Guarde esta sigla: Rt - é ela que vai dizer como está o controle da Covid

Atualizado: 25 de Nov de 2020

A taxa de transmissão, Rt, do coronavírus no Brasil é a maior desde maio, segundo monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido.


Risco de contágio aumenta em lugares fechados e com muito movimento


A sigla cada vez aparece mais no noticiário: Rt, traduzida pelos jornais como taxa de transmissão. Ela aparece junto com outras informações, como o número de casos e mortes, mas é determinante na avaliação da tendência da doença, se está em fase de expansão ou se caminha para um maior controle. No momento, quando a segunda onda da Covid assusta metade do mundo, a Rt não traz notícias boas: é a maior taxa desde maio, quando a doença caminhava para o pico.


A avaliação foi divulgada nesta terça-feira, 24, pelo Imperial College de Londres.

O relatório mostra que o índice está em 1,30. Isso significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130 pessoas. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser menor (de 0,86) ou ainda maior (até 1,45). Neste casos, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 145. Em poucos dias, o número inicial poderia dobrar, no chamado crescimento exponencial da doença, o pior cenário que se pode enfrentar.


A última vez que a taxa de transmissão no Brasil esteve tão alta foi na semana de 24 de maio, quando atingiu 1,31. Nas semanas seguintes, o país começaria a caminhar p para o pico da doença, ocorrido em maio, junho e julho.


O R é adotado na epidemiologia, como número de reprodução. Existe o R0, que índica o índice de reprodução de uma determinada doença, como uma gripe ou uma conjuntivite. É o número padrão, de referência. Durante uma epidemia, os especialistas procuram estabelecer como a taxa se comporta no tempo. Rt é o tempo de reprodução, ou como adotamos, a taxa de transmissão da doença. Quando ele é superior a 1, significa que cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança.


O jornal O Globo lembra que instituições brasileiras também monitoram a taxa de transmissão do país, avaliando também por estados. O Observatório de Síndromes Respiratórias da Universidade Federal da Paraíba, por exemplo, mostra a média móvel da taxa de transmissão no país em 1,17 - abaixo, portanto, dos 1,30 indicados pelo Imperial College. A Rt média mais alta seria de São Paulo (1,32), seguida por Rio Grande do Norte (1,30), Paraná (1,28), Santa Catarina (1,25), Acre (1,24) e Rio de Janeiro (1,23).


Ainda segundo o jornal, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) calcularam, para esta semana, um Rt de 1,64 para o estado de São Paulo. Eles preveem um provável aumento no número de infectados no estado. Dados da Secretaria de Saúde do estado mostram que as internações por Covid-19 voltaram a crescer na última semana – com um aumento de 17% nas internações entre os dias 15 e 21 de novembro. O crescimento veio mesmo após aumento de 18% na semana anterior, de 8 a 14 de novembro.



© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.