Fake news mata

Atualizado: Mai 16

Cientistas fazem campanha contra notícias falsas que atrapalham combate à Covid-19


Por Silvia Fonseca


Imagem: Fiocruz


Cocaína mata o coronavírus. A Covid-19 é uma arma biológica desenvolvida pela China ou pelos Estados Unidos. A cloroquina cura a doença. Todas as informações anteriores são falsas, mas agora vem uma verdadeira: fake news pode matar. E outra: a enxurrada de notícias mentirosas espalhadas pela internet tem prejudicado o trabalho de profissionais de saúde, cientistas, pesquisadores e autoridades sanitárias.


Associações e conselhos de médicos, enfermeiros e especialistas em saúde do mundo todo divulgaram ontem anúncios na mídia profissional para fazer uma denúncia.


"Neste momento, além da pandemia da Covid-19, enfrentamos também uma infodemia global, com desinformações viralizando nas redes sociais e ameaçando vidas ao redor do mundo”, diz o texto do protesto dos profissionais, para quem as fakes news têm sido uma “praga mundial” em meio à tragédia da pandemia. Uma tragédia em meio a outra tragédia, que agrava e dificulta o atendimento a doentes.


Os posts com informações falsas contaminam tanto quanto o vírus invisível que já matou milhões de pessoas no planeta. No Brasil, são mais de 12 mil mortos, e a curva de disseminação da Covid-19 não para de subir. Por isso, os profissionais fazem um apelo aos gigantes de tecnologia por uma ação conjunta contra a proliferação da praga das fakes news nas redes sociais.


“Trabalhamos em hospitais, clínicas e departamentos de saúde públicos no mundo inteiro e estamos bastante familiarizados com os impactos reais desta infodemia. Somos nós que cuidamos dos bebês hospitalizados por sarampo, uma doença completamente prevenível, que já havia sido eliminada em países como os EUA, mas que agora ressurge graças, principalmente, às fakes news anti-vacinação”, diz o texto.

Lembrando que a desinformação aumenta a sobrecarga de profissionais que vivem em situação de estresse na luta pela vida de pacientes e colegas, em meio a uma epidemia como a da Covid, o manifesto apela para que as empresas de tecnologia tenham a responsabilidade de agir e conter a disseminação de notícias falsas.


“Para salvar vidas e restaurar a confiança em cuidados de saúde baseados na ciência, os gigantes da tecnologia devem parar de fornecer oxigênio às mentiras, fraudes e fantasias que ameaçam toda a humanidade”, diz o texto.

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