Mapa de Risco da Região Metropolitana do Rio mostra o perigo do vai e vem entre as cidades

Municípios vizinhos não adotam medidas para conter a Covid e moradores têm trânsito intenso em Niterói



A intensa movimentação de pessoas entre as cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro se transformou num dos maiores problemas para o controle da Covid, em Niterói. Em transmissão nesta segunda-feira (12) do Gabinete de Crise, o Prefeito Axel Grael criticou a falta de coordenação das ações pelo governo do estado e as cidades que não adotam medidas efetivas de combate à Covid.


- Me preocupa a situação de São Gonçalo, que diz que adota medidas de restrição mas não fiscaliza nada e está tudo aberto - disse, num desabafo. Segundo o Prefeito, a consequência é que os moradores de São Gonçalo já não encontram hospitais na cidade e procuram internação em Niterói: "E a gente vai fazer o quê, negar atendimento.... para uma pessoa doente e que bate na sua porta? "


A Prefeitura calcula que 30% das vagas reservadas para doentes de Covid em Niterói, em leitos e UTIs, nas redes públicas e privadas, são ocupadas por moradores de cidades vizinhas. Vinte por centro do total são moradores de São Gonçalo.


Veja também: 40% dos pacientes de Covid internados em Niterói são de outros municípios


Diante da falta de ação do Governo do Estado e da Prefeitura de São Gonçalo, a Prefeitura de Niterói determinou o estabelecimento de barreiras policiais na entrada da cidade, como já fez na primeira onda da epidemia, quando Niterói decretou uma espécie de lockdown em maio do ano passado.


Ação coordenada com Governo do Estado fracassou


A preocupação em estabelecer ações coordenadas aparece nas recomendações dos epidemiologistas, em função do grande trânsito de trabalhadores entre as cidades, Especialmente, Rio, Niterói, São Gonçalo e Baixada. A Prefeitura de Niterói tentou uma ação conjunta com o Governo do Estado, mas o governador Claudio Castro não apoiou as medidas de isolamento. Niterói anunciou então medidas coordenadas com o Rio de Janeiro e as duas prefeituras anunciaram de forma conjunta um período de emergência de dez dias. Ao final do período, no entanto, o Rio decidiu flexibilizar o isolamento, apesar da recomendação do Comitê Científico que defendia a prorrogação das medidas de restrição. Niterói ficou sozinha na adoção do isolamento, segundo a OMS, a única forma de quebrar a transmissão da doença, enquanto a vacinação ainda não foi capaz de imunizar toda a cidade.


Na quarta-feira, Niterói vai estabelecer um bloqueio sanitário nas entradas da cidade, com medição de temperatura, checagem de máscaras e outros cuidados sanitários na tentativa de controlar o contato com moradores de outros municípios.


Para que você possa conhecer melhor a situação de risco no estado, o A Seguir: Niterói reuniu informações sobre os números da doença em algumas cidades.


O Mapa de risco da Covid no estado do Rio


A semana começa com uma ligeira melhora dos indicadores de risco da Covid no Estado, mas a classificação ainda é de bandeira roxa, risco muito alto para Covid. A taxa de ocupação de leitos caiu para 54% e nas UTIs, para 87% das vagas reservadas para doentes de Covid na rede do SUS. Um número ainda fortemente impactado pela cidade do Rio, que se mantém com ocupação hospitalar de 90% nos leitos e 92% nas UTIs. A melhora na média do estado, no entanto, já foi suficiente para reduzir a fila de espera para internação a uma hora e meia; sete horas, para uma vaga de UTI.


Rio de Janeiro


A situação na capital é a mais preocupante, não apenas tamanho e importância da cidade e pelos índices de ocupação hospitalar, mas pela comunicação que o Rio estabelece com os municípios vizinhos, com um fluxo intenso de entrada e saída de trabalhadores. O Rio já registrou 237.974 casos da doença e 21.752 mortes. É a maior taxa de letalidade do estado, 9,14. E registrou desde o início da pandemia cenas como praias superlotadas e aglomerações nos bares da Rua Dias Ferreira, no Leblon.


De acordo com o painel da Secretaria Estadual da Saúde, 94% dos leitos de CTIs na cidade do Rio de Janeiro se encontram ocupados na abertura da SE 15. O índice é o mesmo do encerramento da Semana Epidemiológica 13. Já a ocupação nas enfermarias apresentou uma pequena redução, caindo de 91% para 90% atualmente. Por isso, o risco de transmissão é considerado como muito alto.


Mesmo assim, o Prefeito Eduardo Paes decidiu levantar as medidas de isolamento, depois de dez dias, mesmo sem que a cidade apresentasse resultados efetivos no controle da pandemia. Bares e restaurantes com aglomeração têm sido um retrato da cidade na pandemia. O Rio tem, proporcionalmente, o maior número de mortos entre as capitais brasileiras.


São Gonçalo


O cenário em São Gonçalo já chegou a 100% de ocupação nas UTIs. Atualmente está em 83%. A cidade costuma produzir cenas de aglomeração recorrentes, e as medidas anunciadas não resultaram efetivamente em restrições. Nesta segunda-feira, a cidade confirmou 19 óbitos em 24 horas, chegando a 1.784 no total. Na última semana, a internação nos leitos clínicos apresentou queda, saindo de 59% no fim da SE 13 para 44% na abertura da SE 15. Foi alvo de críticas do Prefeito de Niterói pela intensa movimentação de trabalhadores entre as cidades.


Itaboraí


Das cidades que integram a Região Metropolitana II, Itaboraí é a que tem o melhor cenário. Mesmo com o risco sendo alto de acordo com o painel da SES, o município tem 64% dos leitos de enfermaria ocupados. E a situação nos CTIs é ainda melhor, pois é a única cidade dentre as principais da área que tem uma ocupação menor que 50%. Atualmente Itaboraí tem 45% dos leitos de CTIs ocupados.


Maricá


A cidade vizinha é a que tem, no momento, o maior percentual de ocupação de CTIs e leitos clínicos. Segundo o painel da SES, o município está com 92% dos leitos em enfermaria ocupados e já atingiu 100% nos CTIs. A cidade tem o risco considerado como alto. Mesmo assim, o município flexibilizou algumas regras na última sexta-feira (9).


Niterói


No Mapa da Covid da Secretaria Estadual de Saúde Niterói apresenta um índice de risco "muito alto". São 31.737 casos e 1.321 mortos desde o início da pandemia ( nas contas da Prefeitura de Niterói o número é menor, 976). Mas é das cidades que mais aplicaram testes e tem uma das menores taxas de letalidade da doença, 4,16 - justamente pela capacidade de sua rede hospitalar. Nos últimos dias, a situação apresentou ligeira melhora. Na SE 13 (28 de março a 3 de abril), a cidade chegou a pior taxa de ocupação do período, 95% tanto em CTIs quanto em leitos clínicos. Entretanto, já na Semana Epidemiológica seguinte, a SE 14 (4 a 10 de abril), o percentual de enfermarias ocupadas caiu para 65% e os de CTIs para 84%.


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