Fiocruz desaconselha volta às aulas

Cientistas estabelecem protocolo para funcionamento de escolas


Por Carolina Ribeiro



Como garantir a segurança dos alunos? E dos funcionários? Como controlar que estudantes e trabalhadores sigam à risca regras de distanciamento? Que não toquem em uma área contaminada? Que não contaminem seus colegas? A lista de questionamentos sobre como agir é grande quando o assunto é o retorno às escolas no Rio. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) são contra a reabertura das escolas em todo o Estado devido ao risco latente de transmissão do vírus, por isso, lançaram uma cartilha de recomendações que tenta auxiliar os governos na decisão de reabrir ou não.


O ‘Manual sobre biossegurança para reabertura de escolas no contexto da Covid-19’, que reúne normas e diretrizes para retomada das aulas em segurança, é da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz). A cartilha foi criada justamente para tentar responder aos questionamentos de toda a sociedade, sejam alunos, responsáveis, funcionários e autoridades governamentais.


A Fiocruz defende que o retorno às escolas ocorra de acordo com o contexto em que cada estado está inserido, porém, desde que tenha sido registrada uma redução sustentada da transmissão da Covid-19. Para todo o estado do Rio, devido a alta de novos casos e óbitos registradas na última semana, “reabrir as escolas seria precipitado e prematuro”.


- É preciso considerar a realidade de diferentes estados e municípios. Temos preocupações importantes com a falta de controle da epidemia no estado do Rio - pontua a pesquisadora Ingrid D'avilla, coordenadora geral de Ensino Técnico da EPSJV e uma das autoras do manual.


Os pesquisadores definem que a decisão de reabertura deve ser tomada após a análise três questões: A Covid-19 está controlada no território?; O sistema de saúde local tem condições de receber um aumento de demanda de casos com base na flexibilização das atividades?; e a vigilância local pode rastrear casos e contágios?.


- O retorno deve ser parcial, gradual e absolutamente monitorado. É essa possibilidade de monitorar e rastrear os casos e contágios que faz com que a escola possa continuar sendo aquilo que historicamente foi: um ambiente para a propulsão de vida - ressalta.


A coordenadora diz ainda que as medidas de segurança a serem adotadas pela escola não devem ser padronizadas, isto é, o manual deve ser encarado como uma inspiração para a construção de planos locais. Quem vai determinar quem poderá voltar e em quais condições são os governantes. Mas é preciso lembrar: as ações devem ser coletivas e adotadas em conjunto para garantir uma escola segura.


- Existe uma tendência a divulgação de um protocolo simples. O comércio abriu com três regras básicas: higienização, distanciamento social e uso de máscara. Há uma ideia de que as escolas poderiam ter um funcionamento adequado a partir dessas regras, quando na verdade isso não é válido. Escolas são espaços de sociabilidade, socialização e interação. É com essa natureza que a gente tem que considerar a complexidade desses protocolos para as escolas - finalizou, ressaltando que é preciso um comprometimento sobre a melhoria das condições dos colégios, principalmente os públicos.


A partir do dia 30, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) inicia o Ciclo de Oficinas sobre os desafios para a reabertura de escolas no contexto da Covid-19. O objetivo é debater o tema e sanar dúvidas das entidades governamentais, sanitárias e da comunidade escolar de como e quando deve ocorrer a retomada das atividades escolares presenciais. Os encontros vão acontecer semanalmente pelo Zoom, nas quintas-feiras, das 15h às 16h30, com inscrições prévias. A primeira oficina (30 de julho, às 15h) terá o tema “Como saber se a Covid-19 está controlada no território? Parte I”. Interessados podem se inscrever no link.


As regras para a reabertura das escolas


Ambiente escolar


O ambiente escolar para atividades presenciais deve ser organizado com o uso de fitas adesivas no piso para o distanciamento, dando prioridade ao uso de espaços mais amplos e arejados como salas de aula e o mesmo grupo de estudantes por sala. Mão única de corredores e dispensers com álcool em gel 70% nas áreas coletivas são outras regras. A renovação do ar deve ser realizada com portas e janelas abertas e o não uso de ar condicionado.

A limpeza e desinfecção das salas de aulas deve ser realizada nos períodos de intervalo de lanches e refeições. E o uso dos espaços de convivência, como pátios e corredores, laboratórios e bibliotecas deve ser limitado e organizado. Uma recomendação é priorizar as séries finais em um primeiro momento e calendários específicos para pessoas do grupo de risco, de acordo com a capacidade da escola.


Distanciamento físico


O distanciamento deve ser de 1 a 2 metros por pessoa em todos os espaços físicos da escola. A escola deve evitar reuniões presenciais e diminuir o contato social no local de trabalho, além de limitar viagens não essenciais. Todos os bebedouros com acionamento manual devem sem proibidos, assim como o compartilhamento de copos.


Máscara


É obrigatório o uso de máscaras individuais, com recomendação de troca a cada 3 horas (máscaras não cirúrgicas ou ‘de tecido’) ou a cada 4 horas (máscaras cirúrgicas) coincidindo, preferencialmente, com os intervalos das refeições (momento em que já se retira a máscara). Recomenda-se a troca das máscaras sempre que estiverem sujas ou molhadas. O uso da máscara não dispensa as outras medidas de saúde pública, tais como o distanciamento físico e a higienização das mãos e face.


Atendimento ao público


Dar preferência ao atendimento por canais remotos. No presencial, instalar barreiras físicas (acrílico ou acetato) sobre balcões e recomendar uso de face shield para os trabalhadores que têm maior interação com o público.


Entrada


É recomendado que a entrada e saída seja realizada por portas diferentes e em horários escalonados. Deve-se disponibilizar álcool em gel na entrada e aferir a temperatura corporal de todos, além de aplicar constantemente um questionário sobre sinais e sintomas de Covid-19.


Salas de aula


Garantir o distanciamento físico de 1 a 2 metros entre estudantes nas salas de aula e de 2 metros entre docente e estudantes. Marcar com fitas adesivas o piso das salas de aula, indicando posicionamento de mesas e cadeiras, evitando que estudantes fiquem virados de frente uns para os outros.


Banheiro


Fitas adesivas devem ser aplicadas no piso para o distanciamento físico e instaladas barreiras físicas de acrílico entre as pias do banheiro, assim como ter álcool em gel disponível. A higienização do assento sanitário deve ser prévia à sua utilização e a descarga deve ser acionada com a tampa do vaso sanitário fechada. A Fiocruz considera que banheiros são áreas de risco, portanto, a limpeza dos espaços deve ser realizada várias vezes ao dia, no menor intervalo de tempo possível.



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