Mais de 100 lojas já fecharam na pandemia de Covid em Niterói

Estimativa é que 65% do comércio possa fechar as portas até o fim do ano


Por Carolina Ribeiro


Lojistas reclamam da falta de clareza sobre até quando terão de ficar fechados


Pelo menos 100 lojas já fecharam as portas de forma definitiva durante a crise do coronavírus em Niterói, segundo o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Niterói (Sindilojas). O número preliminar inclui estabelecimentos de variados ramos e portes. Outra estimativa preocupante da Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL) informa que cerca de 35% das lojas da cidade já fecharam e que aproximadamente 30% daquelas que estão funcionando podem fechar até o fim do ano por não suportar a crise.


Para tentar manter o comércio aberto, a prefeitura lançou iniciativas de pagamento de salário de funcionários de lojas, como o Empresa Cidadã, e fez acordo com instituições financeiras para empréstimos a juro zero para empresários, o Niterói Supera. Este último, no entanto, não vem contemplando as expectativas dos lojistas e da prefeitura. Os lojistas não têm conseguido os empréstimos.


Por conta do isolamento social para conter a transmissão do coronavírus no município, tinham permissão para funcionar apenas serviços essenciais como mercados, farmácias, padarias, pet shops e postos de gasolina. Os demais empreendimentos apenas por sistema de entregas, o que dificultou as vendas de muitos lojistas. Desde o dia 25 de maio lojas de outros ramos puderam abrir, como de material de construção, colchões, óticas.


Presidente do Sindilojas Niterói, Charbel Tauil Rodrigues afirma que o total exato de lojas fechadas só poderá ser contabilizado quando todos os segmentos estiverem autorizados a reabrir. A medida, no entanto, ainda não tem data para acontecer, uma vez que a retomada do funcionamento dos setores está dividida por ordem de importância e retorno econômico, além do nível de risco de transmissão do vírus.


- A insegurança quanto às datas de autorização de reabertura só faz com que todo esse cenário piore. Muitos empreendedores já estão endividados e, não lhes sendo facultado um mínimo de clareza quanto ao que vem pela frente, tendem a se desesperar e acabar entregando seus pontos comerciais - ressaltou Charbel, completando que o cenário do comércio ao fim da pandemia será bem diferente do que era visto antes.


Já a CDL Niterói não divulgou números exatos do prejuízo dos lojistas. Mas, com base nos relatos que tem recebido dos empresários, estima que 35% de todo o comércio niteroiense serão impactados, resultando no fechamento das lojas. Além disso, mesmo aquelas que estão autorizadas a funcionar estão registrando baixo movimento e estão sem capital de giro. Neste ritmo, 30% podem fechar até o fim do ano.


Ainda segundo a CDL, os comerciantes conseguiram aderir ao Empresa Cidadã, pelo qual a prefeitura ajuda com a folha de pagamento. Porém, o programa Supera ainda não foi para frente por conta da dificuldade do Banco do Brasil na análise de crédito das empresas. Em nota, a entidade ressaltou que “as medidas ajudam o empresário, mas o importante é o comércio voltar a funcionar, gerando emprego e renda, além do mais importante salvando vidas, pois sem emprego e renda não se vive”.


Empresários


Por conta da pandemia, cerca de 500 empresários se juntaram, pelas redes sociais, cobrando mais auxílio por parte dos governantes. Intitulado “União dos Micro e pequenos empresários de Niterói”, o grupo tenta agendar reuniões com a prefeitura e já enviou uma carta com as solicitações.


Um dos representantes, o empresário Alexis Japiassu, conta que seu comércio está conseguindo funcionar por causa do serviço de entrega, mas que muitos outros do grupo estão parados e não conseguem auxílio da prefeitura. Apesar de aprovarem a iniciativa do Empresa Cidadã, Alexis afirma que o Niterói Supera não é efetivo devido ao alto custo para o município e pouco retorno para os empresários.


- O comércio de Niterói ainda vai sofrer muito, mesmo com o retorno das atividades, porque haverá pouca movimentação de clientes. Muitas vão fechar depois de reabrir, pois estarão sem fluxo de caixa. Por isso, buscamos que o governo isente os comerciantes do IPTU, a desoneração do micro e pequeno empresário, que o sócio-gerente seja contemplado nos auxílios e descontos nas taxas de água e luz, além de priorizar empresas de Niterói nas licitações do município - lista o empresário.


