Felipe Peixoto, PSD, diz que fará revolução na mobilidade na cidade

Candidato do PSD critica atual gestão, acha viável ter metrô em Niterói e promete fazer VLT

Por Luiz Claudio Latgé e Silvia Fonseca


O candidato do PSD, Felipe Peixoto, cumprimenta eleitoras de Niterói


Felipe Peixoto passou os últimos cinco anos sem cargo público. Diz que trabalhou na iniciativa privada, aproveitou para estudar e ficar mais com a família. Pensou em se manter fora da política, mas não resistiu e é pela terceira vez candidato a Prefeito de Niterói, agora pelo PSD.


Nas eleições de 2012 e 2016, foi ao segundo turno contra o atual Prefeito, Rodrigo Neves, de quem Felipe é crítico por considerar “inadmissíveis” resultados ruins em Educação, saúde, mobilidade, poluição, gestão da Prefeitura… Mas garante que, se eleito, vai manter o que está dando certo e concluir todas as obras iniciadas. Elogia algumas ações no enfrentamento da pandemia de Covid, mas ataca outras.


Nos planos de Felipe Peixoto, que tem como vice na chapa o vereador Bruno Lessa (DEM), está desapropriar e comprar o Hospital Oceânico para reestruturar todo o sistema de saúde da cidade. Também cita vários projetos na área de Educação para dizer que, com tantos recursos dos royalties do petróleo, Niterói não avançou na qualidade do ensino, gasta e gere mal e colhe resultados muito aquém do que poderia com o orçamento que tem hoje.


Mas é na área de mobilidade que Felipe diz que quer fazer o que chama de revolução, marcando sua gestão, se eleito, por uma reformulação total do sistema, levando a Transoceânica até o Centro, implantando um VLT, implementando de fato o projeto Jaime Lerner, da gestão de Jorge Roberto Silveira, fiscalizando os ônibus, entre outros projetos.


O último cargo público que exerceu foi como Secretário de Saúde de Pezão, no governo do estado, em 2015, quando o estado viveu um das piores crises no setor. Felipe culpa a crise financeira, que levou o governador a cortar recursos da saúde, e diz que saiu dali mais preparado para enfrentar qualquer situação e ser, inclusive, Prefeito de Niterói.


O A Seguir Niterói dá continuidade, assim, à sabatina dos candidatos à Prefeitura de Niterói. A ordem de publicação obedece a pontuação apresentada na pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, em setembro. Na segunda, conversamos com o candidato do PFL, Deuler da Rocha; na terça, com Juliana Benício, do Novo; na quarta, com Flávio Serafini, do PSOL. Amanhã a conversa será com Axel Grael, do PDT. O candidato Allan Lyra, do PTC, confirmou a entrevista mas não compareceu. Estes são os partidos com representação na Câmara dos Deputados. No sábado, o A Seguir Niterói publicará reportagem com os outros candidatos à Prefeitura.


Conheça os planos de Felipe Peixoto na entrevista ao A Seguir: Niterói:



A SEGUIR: Niterói: O senhor tem longa trajetória em Niterói, mas passou pela Secretaria de Saúde do estado, e como saúde é uma questão marcante nesta campanha em função da pandemia e do que ela impõe na vida das pessoas, o que o senhor faria que não foi feito no enfrentamento da Covid em Niterói? O que faria diferente?


