Estado do Rio se livra do desastre político, mas não escapa do populismo e do conservadorismo

Atualizado: 30 de Nov de 2020

Eleição de Paes pelo DEM é vitória conservadora. Capitão vence em S. Gonçalo com voto evangélico. E família Garotinho reina em Campos

Por Luiz Claudio Latgé

Eduardo Paes, Prefeito eleito do Rio, pelo DEM


A eleição de Eduardo Paes para a Prefeitura do Rio é um alívio, depois do desastre do governo de Marcelo Crivella. Mas não pode dar margem a engano: Paes se elege pelo DEM, o mais legítimo representante das forças conservadoras, que ressurge das cinzas, deixando a esquerda despedaçada desde o primeiro turno.


O eleitor do Estado também decidiu entregar o Governo de São Gonçalo, a segunda cidade mais populosa do Estado, a um capitão da Polícia Militar, o Capitão Nélson, do Avante, carregado no segundo turno pelo apoio do bispo Silas Malafaia e do Presidente Jair Bolsonaro. Virou a eleição sobre o candidato do PT, o médico Dimas Gadelha, que contou com o apoio do Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. Foram derrotados pelo voto evangélico, um terço do eleitorado da cidade.


Em Campos, outro importante reduto eleitoral do Estado, apesar da deterioração econômica, o clã Garotinho reafirma o domínio de seu território, com tudo o que isso significa, depois de quase 30 anos de controle da política local. Wladimir Garotinho, PSD, ganhou nas urnas sem saber se será empossado, uma vez que sua candidatura permanece sub judice no TSE, um traço da família nos últimos pleitos.


A articulação do Prefeito de Niterói e do ex-prefeito de Maricá, Washington Quaquá, do PT, para unir forças progressistas no território do antigo Estado do Rio, de antes da fusão, não deu certo. No balanço partidário, também não se pode dizer que um ou outro partido fincou bandeira no estado, como fizeram no passado PMDB e PDT, tamanha a pulverização de legendas.


As eleições municipais atrapalham a vista na hora de analisar a composição das bancadas. É difícil traçar um perfil dos eleitos. Mas, a julgar pelos resultados nas principais cidades, o posicionamento político e a trajetória pouco valeram: mais de 15 partidos elegeram vereadores. Além disso, o Rio continua votando na bica d'água e no assistencialismo, em pastores evangélicos, em milicianos e populistas de todo tipo.

Nada diferente do resto do Brasil, que, depois do tsunami bolsonarista de 2018, optou por um voto mais conservador, senão ideologicamente, pelo menos naqueles políticos já conhecidos.


O Estado do Rio, ainda assim, tem boas razões para festejar o resultado das eleições. Deixa para trás políticos extremamente mal avaliados pela população, caso de Crivella, e também os prefeitos de São Gonçalo e de Campos, que ficaram longe do segundo turno. E confirma gestões que tiveram alto índice de aprovação, caso de Niterói e de Maricá.


Mas que não haja engano, o Estado do Rio está longe de recobrar o vigor político que já teve em outras eleições.