Fiocruz: Brasil se encontra no pior momento da pandemia

Boletim do Observatório Covid-19 aponta tendência de crescimento de casos em estados, além do recorde de mortes


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Faz um ano desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o risco da Covid-19 ao nível de pandemia. O último Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz coloca o Brasil entre os países com os piores indicadores da doença: até agora, foram 11.122.429 casos, e 268.370 mortes, o segundo no ranking de óbitos pela doença. Os números representam 9,5% e 10,3% do total global, respectivamente.


O Brasil enfrenta o pior cenário desde o início da pandemia, e os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz observam no Boletim que o Brasil nunca reduziu de forma significativa sua curva de transmissão. Pelo contrário: conforme vem sendo noticiado pela imprensa e alertado pela Fiocruz, a cada dia há um novo triste recorde de novos casos e mortes, acompanhados pelo colapso dos sistemas de saúde em escala nacional.


Segundo dados do sistema InfoGripe, apresentados no Boletim, a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) encontra-se em níveis muito altos em todas unidades da Federação, com uma tendência de aumento em toda região Sul e Sudeste.

Também as taxas de ocupação de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) se mantêm muito críticas, de acordo com o Boletim.


As taxas obtidas em 8 de março deste ano mostram evolução do indicador desde 17 de julho de 2020, apontando uma tendência de piora tanto nos estados e no Distrito Federal, como nas capitais. Na última semana, apenas o Pará apresentou melhora para saída da zona de alerta crítico e retorno à zona de alerta intermediário. Ainda, vinte estados estão na zona de alerta crítico, dos quais 13 com taxas superiores a 90%. Seis estados que se mantiveram na zona de alerta intermediária (≥ 60,0% e < 80,0%) apresentaram crescimento do indicador.


Diante do quadro atual, os pesquisadores defendem como principal medida de controle e redução da transmissão e do número de casos por Covid-19, assim como para a diminuição do contínuo crescimento de óbitos diários, a adoção de “Medidas de Supressão ou Bloqueio”, com incorporação de medidas mais rigorosas de restrição da circulação e das atividades não essenciais. Soma-se a estas medidas o uso de máscaras em larga escala social.


Os pesquisadores responsáveis pelo estudo consideram que "A combinação de elevados percentuais de uso de máscaras com medidas de distanciamento físico e social tem resultado em maior controle da transmissão". Para eles, a recomendação do uso da máscara sem regras de restrição de mobilidade é insuficiente para conter o avanço do vírus. Também recomendam campanhas sobre a importância de seu uso e como usar corretamente, além da distribuição gratuita de máscaras em larga escala.

Reprodução Boletim


A Pandemia para elas


O Boletim chama atenção para a discrepância do impactado da pandemia entre homens e mulheres, inclusive os que trabalham na área da saúde: Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem, até o dia 9 de março de 2021, foram registrados 49.117 casos de Covid-19 em profissionais de enfermagem - sendo 85,25% em mulheres; e 648 óbitos, sendo 66,98% de mulheres.


Os pesquisadores apontam, ainda, os números da violência contra a mulher na Pandemia, divulgados recentemente pelo Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP). Os dados mostram que os boletins de ocorrências deste tipo de crime têm aumentado. De acordo com o ISP, mais de 250 mulheres foram vítimas de violência por dia, durante o período de isolamento social no estado do Rio de Janeiro.


“É preciso reconhecer que as mulheres sofrem de maneira dramática as consequências dessa pandemia. Como ocupam a maior parte dos postos de trabalho no setor saúde, são também mais fortemente acometidas pela doença”, destacam os pesquisadores.