Especialista reforça importância de restrições para toda a Região Metropolitana

Pesquisador da Fiocruz diz que Niterói e Rio tomaram as medidas no tempo certo, antes de falta de leitos


Por Livia Figueiredo

O Coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Freitas / Reprodução internet


As medidas adotadas pelos municípios de Niterói e Rio apresentadas nesta segunda-feira (22) vieram no momento certo porque ambos não esperaram que a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid chegasse a 100%. Os municípios já apresentam fila de espera e no Rio de Janeiro maior ainda. As afirmações são do Coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Freitas, especialista do instituto há 23 anos.


Leia mais: Niterói e Rio fecham shoppings, bares, restaurantes e escolas


A maior dificuldade, segundo o pesquisador da Fiocruz, é manter as medidas mais restritivas por um período de pelo menos 14 dias, que é o tempo mínimo necessário recomendado pela literatura internacional para que se tenha uma redução de 40% dos casos, além da diminuição do número de internações. Mas as medidas consensuais de Niterói e Rio de Janeiro anunciadas na tarde desta segunda-feira durarão, a princípio, por 10 dias e entram em vigor no dia 26 de março, próxima sexta-feira. Mas ao final do período serão reavaliadas, podendo ser mantidas ou alteradas.


Nesse período, não será autorizado o funcionamento de atividades consideradas não essenciais. O Prefeito do Rio, Eduardo Paes, frisou que a população não deve encarar o fechamento das atividades como um “superferiado”, mas sim como a adoção de um conjunto de medidas de preservação da vida. Ele fez um apelo para que as pessoas tenham consciência e solidariedade em um momento, como ele afirmou, que é o pior da pandemia até aqui.


Freitas diz que as medidas são assertivas, porém reforça a importância da adoção de medidas mais restritivas de combate ao coronavírus em toda a Região Metropolitana de forma a assegurar um maior controle da circulação do vírus entre os municípios vizinhos. O especialista relembra que Niterói faz fronteira com o município de Maricá e São Gonçalo, enquanto o Rio de Janeiro faz com Duque de Caxias, Nova Iguaçu, além de outros municípios populosos. Ele ressalta que, caso as medidas não sejam adotadas por toda a Região Metropolitana, elas não são totalmente eficazes, pois acabam gerando uma sobrecarga do impacto nos sistemas de saúde para os municípios que corretamente adotaram essas medidas, como o caso de Rio de Janeiro e Niterói.


- O que nós esperamos é que, nos próximos dias, o governo do estado possa ter a sensibilidade para essa situação bastante crítica, que impacta esses municípios, assim como tantos outros que fazem parte da região metropolitana para que a gente possa caminhar conjuntamente de forma adequada, seguindo as medidas que nós temos analisado a partir dos dados de transmissão. Como por exemplo, número de casos, óbitos, internações e tantos outros indicadores que compõem o conjunto para essas tomadas de decisões – destacou.