Grávida intubada com Covid-19 dá à luz e só conhece bebê 20 dias depois

Michele fez cesárea de emergência no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN) no Natal; mãe e filha se recuperaram e voltaram para casa

O reencontro de Michele e Milena, mãe e filha, que lutaram em UTIs do CHN e tiveram alta depois de dias internadas. Foto Divulgação CHN


Com Covid-19 e intubada, a enfermeira Michele Spindola de Souza Freire, de 37 anos e grávida de 33 semanas, deu à luz sua filha, Milena, numa cesárea de emergência realizada no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN) para salvar sua vida e a da menina. Depois do parto, Michele ainda ficou intubada por mais 17 dias na UTI e lutou pela vida e para vencer a Covid-19. Mas não foi só ela: a pequena Milena também resistiu bravamente às 33 semanas de prematuridade e foi ganhando peso e força durante a internação na UTI Neonatal do CHN.


Milena nasceu no Natal. Mãe e filha só se reencontraram 20 dias após o parto, quando Michele pôde ver a filha pela primeira vez. E esta semana


Um nascimento difícil no dia do Natal


Michele chegou transferida para a Emergência do Complexo Hospital de Niterói (CHN) sentindo-se mal, com um quadro grave de falta de ar, cansaço e febre. No hospital, ela foi diagnosticada com Covid-19 e já estava com 75% do pulmão comprometidos. A enfermeira foi internada no CHN no dia 25 de dezembro, e, logo após a internação – ainda grávida –, teve uma piora em seu estado de saúde, o que levou a equipe médica a tomar a decisão de interromper a gravidez, realizando a cesárea na noite de Natal.


- Dependendo da idade gestacional, é uma opção tirar a criança para salvar a mãe. Como naquele momento a paciente já estava intubada e com os pulmões comprometidos, escolhemos, então, fazer o parto com plena certeza e segurança, pois contávamos com todo o suporte tecnológico e humano da UTI, além de um centro cirúrgico obstétrico moderno, uma equipe especializada em gravidez de alto risco e uma UTI neonatal totalmente preparada para receber o bebê, que nasceu com 33 semanas, pesando cerca de 2.000 gramas - conta a médica Daniela Gomes Machado Selano, coordenadora da Maternidade do CHN e a obstetra que realizou o parto.

Parto de altíssimo risco


A obstetra completou:


- O parto foi difícil, principalmente pelo estado de saúde grave da mãe, que estava sob cuidados intensivos, então representou altíssimo grau de risco, mas estávamos totalmente preparados.


Mas com final feliz


Depois de mãe e filha lutarem pela vida em UTIs do CHN, Michele recebeu alta hospitalar no dia 14 de janeiro. Milena, depois de 25 dias de internação na UTI Neonatal, foi para casa no último dia 19, com 2.660 gramas. Mãe e filha passam bem.


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