Grupo se reúne em rede social para ver e falar da história de Niterói

Atualizado: 3 de Ago de 2020

“Era Uma Vez em Nictheroy” reúne saudosistas e curiosos sobre como a cidade era


Por Gabriella Balestrero


Rua da Praia, atual Visconde do Rio Branco


Bonde elétrico, no Centro


Niterói é uma das cidades mais antigas do país, com 446 anos. De lá para cá, passou por muitas transformações. Teve bondes, trampolim na Praia de Icaraí, “ganhou” a Ponte para o Rio, teve prédios belíssimos, mais de uma dezena de cinemas, foi capital do estado. Grande parte dessas histórias foi documentada e fica, hoje, arquivada em acervos de bibliotecas e museus. Mas também estão nas redes sociais e reúnem apaixonados pela cidade.


No Facebook, o grupo “Era Uma Vez em Nictheroy” compartilha e populariza essas histórias. O administrador, Luis Fernando Lima Nunes, de 52 anos e morador do Engenho do Mato, conta que, de um hobby despretensioso com mais cinco amigos, o grupo passou a abrigar mais de 24 mil pessoas de todas as faixas etárias e de vários países ao redor do mundo. Em comum, o interesse por Niterói e por sua história.


O restaurante Gruta de Capri, o primeiro italiano de Niterói, já fechado


Luis é engenheiro civil e tem um fraco por construções antigas. Esse foi o pontapé inicial para a brincadeira que se tornaria uma rede social com fotos e histórias antigas da cidade.


- Eu via muito que outros grupos e blogs compartilhavam fotos antigas sem suas histórias. Resolvi trazer esse diferencial, explicando o acontecimento por trás da imagem. Mas sem competição. Nós publicamos conteúdo uns dos os outros o tempo todo - conta o administrador, que utiliza vários bancos de imagem e arquivos na internet para fazer seu garimpo, como os do Instituto Moreira Salles e do Centro de Memória Fluminense.


- Às vezes, quando vou aos lugares, acabo enxergando o ambiente como está na fotografia. Tento imaginar como teria sido viver naquela época, pegar um bondinho ali na Praça Araribóia por exemplo. Há fotos que parecem de cidades europeias - diz o engenheiro, que se apresenta como um apaixonado pela cidade. Apesar de ter nascido no interior do estado, Luis já vive há mais de 30 anos em Niterói.


Ele conta que o grupo reúne muitas histórias interessantes, como a vez em que, ao postar a foto de um homem, seu filho apareceu para comentar a história do pai. Ou da vez que amigos de infância se encontraram depois de se identificarem numa foto publicada pelo grupo.


- Essa, para mim, foi uma das situações mais legais que o grupo já proporcionou. Eles se juntaram, marcaram de se encontrar em um restaurante.


Mas o grupo também já foi alvo de polêmicaS, o que faz com que o administrador evite posts com situações políticas ou de tragédias envolvendo a cidade, como o incêndio do circo em 1961.


- A tragédia acaba entristecendo as pessoas, e o grupo é para ser um espaço de entretenimento, com o qual as pessoas possam relaxar no final do dia.


Certa vez, precisou apagar uma foto do ex-governador Leonel Brizola fazendo campanha na cidade porque o post gerou muita discussão. Luis explica também que precisou mudar o modo de publicação do grupo, que agora passa por aprovação do administrador, para que não se perca a proposta.


- Até pornô postaram quando ficava livre para publicar - reclama.


O antigo prédio da estação das barcas, no Centro


Para ele, o que mais atrai a atenção, além da curiosidade, é o sentimento de saudosismo. Segundo as estatísticas do grupo no facebook, grande parte dos perfis que participam é de pessoas que têm 60 anos ou mais.


- Quando essas pessoas veem uma foto de algo que viveram durante a juventude, isso gera esse sentimento de saudade, né?! Gera uma comoção - conta, dando exemplo do bar Canto do Rio, muito frequentado nos anos 50.


- Parece clichê o que eu vou falar, mas a gente tem que conhecer o nosso passado para poder criar e entender o futuro. E Niterói é uma cidade muito importante para o cenário nacional. Foi uma das primeiras do país a receber o cinema falado, lá em 1929, já foi capital do estado, entre tantas outras coisas. Acho muito importante preservar a história da cidade - conclui.


Antigo bar no canto do Rio, Rua Ari Parreiras com praia