FELIPE PEIXOTO, PSD: Apesar das minhas divergências políticas com o atual Prefeito, assim que estourou a questão da pandemia, eu gravei um vídeo e publicamente apoiei as iniciativas que estavam sendo tomadas pela Prefeitura. Eu não poderia ter um outro gesto. Era o momento de dar apoio às autoridades sanitárias para que pudessem tomar as decisões corretas. As ações tomadas pela Prefeitura foram bem vistas, mas algumas não tiveram muita eficácia, especialmente as de apoio às atividades econômicas. Acho que o Prefeito esticou um pouco algumas ações e antecipou outras, muito com o objetivo de resgatar a imagem dele depois de tudo o que passou na vida política pessoal. A gente percebeu que houve certo exagero em algumas ações e na antecipação de algumas delas. O importante agora é olhar o futuro da cidade. A Prefeitura lançou o Supera, teve de fazer novas versões porque com o Banco do Brasil foi um fracasso, muita gente não teve acesso ao crédito. Depois, num segundo momento, mudou, algumas empresas conseguiram efetivamente ter acesso, mas ficou também de forma muito restritiva. Acho que a Prefeitura acertou em pegar o Hospital Oceânico, mas errou ao não comprar o hospital e pagar aluguel.


O senhor foi Secretário de Saúde no governo Pezão, em 2015, quando o Estado enfrentou uma das piores crises nesse setor. Qual foi o erro lá atrás e o que o senhor faria diferente hoje?


Foi um equívoco eu ter assumido a Secretaria porque era um momento em que eu estava politicamente num caminho ascendente. A crise de saúde é muito complicada do ponto de vista político, mas aceitei esse desafio. E fiquei durante um ano, quando havia a maior crise econômica da história do Estado. O Estado deixou de arrecadar R$ 13 bi do orçamento dele, e deixou de repassar para a saúde o total de R$ 1,4 bi, e nós fizemos gestão, cortamos quase R$ 400 milhões em despesas correntes. O que aconteceu ali foi que não houve orçamento para a saúde. E esses problemas inclusive chegaram a nível judicial, o estado foi condenado por não repassar recursos para a saúde, e após a minha gestão todos os recursos tiveram de ser transferidos para a saúde obrigatoriamente. Então administrei essa crise, matei no peito, e isso me deu muito mais preparo para lidar com as situações com que lidei após a minha passagem pela Secretaria de Saúde. Isso me deixou muito mais preparado para ser Prefeito da cidade porque a gestão da Secretaria de Saúde é muito complexa, tem complexidades diversas, e minha passagem por lá me deixou muito mais preparado para enfrentar qualquer situação que a gente tenha pela frente.


O senhor tem dito que, se eleito, vai desapropriar o Hospital Oceânico. Por que fará isso e com que recursos?


A Prefeitura paga aluguel pelo espaço. Este é um hospital que conheço seis anos. E como deputado ainda fiz uma indicação pela compra daquele hospital, que tem cem leitos, quatro centros cirúrgicos, está montado. E temos grave problema na nossa cidade que é a desorganização do sistema de saúde. Então este hospital pode auxiliar muito para reorganizar o sistema de saúde. Com relação ao dinheiro, a cidade hoje tem uma arrecadação, uma realidade muito diferente da que tínhamos há oito anos. No primeiro ano da gestão do atual Prefeito, o orçamento era de R$ 1,5 bi. Hoje, é de quase R$ 4 bilhões, fruto da questão dos royalties do petróleo. Então a cidade hoje tem condições de assumir este hospital. Temos uma avaliação com preço justo, não estamos aqui querendo prejudicar a vida de ninguém, mas a gente precisa desse equipamento. Primeiro para continuar atendendo na pandemia. Este é o ponto principal. A gente não vai desmobilizar o hospital enquanto houver uma situação grave como a que a gente está vivendo hoje no país. Ao término disso, através de uma consultoria, vamos fazer uma reorganização do sistema de saúde hospitalar da cidade e definir o perfil de cada um dos nossos hospitais. As residências terapêuticas não foram entregues até hoje. A nossa maternidade também está em obras que não foram concluídas. E há mais duas unidades hospitalares, com perfis que são complementares, uma delas com estrutura muito ruim. Quero deixar essa reorganização do sistema de saúde como legado para a população da nossa cidade.


O senhor deixou a Secretaria no Governo Pezão em 2015, em 2016 disputou a eleição pela Prefeitura, e desde então não teve mais cargo em administração pública. O que o senhor fez nesses últimos cinco anos?