Donos da Witty, uma marca de calçados, César Coelho Gomes e seu filho, Pedro Coelho Gomes, estão encontrando dificuldades para aderir ao programa Niterói Supera por conta das exigências do Banco do Brasil. Com as duas lojas fechadas desde março, apostaram no e-commerce para manter a empresa funcionando. Porém, já sabem que uma das lojas precisará ser fechada.


- As lojas de varejo, principalmente no segmento de vestuário, trabalham com capital de giro pequeno. Consegui me cadastrar no Empresa Cidadã e já comecei a receber o valor da folha de pagamento dos funcionários, mas o empréstimo bancário, que seria fundamental para o caixa no momento da reabertura, já conversei com gerentes de banco e não estão liberando facilmente - contou Pedro Coelho Gomes, completando que, mesmo com as lojas fechadas, há muitas despesas de aluguel, água e iluminação.


- Vejo muita dificuldade neste período, mas se tivéssemos uma ajuda mínima de qualquer esfera, conseguiríamos dar a volta por cima. Os empresários e trabalhadores aprenderam muita coisa nesta crise, precisaram se reinventar, e aqueles que ficaram desempregados, se tiverem oportunidade, vão conseguir empreender nessa era digital - acredita.


Auxílio


Durante pronunciamentos nas redes sociais da prefeitura ao longo da semana passada e na última segunda-feira (1/6), o prefeito Rodrigo Neves e a secretária de Fazenda, Giovanna Victer, alertaram que o programa Niterói Supera não estava rendendo o aproveitamento esperado pela prefeitura apenas com o Banco do Brasil. Portanto, outras instituições financeiras seriam procuradas. Neves anunciou ainda que novas medidas de auxílio ao comércio serão divulgadas nesta quarta-feira.


O fundo Niterói Supera pode injetar R$ 150 milhões na economia da cidade para apoiar profissionais liberais, micro e pequenas empresas sediadas no município. A iniciativa prevê o empréstimo a juro zero em instituições financeiras credenciadas pelo município, com pagamento em até 36 vezes, com seis meses de carência. Segundo o prefeito, ele espera que sejam liberados cerca de R$ 50 milhões apenas em junho.

A primeira instituição a assinar a contrato para participar do programa foi o Banco do Brasil. No entanto, a operação não está acontecendo de forma rápida. Por isso, outros bancos como Itaú e Santander foram procurados e as tratativas estão em andamento para facilitar o acesso ao empresário.

Uma das iniciativas anunciadas nesta quarta deve ser a participação no programa da AgeRio, agência de fomento do governo do estado com experiência na concessão de microcrédito, que já estava sendo negociado. Novas informações sobre o Empresa Cidadã, programa que a prefeitura assume parte da folha de pagamento das empresas, também devem ser divulgadas.

Durante o pronunciamento de segunda-feira, Giovanna Victer ressaltou que a prefeitura não pode emprestar dinheiro diretamente aos empresários e que, por isso, precisa de outras instituições financeiras com autorização do Banco Central. Já Rodrigo Neves afirmou que, durante a crise da pandemia, as empresas também estão na UTI e que precisam do auxílio dos governos Federal, Estadual e prefeituras.


- A política macroeconômica é responsabilidade do governo federal, mas mesmo assim estamos atuando porque nós entendemos que é uma ação importante e necessária para a economia de Niterói. Nós sabemos que as empresas precisam desse apoio para ontem e vamos trabalhar incansavelmente para acelerar a concessão de crédito através do Niterói Supera", afirmou.

O cadastro para o fundo está aberto no site da Secretaria Municipal de Fazenda (fazenda.niteroi.rj.gov.br/fundoniteroisupera). O programa é válido para microempresas e de pequeno porte; cooperativas ou associações de produção que congreguem pequenos produtores; profissionais autônomos e liberais com registro e alvará ativo em Niterói.

O fundo terá os seguintes limites para financiamento de capital de giro: até R$ 25 mil para profissionais autônomos e liberais; até R$ 50 mil para microempresas; até R$ 150 mil para cooperativas e empresa de pequeno porte com faturamento de até R$ 2,4 milhões; até R$ 250 mil para empresa de pequeno porte com faturamento superior a R$ 2,4 milhões até R$ 4,5 milhões.

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