‘Lockdown’ em Niterói não inclui medidas para evitar que o perigo viaje de ônibus

Superlotação no transporte público, com frota reduzida, amplia poder de transmissão do coronavírus


Ônibus superlotado em Niterói. Foto Gustavo Stephan


Os decretos da Prefeitura de Niterói com as restrições de circulação para o período emergencial que começa nesta sexta-feira (26) não incluem qualquer medida para evitar que o coronavírus pegue carona no transporte público, importante meio de transmissão do vírus.


Medida mais eficaz para conter o avanço trágico da Covid-19, o isolamento não atinge todo mundo, já que trabalhadores de serviços sociais terão de continuar se locomovendo, grande parte deles de transportes públicos.


- Se não houver fiscalização e negociação com as empresas de ônibus e a concessionária das barcas, esses trabalhadores continuarão se contaminando e sendo um fator de contaminação para muita gente, suas famílias inclusive e os clientes de seus serviços. É um absurdo o que a gente vê, ônibus e barcas lotados, sem punição para as empresas - diz uma enfermeira de Icaraí que usa diariamente ônibus e barca para ir ao trabalho no Rio.


Desde o começo da pandemia, um ano atrás, empresas de ônibus demitiram funcionários e reduziram a frota em circulação. Caíram o número de passageiros e a receita? Tira os ônibus das ruas. Resultado: ônibus lotados, longas esperas em filas nos pontos. O mesmo com as barcas. A concessionária aumentou os intervalos das saídas, e as embarcações partem cheias nos horários de pico, sem o distanciamento recomendado. Máscaras, álcool em gel nas estações e pontos, nada disso se vê mais por aqui.


Um ônibus abarrotado a caminho do Centro


Quem sobe no ônibus sabe que vai correr riscos, como relatou ao A Seguir: Niterói o jornalista e fotógrafo Gustavo Stephan no começo deste mês:

"Hoje peguei o ônibus OC3 no Engenho do Mato em direção ao Centro da cidade. Quando o ônibus chegou na Avenida Central o número de passageiros já havia ultrapassado o limite permitido pela lei. O motorista continuou parando nos pontos seguintes e, no final da Avenida Central, o ônibus ficou abarrotado. Dois passageiros idosos ficaram incomodados e questionaram o motorista. Eu já estava achando um absurdo o descaso do motorista e questionei a atitude dele. O motorista alegou que é obrigado a parar em todos os pontos, que isso era uma ordem da empresa."

Stephan completou:


"Observei passageiros que não usam máscaras. Nas minhas viagens percebo o quanto a nossa sociedade é individualista. Empresários inescrupulosos, profissionais despreparados e uma grande parcela da população que ainda não entende o que é cidadania."