Venho do setor privado. Aos 19 anos abri minha própria empresa e depois, quando virei vereador, me desliguei e fui tocar minha vida no setor público, que é o que gosto. Eu gosto de fazer política, eu faço desde os 9 anos, fui vereador por dois mandatos, deputado estadual, secretário. Então, quando saí do estado, eu me dediquei a retornar ao setor privado. Fiquei um período na coordenação da integração da Região Metropolitana, e mais recentemente abri uma consultoria e estou atuando na área de soluções de cidades inteligentes. Ao mesmo tempo também me atualizei, fui fazer um MBA de gestão de projetos na FGV, eu que já tenho formação em administração pela UFF, Direito pelo La Salle, Direito Público… e também fui dar aulas na UFF como ex-aluno do curso de pós-graduação. Então me dediquei a isso e à família também, e posso dizer que fiquei muito na dúvida se deveria ser novamente candidato. Até porque a política desorganiza sua vida pessoal de forma muito intensa.


Mas aí conversei com algumas pessoas, o meu nome estava colocado na cidade e é o que eu gosto de fazer, a minha paixão é a política, não tenho como fugir disso. Estou levando a empresa mais devagar, perdi meu principal cliente por causa da campanha, mas tenho certeza da vitória. Nesse período que fiquei fora eu tive uma visão diferente e verdadeira da política. Quando você está fora do processo você vê as coisas de forma diferente. Gostei muito de ficar esse período fora de um mandato. Porque fiz muita reflexão também de vida, de como você lida com as coisas, de decisões que tomou na vida, dos acertos, dos erros, e isso pra mim foi muito bom. Tive oportunidade de voltar a estudar, fui fazer MBA... Então a decisão de voltar à política foi difícil porque você abre mão do convívio familiar e passa a viver quase 24 horas dedicado à política. Mas amo esta cidade.


A pandemia não está superada, embora a gente tenha passado pelo pico da doença. Se o senhor for eleito, provavelmente uma das primeiras ações de seu governo ainda terá de ser no enfrentamento da pandemia. Quais seriam suas ações. O senhor teria aberto a cidade? Já teria aberto a economia?


A economia está aberta, a cidade está aberta. A cidade nunca foi fechada, diferentemente do que foi anunciado. Você entrava e saía da cidade sem nenhuma dificuldade. Até a hora do Bom Dia Rio você tinha as algumas operações, policiamento, mas todo mundo entrava na cidade sem dificuldade. Esses bloqueios não tiveram efetividade. Agora, com relação ao que a gente vai encontrar pela frente, é importante respeitar a ciência. Vamos permanecer com todas as ações do combate ao coronavírus na cidade. Sejam ações econômicas, que estão dando certo, e o que não estiver dando certo vamos consertar. Na saúde, vamos comprar o Hospital Oceânico e permanecer com esse atendimento. As decisões de abertura ou não de atividades vão depender sempre de análise técnica, que vai embasar a decisão do Prefeito. Isso é uma coisa que a gente não pode abrir mão.


Imagino que sua campanha deve ter se assessorado de quadros técnicos para avaliar a questão da saúde. Pelos dados disponíveis no momento hoje, de número de casos, número de óbitos, ocupação de leitos hospitalares, qual seria hoje a visão em relação à pandemia? O senhor adotaria medidas mais severas de isolamento ou acha que esse momento já passou e abriria definitivamente a cidade?


