Butantan anuncia a Butanvac, primeira vacina brasileira contra a Covid

Atualizado: Mar 27

Se aprovada pela Anvisa, testagem do primeiro imunizante desenvolvido integralmente no Brasil deve começar em abril

Por Livia Figueiredo

Butanvac, o novo imunizante que o Instituto Butantan vai produzir / Foto Divulgação


Após a notícia de que o soro contra Covid-19 desenvolvido pelo Instituto Butantan foi aprovado pela Anvisa para a fase de testes em humanos, mais uma boa notícia: o Brasil poderá ter a sua primeira vacina de produção integralmente nacional. O Instituto Butantan desenvolveu uma nova fórmula de imunizante contra a Covid-19, o Butanvac. A entidade ligada à USP, do Governo de São Paulo, pedirá à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permissão para fazer ensaios clínicos das fases 1 e 2 da Butanvac com 1.800 pessoas.


A previsão é que o ensaio clínico seja iniciado em abril. As fases 1 e 2 do estudo analisam a segurança e a capacidade de provocar resposta imune. Já a terceira fase corresponde à etapa da eficácia, na qual as vacinas podem pedir o uso emergencial ou o registro definitivo. De acordo com o Butantan, o novo insumo já está em desenvolvimento e uma produção piloto foi finalizada para ser usada nos voluntários dos testes.


Além do Brasil, a previsão é que a vacina também seja testada no Vietnã e na Tailândia, outros dois países participantes do consórcio. O imunizante Butanvac foi desenvolvido pelo Instituto Butantan, que lidera um consórcio internacional do qual ele é o principal produtor: caso seja aprovada, 85% da capacidade total de fornecimento da vacina sairá do instituto brasileiro.


ButanVac, a primeira vacina totalmente de produção nacional


A vacina será a primeira desenvolvida integralmente no Brasil, sem depender de importação. Isso ocorre porque a fábrica de Influenza do Butantan pode produzir o insumo utilizando a tecnologia de vacina inativada com base em ovo. Segundo o diretor médico de pesquisa clínica do instituto, Ricardo Palacios, a nova vacina terá alto perfil de segurança. “Nós sabemos produzir a ButanVac, temos tecnologia para isso e sabemos que vacinas inativadas são eficazes contra a Covid-19. Poder entregar mais vacinas é o que precisamos em um momento tão crítico”, pontua.


A tecnologia da ButanVac utiliza um vetor viral que contém a proteína Spike do coronavírus de forma íntegra. O vírus utilizado como vetor nesta vacina é o da Doença de Newcastle, uma infecção que afeta aves. Por esta razão, o vírus se desenvolve bem em ovos embrionados permitindo eficiência produtiva num processo similar ao utilizado na vacina da gripe. Em contraste com o vírus da influenza, o vírus da doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos. Além disso, o vírus é inativado para a formulação, facilitando sua estabilidade e deixando a vacina ainda mais segura.


O Butantan é protagonista na vacinação contra a Covid-19 no Brasil com a Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. O Instituto conduziu a testagem do imunizante no país e é o responsável pelo envase do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) que é importado da China.


Diferentemente da Coronavac ou da vacina de Oxford, em que os parceiros nacionais podem produzir uma capacidade limitada de doses, a nova vacina do Instituto Butantan é o principal desenvolvedor dentro de um consórcio e poderá produzir a maior parte dos imunizantes. A vacina já foi cadastrada no sistema da OMS e tem as empresas Dynavax e PATH como parceiras. Ao todo, segundo o Ministério da Saúde, há 17 estudos pré-clínicos de vacinas no Brasil.