Estado do Rio já tem quase mil doentes de Covid na fila de espera de leito ou UTI

Sistema unificado da Secretaria estadual de Saúde informa que espera para internação em UTI passa de um dia; Niterói ainda tem vagas



A falta de vagas para internação de doentes de Covid se agrava no Estado do Rio. De acordo com o sistema de regulação das vagas reservadas na rede pública, a demora média para a internação de um paciente é de 18 horas para um leito e 25 h no caso de UTI. O número de pedidos de hospitalização em filas de espera chega a 989, sendo 279 para leitos e 710 para UTIs.


O sistema de acompanhamento centralizado da Secretaria Estadual de Saúde registra uma taxa de ocupação dos leitos de 78,9% e das UTIs de 92,4%. A rápida ocupação das UTIs tem sido uma característica deste momento da doença, associado à presença de variante P1 do coronavírus, a chamada mutação de Manaus. Em fevereiro, a fila de espera havia sido praticamente zerada.


A maior espera acontece na Região Metropolitina I, onde se encontram o Rio e a Baixada Fluminense. Na Região Metropolitana II, onde aparece Niterói, ainda há vagas.

Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá


Com os municípios vizinhos a Niterói estando no estágio de risco considerado "alto", São Gonçalo é a cidade que apresenta o melhor panorama na taxa de ocupação dos leitos. De acordo com o painel da Secretaria de Estado de Saúde, o município gonçalense está com 57% dos leitos em enfermaria ocupados e os de CTI se encontram em 80%.


Niterói, que já teve uma quantidade da vagas maior há algumas semanas, viu a taxa de ocupação disparar recentemente. Segundo o painel, 84% dos leitos em enfermaria estão ocupados. Já os de CTI se encontram com 83% de ocupação.


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Itaboraí também viu o número de ocupações aumentar, mas em ritmo menos acelerado se comparado a Niterói. Atualmente, 80% dos leitos clínicos se encontram ocupados, enquanto a taxa de ocupação nos CTIs está atualmente em 81%.

Já em Maricá, a situação é considerada crítica. Com 97% dos leitos clínicos ocupados e 98% de ocupação dos CTIs, o município se encontra em bandeira laranja e fechou o acessos às praias, com barreiras sanitárias bloqueando as entradas para a orla. A medida é para impedir que turistas visitem a cidade durante o período do lockdown.


Cidades na Baixada que atingiram a capacidade máxima sofrem com filas


Área onde concentra a cidade do Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense, a Região Metropolitana I está na bandeira roxa, onde o risco é considerado como "muito alto". Por isso, já existe a discussão dentro da Secretaria Estadual de Saúde sobre a possibilidade da abertura de novos leitos.


Com 95% dos CTIs ocupados e 88% de ocupação nas enfermarias, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou em vídeo divulgado nas redes sociais dias antes de começar o período do lockdown que está analisando a possibilidade de abrir novos leitos, mas afirmou que não pensa em construir hospitais de campanha no momento.


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Mas na Baixada Fluminense, o cenário está perto do colapso. E em algumas cidades da região o drama é grande. Municípios como Belford Roxo, Itaguaí, Seropédica e São João de Meriti já chegaram a 100% de ocupação. E no caso de Meriti o percentual chega a 157% por ter sido necessário ampliar o número de leitos aos que já existiam anteriormente.


A secretaria reconhece que o atual momento é o pior da pandemia. Além disso, também admite a existência de filas para tratamento. Segundo a pasta, atualmente são 710 pessoas aguardando atendimento no CTI, 279 esperam por vagas em enfermarias e 989 pacientes aguardam internação.


Ministério da Saúde fala em abrir leitos na rede federal


Em informação dada ao canal CNN, o Ministério da Saúde que vai abrir 139 leitos na rede federal do Rio de Janeiro. Nesta semana, 80 leitos serão cedidos para tratamento exclusivo de pacientes com covid. Ao todo, serão 50 leitos de enfermaria e 30 de UTI. O ministério ainda informou que na próxima semana serão abertos outros 59 leitos, sendo 31 de enfermaria e 28 de UTI.


De acordo com o Ministério da Saúde, a cidade do Rio dispõe, atualmente, de 132 leitos na rede hospitalar federal destinados ao tratamento do novo coronavírus, sendo 86 de enfermaria e 46 de UTI.