A gente está fazendo monitoramento semanal dos dados que são públicos, número de óbitos e as confirmações de casos. É um trabalho que vem sendo feito desde o início da pandemia. Agora, é muito difícil tomar qualquer tipo de decisão sem uma série de informações. E não tenho todas as informações, que não foram divulgadas de forma transparente como a gente precisava que fossem. Quantas pessoas hoje estão internadas no setor privado da cidade? E no setor público? No começo eles emitiram alguns boletins, mas depois foram excluindo algumas informações importantes. Então, hoje eu não teria condições de dizer quais seriam essas medidas a serem tomadas sem ter essas informações. Uma coisa fundamental é tornar as informações transparentes, diárias, detalhadas. Antes de assumir a Prefeitura haverá a transição, e nós vamos solicitar à atual gestão o acompanhamento diário dessas informações para que a gente possa, ao assumir, em 1 de janeiro, tomar todas as medidas necessárias com o foco principal na preservação da vida das pessoas, conciliando com a recuperação econômica. Com equilíbrio, é o desafio, e vamos ter condição de poder tocar e avançar na questão econômica e manter as ações para avançar no apoio aos pacientes.


O senhor já tem o nome do Secretário de Saúde para o caso de ser eleito?


Não, nome não. Há várias pessoas com experiência nos setores público e privado. Sempre tive preocupação na minha equipe de conciliar pessoas que conhecem o sistema público de saúde, o SUS, e pessoas que conhecem o setor privado. Tem muita gente contribuindo, e na transição vamos ver isso. E encontrar pessoas que tenham a coragem de assumir a Secretaria de Saúde porque hoje em dia não é tarefa fácil arrumar alguém. É preciso ter coragem de ser ordenador de despesas, de enfrentar as coisas que estão enfrentando aí hoje. Porque a criminalização da política tira muitas pessoas boas que estão ajudando muito mas que, na hora de sentar na cadeira, não querem. Porque na saúde você tem de tomar decisões que podem implicar problemas futuros e você tem de preservar a vida das pessoas.


A vacina contra a Covid deve ser obrigatória?


Quem vai definir se vai ser obrigatória ou não vai ser lá o governo federal, a Anvisa. O que posso dizer é: sendo obrigatório ou não, a gente vai ter a vacina aqui para poder aplicar nas pessoas. Seja o Governo federal comprando ou não, seja o estado comprando ou não, a Prefeitura vai adquirir a vacina, e um corpo técnico-científico vai fazer a avaliação de qual o melhor produto de acordo com os estudos. Se é obrigatório ou não, não me cabe como Prefeito obrigar as pessoas. Tendo vacina, vamos adquirir e disponibilizar para a população de Niterói.


Voltando à questão política: o senhor foi militante do PDT por 30 anos, depois passou para o PSB e agora está no PSD, um partido de direita, aliado com o DEM, de direita. Apesar disso, tem dito que continua de centro-esquerda. O partido realmente não tem importância?


Eu saí do PDT, em que militei por 30 anos, porque ele foi invadido pelos petistas, pelo PT. Foi decisão difícil que tive de tomar mas necessária a partir do momento em que esse grupo foi se esconder em outro partido, no caso o PDT, largou o PT para trás e esvaziou o PDT. As pessoas que estão hoje no PDT em Niterói não representam a história do partido na cidade e muito menos no estado e no país. Saí do PDT, fui pro PSB, que ideologicamente tem muita afinidade com o que eu penso, o que acredito. E aí aconteceu novamente: exilados do PT indo para o PSB e aí eu que tive de me exilar. Estou no PSD, que me recebeu com muito carinho. Isso aí não muda muita coisa...


Que grupo invasor é este? O senhor pode dar nomes?


O Prefeito da cidade hoje está no PDT. Eu gostaria de saber se existe uma foto dele com Leonel Brizola, com Darcy Ribeiro. Do próprio Axel... O verdadeiro PDT não está de fato representado ali, nesse grupo. Isso não muda muita coisa do ponto de vista do eleitor. O eleitor escolhe e vota nas pessoas. E a história está aí para todo mundo ver, por onde passei, o que defendi, os meus erros, os meus acertos... E posso garantir que ao longo da vida continuo pensando as mesmas coisas. Lógico que me atualizei em relação a algumas outras coisas, isso faz parte do processo de crescimento, mas os meus princípios, que é ter política preocupada com educação, com os mais vulneráveis, isso está na minha formação, na minha história. E posso estar onde for que jamais vou abrir mão das coisas que eu defendo e acredito.


