Fonseca se aproxima de Icaraí em casos de Covid-19 em Niterói

Mas concentração maior é no Badu, se levado em conta o tamanho da população do bairro


Por Carolina Ribeiro


Ranking de casos por bairro e comparação de casos por 10 mil habitantes Fonte: GET-UFF contra COVID19


O crescimento acelerado do número de casos confirmados de Covid-19 no bairro do Fonseca, Zona Norte de Niterói, chama a atenção em relação a outros bairros da cidade. De acordo com os boletins da prefeitura, no último dia 15 eram 449 casos. Duas semanas antes, dia 1º, eram 308. Apesar de o crescimento assustar, especialistas explicam, porém, que os dados estão em constante atualização, não indicando que haja surto da doença em bairros específicos. Outra questão importante a ser levada em consideração é a densidade populacional de cada região. Nesse contexto, Badu seria o bairro de Niterói mais atingido pelo Covid-19.

Membro do Comitê Consultivo da prefeitura e diretor do Instituto de Saúde Coletiva da UFF, o professor Aluísio Gomes da Silva Junior explica que Niterói, além de realizar a testagem em massa, está no processo de revisão de dados. Para isso, estão sendo estudados os registros anteriores para saber não só o dia em que as pessoas foram notificadas com a doença, mas também quando começaram os sintomas.

- A análise dos casos não pode ser feita linearmente, pois os dados estão sempre sendo estudados e atualizados. Com essa revisão, podem aparecer de repente muitos dados novos. Por exemplo, se numa segunda-feira o percentual está muito maior do que na sexta anterior, não significa que houve muita transmissão no fim de semana, mas que houve novas confirmações - ressalta.

A revisão dos casos inclui mudanças de registro. Se antes algum caso estivesse registrado por dia de notificação, será atualizado para o dia do primeiro sintoma. Isto altera a curva de transmissão da cidade. Neste sentido, o recomendado é que seja esperado um tempo entre 7 e 15 dias para que se tire conclusões sobre os dados, diz o especialista.

Portanto, mesmo que os boletins da prefeitura apontem um crescimento desenfreado de casos, principalmente nos bairros de Icaraí e Fonseca, não é possível afirmar que a concentração da doença está nestes bairros, como foi visto no início da pandemia em Icaraí. Em março, o bairro da Zona Sul era o líder em número de casos, em alguns momentos, com diferença que se aproximava de 200 casos do Fonseca, segundo em número de doentes no município. Até o dia 15, Icaraí tinha 525 casos.

- Existe uma concentração em Icaraí porque é o local com maior densidade populacional, foi também o início da pandemia. Depois foi se alastrando para os outros bairros da cidade. Mas o Fonseca é segundo mais populoso, então a concentração de casos é tão grande quanto Icaraí - explica.

Outros números que chamam a atenção em relação aos casos por bairros é a concentração de doentes na Região Oceânica, taxa que vem se expandindo fortemente nas últimas semanas. Somando Piratininga e Itaipu, são mais de 300 casos. Recentemente, após liberar o exercício físico nas praias da cidade, a prefeitura bloqueou novamente o acesso às praias oceânicas devido à aglomeração na orla. Para o especialista, no entanto, não é possível determinar se o aumento de casos na região foi causado pela flexibilização.

Uma análise importante é a proporção de casos em relação à população. Mesmo que Icaraí e Fonseca sejam líderes de casos, não seriam os bairros com maior foco da doença quando comparado o número de habitantes. O Grupo GET-UFF contra COVID19 do Departamento de Estatística da UFF está analisando o coronavírus em Niterói, no Rio e no Mundo desde o início da pandemia. O panorama de Niterói, atualizado até o último domingo (14 de junho) aponta que, na proporção da população, Badu, em Pendotiba, é o mais atingido. Até o dia 15, eram 126 casos no total.

Em gráficos, o grupo apresenta o número de casos e a taxa de casos por 10 mil habitantes nos 10 bairros de Niterói com maior número de casos confirmados, de acordo com informações divulgadas pela prefeitura. Segundo o grupo, a “taxa de casos é definida como o número de casos confirmados divididos pela população de cada bairro”. Para o cálculo, foi utilizado o total populacional estimado no ano 2019.

Levando em conta o tamanho da população, Badu é o bairro com a maior taxa de incidência do número de casos, o índice é de 192,2 casos por 10 mil habitantes. Em seguida, aparecem os bairros de Itaipu, com 174,25 por 10 mil habitantes, e o Barreto, com 159,58 por 10 mil habitantes. Em ordem estão Piratininga (121,48), Centro (96,65), Santa Rosa (84,72), Fonseca (80,81), Engenhoca (69,05), Ingá (68,36) e Icaraí (63,02).

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