Marcelo do sanduíche de Itacoatiara muda negócio na pandemia

Vendas nas areias caíram e o jeito foi começar a distribuir a produção na rua


Por Gabriella Balestrero


Um dos sanduíches do Marcelo, o queridinho dos frequentadores de Itacoatiara. Foto: Reprodução


Programa certo nas areias de Itacoatiara, o sanduíche do Marcelo também teve de se adaptar durante a pandemia. Com a praia vazia, o vendedor se reinventou para manter de pé um negócio que, há 35 anos, serve de ganha pão não apenas para ele, mas para uma grande rede de produtores e vendedores.


Marcelo conta que, desde garoto, tirou seu sustento da praia, mas que foi com o sanduíche natural que seu negócio deslanchou. Primeiro com a irmã e depois sozinho, ele, que agora tem 52 anos, pegava um ônibus em Alcântara e descia na Praia de Itaipu. De lá, andava pela areia até Camboinhas vendendo seu sanduíche, que na época, era embalado em papel alumínio. Até que decidiu começar a vender em Itacoatiara.


- Fui fazendo a propaganda corpo a corpo e o pessoal gostou, então fui ficando por lá. E daí vieram as inovações. Passamos, por exemplo, do papel alumínio para o acoplado, que polui menos. E o negócio foi crescendo - conta Marcelo.


E cresceu. Hoje são mais de 10 sabores que levam sempre uma proteína (frango, chester ou atum) e acompanhamentos diversos. É costume o sanduíche, cuja produção diária garantia o frescor do alimento, ser acompanhado também de ovo de codorna e batata palha.


Até então, a fábrica de Marcelo chegava a produzir cerca de 1.300 sanduíches por dia em um fim de semana no verão, feitos por uma média de 10 pessoas e distribuídos pela Região Metropolitana inteira, com vendedores parando em lugares como São Gonçalo e indo até a Barra da Tijuca, no Rio. Mas a pandemia fez o empresário mudar o negócio.


Pelas suas contas, a produção caiu 90% no primeiro mês, em março. Hoje, ele consegue se manter com 20% a 30% da produção original. Mas não sem fazer mudanças.


Se antes todos os funcionários trabalhavam diariamente, hoje há um sistema de revezamento para entregar quantidade reduzida de sanduíches. A venda, que acontecia majoritariamente na praia, também teve que ser readequada. Além dos parceiros que revendem o sanduíche, a solução para a venda direta foi sair das areias e ocupar o asfalto, explica o vendedor, que tem pontos de venda em Itacoatiara, Piratininga e Cafubá.


- Nunca imaginei que íamos ficar assim, trabalhando na rua. Sempre trabalhamos na praia, naquela agitação, e hoje em dia não dá. Mas tudo é aprendizado. E tem dado certo. Por isso nós agradecemos muito à nossa clientela. Devagarzinho vamos driblando.


Marcelo não tem intenção de usar a internet para aumentar as vendas, porque prefere fabricar e deixar para seus parceiros de revenda a parte do serviço on-line. Mas até isso ele teve que limitar. Dentro do seu planejamento, a quantidade solicitada de sanduíches já estava sobrecarregando a fábrica. Além de criar concorrência para aqueles que estavam com ele antes da pandemia. Mas isso não significa que ele não pense no assunto.


Marcelo empacota sanduíches para movimentar a rede de distribuição de seus produtos. Foto: Reprodução


Em seus planos, também estava a expansão de seu negócio este ano, com aumento na produção e melhora nos processos. Também precisou ser adiado o aluguel de um espaço em Saquarema no mês de junho, quando acontece uma etapa do Circuito Mundial de Surf no local, um dos picos de venda do ano. Planejamentos que ficarão para 2021.


- Acredito que, daqui a um ano, já iremos poder tocar as melhorias que havíamos planejado. Aumentar a produção e atender melhor a nossa clientela, até para o sanduíche chegar mais rápido na praia (a fábrica fica no Sapê). O que a gente mais espera é que tudo isso passe e que voltemos para a praia, que é o foco de tudo, onde a venda é forte. Não está fácil, mas a gente vai superando - diz Marcelo.



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