Em Niterói uma questão recorrente tem sido a da mobilidade. Sempre aparece como um dos principais temas, mas com a Covid o assunto ficou um pouco para trás, embora ainda tenha especial atenção. Como o senhor vê a condução da questão do transporte público, que plano o senhor tem para tirar Niterói desse engarrafamento perpétuo?


A gente teve oportunidade de, durante a pandemia, ver que a cidade pode se mexer melhor do que está se mexendo hoje com a redução de veículos nas ruas. A primeira coisa importante a executar é levar o corredor da Transoceânica até o Centro da cidade. Não faz sentido que ligue Itaipu a Charitas. Grande parte das pessoas que saem da Região Oceânica vai para Icaraí ou para o Centro, não fica parada em Charitas. Outra ação importante: modernização do corredor da Alameda São Boaventura, que não tem manutenção, está abandonado. E vamos implementar o projeto Jaime Lerner, dos governos de Jorge Roberto Silveira. A atual gestão pegou este projeto, rasgou e jogou no lixo. Vamos pegar esse projeto e executar, com a construção de terminais de integração. Um na Região Norte, entre Santa Bárbara e Caramujo, outro no Largo da Batalha e outro na Região Leste. Com isso vamos implementar efetivamente uma racionalização do sistema de transporte, com linhas alimentadoras desses terminais, e a partir dali saem os ônibus dos corredores exclusivos.


E outras duas ações importantes: colocar 100% da frota de ônibus com ar condicionado. Hoje a Zona Norte sofre porque grande parte da frota que roda lá não está refrigerada. E o segundo ponto é aumentar o período do Bilhete Único, que hoje é de uma hora. A gente tem problema de mobilidade na cidade, que impede as pessoas de se deslocarem antes de uma hora para fazer a troca do ônibus.


O senhor pretende rever as concessões de linhas de ônibus?


Meu vice presidiu a CPI, se debruçou sobre esse assunto, então o que a gente vai fazer é obrigar as concessionárias a executarem aquilo que está previsto no contrato. E se houver alguma irregularidade, vão ser punidas. A gente não pode abrir mão de ter o poder fiscalizador. Por exemplo: as empresas hoje têm GPS, mas a Prefeitura não tem equipamento que monitora o funcionamento dos ônibus. A gente pode fazer isso em tempo real, dentro do conceito de cidade inteligente, saber a localização desses ônibus, dar a informação para o usuário na ponta, pelo celular, fiscalizar de forma remota se as empresas estão cumprindo itinerário, frequência, saber quantas pessoas estão embarcadas naquele ônibus... E vamos botar 100% do pagamento por cartão, tirar a circulação de dinheiro. Porque se tem dinheiro circulando a gente passa a ver algumas coisas como as que já aconteceram em nossa cidade. Com a bilhetagem eletrônica independente e não comandada pelas empresas, a gente tem o poder de auditar e fiscalizar a aplicação dos recursos.


E também vou cuidar também da micromobilidade, para atender o pedestre, que sempre é deixado de lado, investir em calçadas seguras, e nas bicicletas. Eu sou autor do estatuto da bicicleta. Sempre usei bicicleta para ir pra escola, pra faculdade e pra Câmara quando fui vereador. Então a gente percebe que a cidade avançou na bicicleta, mas é lamentável ver o que aconteceu por exemplo na Região Oceânica: uma obra nova, que em vez de fazer ciclovias segregadas fez ciclofaixas compartilhadas com pedestres e com carros. A gente precisa implementar onde for possível ciclovias segregadas. E onde não for possível dar segurança às ciclofaixas. Vou trazer aluguel de bicicletas para a cidade e ampliar também bicicletários.


A mobilidade será nossa prioridade, claro que depois da pandemia, e vamos deixar como uma revolução feita nesse setor na cidade. A gente precisa tirar Niterói da condição de uma das cidades mais congestionadas do país.


