novo significado. Atingida pelas chamas, ela teve 90% do corpo feridos por queimaduras de terceiro grau. Ao todo, foram 20 dias em coma e 8 meses internada. Ela ainda passou por 15 cirurgias para recuperar algumas partes do corpo. Apesar da gravidade da situação, ela sobreviveu. E, além da luta pela vida no hospital, Zezé precisou ter força psicológica para lidar com as cicatrizes em sua pele, que foram suas inimigas durante muitos anos.


Maria José se tornou professora, mãe, avó, bisavó e escritora. E, após longos anos, Zezé (como prefere ser chamada) realizou uma de suas maiores conquistas pessoais, que foi a publicação da sua biografia.


O livro "Vidas em chamas" apresenta as lembranças mais profundas de sua vida. Na obra, a autora conta sua história através da personagem Natali. Zezé traça um paralelo entre os ancestrais da época da escravidão, perpassando por uma análise do cenário político-econômico do Brasil antes e depois da tragédia. Os dois capítulos que narram, com detalhes, os momentos em que esteve dentro do circo em chamas ficam no meio do livro.



Além desse livro, ela também lança a obra “Contos para não esquecer”, pela Editora Proverbo. Nesta publicação, Zezé apresentada histórias baseadas em fatos reais cujas protagonistas são sempre mulheres que superam com muita garra e determinação as violências sofridas por toda uma vida. Fazer a diferença é mostrar ao mundo a discriminação, o preconceito às mulheres que sofrem e superam. No caso da autora, é pra lembrar. Por isso, são contos para não esquecer.



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