Mãe e padrasto de suspeitos de furar fila da vacina no Azevedo Lima terão de depor

Médico Rogério Casemiro e fisioterapeuta Adriana Morais Pereira são casados e ocupavam cargo de chefia no hospital


Por Gabriel Gontijo

Adriana Morais Pereira e Rogério Casemiro são acusados de permitirem que os filhos dela e enteados dele furassem a fila da vacina de Covid. Foto: Reprodução/montagem/redes sociais


A mãe e o padrasto dos jovens suspeitos de furar a fila da vacina contra Covid no Hospital Azevedo Lima ocupavam cargos de chefia na unidade hospitalar localizada no Fonseca, Zona Norte de Niterói. Adriana Morais Pereira, a mãe do rapaz de 16 anos e da moça de 20 anos, é coordenadora de Desospitalização da unidade. Ela é casada com o Diretor Técnico do hospital, Rogério Casemiro, padrasto dos filhos dela. O casal já foi intimado pela Polícia a prestar esclarecimentos.


Leia também: Jovens enteados de diretor foram filmados tomando vacina


Adriana é formada desde 1999 em Fisioterapia pelo Centro Universitário do Instituto Brasileiro de Medicina da Reabilitação (IBMR), tendo MBA em três áreas: Geriatria e Gereontologia pela Uerj (2013), Terapia Intensiva em Adultos pela UniRedentor (2013) e Qualidade em Saúde e Segurança do Paciente pela FioCruz (2020).


Adriana está no Azevedo Lima desde setembro de 2014, quando trabalhava como Coordenadora de Reabilitação, atuando na área da Fisioterapia. Desde outubro de 2020 ela ocupa o atual cargo.


Já Casemiro é formado em Medicina pela UFF desde 1994 e, dentre as especializações, tem formação em Aperfeiçoamento e Gestão em Saúde Pública pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio (2007) e é mestre em Ciência da Tecnologia e Inovação pela FioCruz (2015). Desde 2009, segundo informações do perfil dele no Linkedin, ele faz parte da Secretaria Estadual de Saúde, integrando a equipe do Azevedo Lima há, pelo menos, três anos. Adriana e Casemiro estão casados desde agosto de 2013.


O casal foi intimado pela Polícia Civil a prestar depoimento sobre a denúncia feita pelo Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ). Nem o conselho e nem a polícia divulgaram os nomes dos dois filhos de Adriana que receberam a vacina de forma irregular.


Secretaria informa que os dois foram afastados das funções


Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou "que está colaborando com as investigações da Polícia Civil para que todos os fatos sejam apurados de forma rigorosa e transparente" e que " não compactua com atitudes como esta".


Ainda de acordo com a pasta, "o diretor técnico e a coordenadora de desospitalização do Hospital Estadual Azevedo Lima são funcionários da Organização Social Instituto Sócrates Guanaes (ISG). Eles foram afastados de suas atividades para ampla investigação interna da denúncia".


Já a OS afirmou que foi "surpreendida" com a denúncia e que essa foi uma atitude "isolada dos diretores desta unidade". Além disso, segundo a organização, os dois "foram afastados para ampla investigação interna da denúncia nos termos do Código de Conduta Ética e Política de conformidade do ISG".