O senhor falou em gestão. Como levantar recursos para todos esses projetos? O que mudaria na gestão da Prefeitura? Manteria a estrutura de quase 60 secretarias? Quantas cortaria?


Vamos reduzir pela metade a quantidade de cargos de comissão na Prefeitura. Não consigo imaginar como alguém pode ter uma mesa em seu gabinete para receber 60 pessoas. Como consegue coordenar 60 secretarias? Esse modelo a gente já viu que não dá certo, foi assim no governo estadual, foi assim no federal... A gente vai cortar pela metade o tamanho da Prefeitura. Então são algumas ações que a gente vai fazer para ter recursos. Primeiro: reduzir o tamanho da máquina, cortar as boquinhas, cortar esse pessoal que está nomeado e não trabalha. Outra decisão importante: o combate à corrupção. Eu, quando fui Secretário, e muita gente não fala disso, criei uma Corregedoria e botei nada menos que o ex-corregedor geral da PM no cargo, e grande parte das coisas que vieram a público são fruto da corregedoria que eu criei. Na Prefeitura vamos ter uma Corregedoria forte, que vai olhar cada desvio e cada denúncia. Quem me conhece sabe que não tolero certo tipo de coisas. Pode ser quem for, a gente vai denunciar, claro que garantindo direito de ampla defesa, mas se tiver de prender vai prender. Comigo não passo a mão na cabeça de quem desvia. Tenho certeza que, com a redução da máquina pública e o combate aos desvios, a gente vai ter mais dinheiro do que a cidade já tem. Niterói é hoje uma cidade bilionária, rica, que tem um orçamento três vezes maior do que nós tínhamos há oito anos atrás por conta dos royalties. E se a gente fizer um trabalho de gestão, com ousadia e criatividade, a gente tem condições de fazer muito mais.


Para se ter uma ideia: a Transoceânica custou mais de R$ 400 milhões, quase meio bilhão! Com esse dinheiro, a gente fazia todo o projeto do Jaime Lerner. A obra simplesmente não resolveu o problema de mobilidade da cidade.


Niterói está inserida numa região metropolitana e tem todas essas interconexões. Tem uma dependência grande de barcas, que é de gestão do estado. O catamarã hoje não está funcionando. Como o senhor vai encarar essa questão do relacionamento com órgãos do estado?


Tem um ponto muito importante, que é a participação de Niterói no plano metropolitano. Conheço bastante bem esse assunto, é uma das minhas aulas na UFF, trabalhei com isso durante um ano, fui conhecer modelos em diversos locais do mundo através de uma parceria com o Banco Mundial... A gente vai ter uma interlocução muito forte com a capital e os outros municípios porque a gente não vive isolado. Niterói tem 500 mil habitantes numa Região Metropolitana de quase 12 milhões.


Tem três coisas que a gente precisa fazer com a ajuda de outros agentes federativos. Um é o projeto do VLT. Niterói já está em conversa com a agência francesa de desenvolvimento e vamos avançar no projeto do VLT para a cidade de Niterói.


O VLT seria de onde para onde?


O projeto original que a agência francesa está fazendo é ligando o Centro a Charitas. Acho que pode levar do Centro da cidade em direção à Zona Sul num primeiro momento. Isso vai depender de estudos econômicos para saber qual a capacidade de aporte de recursos do município para financiamento desse projeto.


Com relação à questão das barcas, a gente vai ter a licitação das barcas agora e é uma oportunidade única de discutir essa questão. É inadmissível que Niterói banque as operações deficitárias da concessionária. Hoje as linhas de Mangaratiba-Ilha Grande, Ribeira e Paquetá pro Rio de Janeiro são financiadas pelas duas linhas que atendem Niterói. Então a gente tem de chamar o governo do estado e discutir um novo modelo para as barcas. A gente tem no caso de Charitas uma tarifa livre, a concessionária bota o valor que quer e a gente não pode ficar bancando essa diferença com recursos do povo daqui.


