Estoque da Coronavac é 20% do necessário para a primeira fase da vacinação

Brasil precisaria de 30 milhões de doses de imunizantes para começar o PNI, mas no momento só tem 6 milhões


Chegada de carregamento da Coronavac, em dezembro de 2020. Divulgação


A aprovação da Coronavac para uso emergencial em território brasileiro traz alívio para a comunidade científica e para a população em geral, diante da crise sanitária que se agrava. Mas a produção atual do imunizante produzido pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, na prática, representa apenas 20% do que seria necessário para dar o pontapé inicial do Plano Nacional de Imunização, previsto para começar na próxima quarta-feira.


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Dados apresentados pelo próprio Ministério da Saúde apontam que cerca de 15 milhões de brasileiros fazem parte do público alvo da primeira etapa do PNI, composto por profissionais de saúde, idosos em casas de repouso, populações indígenas e povos ribeirinhos. Para atendê-los integralmente, seriam necessárias 30 milhões de doses, cinco vezes mais do que o estoque atual do Butantan.


As vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) neste domingo — Coronavac e Oxford — devem ser administradas em duas doses cada, com intervalo de 21 dias.


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Até o fim da última semana, havia uma expectativa de que a primeira leva de vacinas chegasse a 8 milhões de doses, que garantiriam a imunização de 4 milhões de brasileiros. O número, no entanto, foi reduzido depois da tentativa frustrada do governo brasileiro de comprar a vacina de Oxford na Índia. O país asiático informou que o Brasil se precipitou e que não haveria produção para exportação imediata.


País precisa de 300 milhões de doses


Apesar de o Plano Nacional de Imunização não ter sido, até o momento, inteiramente detalhado pelo Ministério da Saúde, o que se sabe é que o público alvo global da campanha brasileira de vacinação deve chegar a 150 milhões de pessoas, excluindo-se grávidas, crianças e pacientes imunodeprimidos, que não foram testados. Isto significa que o Brasil precisa de 300 milhões de doses de imunizantes para combater o Coronavírus.


Em 2010, a campanha de vacinação contra o H1N1, a maior da história do país, foi capaz de imunizar 80 milhões de brasileiros em três meses.

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