Lei de papel na pandemia de Covid em Niterói

Cada vez é mais comum pessoas sem máscara na orla; guardas não importunam

por Rodrigo March

Descanso sem máscara depois da atividade física. Foto Gustavo Stephan


O que leva uma pessoa a caminhar ou se exercitar com o nariz completamente para fora da máscara ou simplesmente com ela arriada? Está com caxumba? Ironizam os críticos. É para usá-la após o exercício, no retorno para casa? Improvável. Ou é para tê-la a tiracolo caso a fiscalização cobre? Conhecendo bem o brasileiro, fico com essa hipótese.


E o que leva a fiscalização a ignorar solenemente essas pessoas que passam impunes debaixo dos seus narizes? Não querem se indispor? Não são fiscalizadas pelo superior? Ou seguem alguma orientação?


Desde que a orla de Niterói foi liberada para a atividade física em certos horários, tenho saído para correr com máscara, álcool em gel e máscara reserva. Mas passo por dezenas de ciclistas e corredores, principalmente, utilizando a máscara no jeitinho brasileiro... Na primeira vez, contei durante meia hora: 43% estavam com a máscara arriada ou sem. E o problema continua.


Os agentes de segurança estão em bom número e costumam andar em trios, mas suas presenças não intimidam ninguém. As pessoas não são abordadas e sequer levantam a máscara pouco antes de cruzar com eles. O nome disso é impunidade. Até hoje, só vi uma abordagem a uma menina que estava sentada. Seres em movimento não são importunados. Por quê?


Conheço corredores que resolveram cobrar atitude dos agentes, mas foram ignorados. Ora, o tempo daquela orientação inicial, sem aplicação da multa de R$ 180, já passou. A liberação do calçadão e da areia ocorreu em 21 de maio.


Diversos estudos mostram que a máscara, mesmo caseira, reduz a chance de você se contaminar pelo ambiente e de espalhar a Covid-19. Infelizmente, em Niterói, para muitos a lei ainda está no papel, apesar de outras boas iniciativas do poder público.




Rodrigo March é jornalista, morador de Niterói e corredor amador há dez anos.

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