Outra ação que acho fundamental é o projeto da linha 3 do Metrô. Até hoje não há sequer um projeto executivo dessa obra. Nos meus estudos, encontrei um projeto encomendado por Dom Pedro II a um engenheiro inglês de um túnel por baixo da Baía de Guanabara. Se Dom Pedro II encomendou esse estudo, é impossível que depois de tanto tempo a gente não tenha um projeto executivo para trazer o metrô. A linha 4 custou R$ 10 bilhões. Mesmo tirando o dinheiro que foi para a sacanagem - que foi para pagar inclusive a campanha do Rodrigo segundo depoimento do governador Cabral dado ano passado na cadeia, dizendo que botou dinheiro aqui através da Carioca Engenharia e das empreiteiras que fizeram a linha 4 do Metrô lá no Rio. Se a gente pegar e tirar o dinheiro da sacanagem, essa obra da linha 4 custou o mesmo que custaria para trazer o metrô para Niterói e São Gonçalo. O projeto da linha 3, trazendo para Niterói e São Gonçalo por baixo da Baía de Guanabara, está orçado em R$ 8 bi e transportaria 300 mil passageiros por dia. Enquanto a linha 4 transporta 150 mil. Ou seja: com o mesmo valor, tirando a sacanagem, você consegue transportar o dobro de passageiros. E como o Prefeito pode ajudar nisso? Primeiro: reservar os terrenos onde estarão as estações, viabilizar o adensamento do entorno dessas estações. É algo que não pode ficar esquecido. Lembrando que temos um presidente da República que é do nosso estado e tenho certeza que pode ser sensibilizado para que a gente possa viabilizar uma obra tão importante para toda a região.



Como vê a questão do Niterói Presente e da Guarda Municipal?


Presidi a Comissão de Segurança Pública na Câmara Municipal, milito nesse tema há bastante tempo, e você pode pegar meu programa de governo da eleição passada: grande parte das coisas que eu defendi está sendo implementada pela atual administração. O Proeis é algo que defendo desde 2012. No primeiro mandato do Prefeito, ele ignorou e acabou com o Proeis. Vamos permanecer com o Proeis e levar o Niterói Presente para todas as regiões. Vamos ampliar o efetivo da Guarda, que hoje tem 612 agentes e vamos elevar para 1 mil, que é o que permite o estatuto.


O senhor é a favor da Guarda Municipal armada?


Sempre fui contra a Guarda armada. Meu vice, Bruno Lessa, é favorável à Guarda armada. Acho que a polícia tem o seu papel, e a Prefeitura pode continuar auxiliando com o Proeis, com o Niterói Presente... Agora, diferente de quatro anos atrás, hoje não sou tão inflexível a fazer essa discussão. Estou aberto a ver experiências de outros municípios, ouvindo especialistas, e posso submeter essa decisão à sociedade. A população já se reuniu aqui, através de uma consulta pública, e disse não ao armamento da Guarda Municipal. Vou respeitar essa decisão. Mas não estou inflexível em trazer essa discussão novamente.


Qual a visão do senhor sobre saneamento? Se eleito, mantém ou pretende rever algum aspecto da concessão para a Águas de Niterói e como vê a questão da poluição das lagoas?


Sempre militei na área ambiental, desde criança. Grande parte das minhas leis é voltada para esta área. É uma cidade que tem 50% do seu território em área de proteção ambiental. A gente precisa investir também no ecoturismo, no potencial que a cidade tem. Sobre as lagoas, conheço desde criança. Moro em frente à lagoa, e traz muita tristeza ver as nossas lagoas nessa situação, sem poder botar o pé naquele lodo, no esgoto. Claro que não é um projeto fácil e nem a gente vai mudar essa realidade em pouco tempo. Mas é inadmissível a Prefeitura ter assumido a gestão das lagoas ao longo dos seus oito anos de mandato e só agora, na véspera da eleição, estar fazendo alguma ação nas lagoas. A gente precisa encarar isso de frente. Niterói foi pioneira no modelo de concessão de água e esgoto, adotou modelo certo, inclusive questionado pelo PT. O PT foi contra, e hoje o modelo é de sucesso. Mas a operação tem muitas falhas. Os rios estão poluídos por falta de uma fiscalização mais efetiva.


A concessão foi renovada pela atual administração, e eu fiquei surpreso com isso porque é o próximo Prefeito quem deveria renovar essa concessão, e a gente colocaria alguns componentes do pontos de vista de recuperação do sistema lagunar dentro dessa renovação. A Prefeitura renovou sem discutir isso com a sociedade. Comigo na Prefeitura, a gente vai fiscalizar a concessionária e vai exigir que ela faça um trabalho especialmente no combate às ligações clandestinas para que a gente possa atuar no saneamento das comunidades.


Embora seja prioridade de todos os governos, a Educação patina. O senhor citou aí suas origens e militância política num partido que tinha Darcy Ribeiro, os Cieps… O que se pode fazer para obter um resultado melhor, especialmente no Ensino Fundamental?


Niterói hoje gasta R$ 16.879,42 por aluno por ano. Isso dá R$ 1.400,00 por aluno da rede pública municipal por mês. Não vejo problema em gastar com Educação, porque é investimento, é o futuro. Qual o problema? Quando a gente pega isso pra dizer que Niterói é a cidade que mais gasta com Educação no Estado, quando a gente vê os indicadores do Ideb a gente toma um susto. Por exemplo: Niterói está na posição 40 de 92 nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais, estamos na posição 64 entre os 92 municípios do estado. Temos hoje somente três escolas em tempo integral. Então a gente precisa fazer gestão na educação. Dinheiro tem. Está sendo mal gasto. Os resultados são ruins. Niterói não consegue cumprir a meta do Ideb. Nós temos hoje 1 mil crianças que não conseguem vaga na pré-escola. Uma cidade rica desse jeito, que tem dinheiro. Eu não posso me conformar com esse número. Não posso me conformar que quarta-feira as crianças vão pra escolar e só têm metade do período de aula. Tudo bem que planejamento é importante, mas não consigo entender que o planejamento aconteça durante o período de aula das crianças.


Outra coisa nova que faremos é um conceito diferente de creche. A gente vai ter um modelo de creche com um coworking associado a ela, permitindo que as mães possam deixar seus filhos na creche e no mesmo ambiente ter um espaço onde elas possam trabalham no seu home office, adiantar ali alguma coisa de casa.


O senhor apoia ou não o adiamento da ação contra a nova divisão dos royalties no Supremo?


Acho fundamental esse adiamento e acho que Niterói tem de ter liderança nesse processo. Teve um evento na Assembleia e o Prefeito de Niterói não foi. Se eu soubesse que ele não ia, eu teria ido para representar Niterói.

Uma última pergunta: na sua trajetória e na campanha, aparece sua relação com o PDT, mas também uma aprovação a uma série de ações da atual Prefeitura. O senhor se compromete a, se eleito, continuar ações que o atual governo implementar, inclusive complementar obras já iniciadas. O que fará o eleitor acreditar que o senhor é diferente do atual governo?


A primeira coisa importante a ficar claro é que vou concluir todas as obras iniciadas na atual gestão. Todas as obras serão concluídas. Pensa pequeno quem não consegue enxergar que a obra não é deste Prefeito, é obra da Prefeitura. E obra iniciada tem de ser concluída. Então não tenho dificuldade nenhuma de dar continuidade a ações positivas da atual administração. Agora, a gente pode fazer muito mais com esse dinheiro que a Prefeitura tem. O Jorge, quando foi Prefeito, mudou a cara da cidade, lá no comecinho e não tinha o dinheiro que existe hoje. A gente precisa fazer uma revolução nesta cidade e mostrar que é possível fazer muito mais com o dinheiro que ela tem hoje por conta do petróleo.