Margareth Dalcolmo se emociona com atraso da vacina: 'Missões diplomáticas fracassaram'

Pneumologista da Fiocruz discursou em evento logo após receber notícia sobre falta de insumos

Pneumologista Margareth Dalcolmo é pesquisadora da Fiocruz. Reprodução


Um desabafo da pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, viralizou nesta quarta-feira (20). No vídeo, captado num evento na noite de terça, no Rio de Janeiro, a pesquisadora expressa a indignação com o atraso da chegada dos insumos no Brasil. A emoção da especialista ganhou forte repercussão nas redes sociais.


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— Acho que é um momento crucial, e isso me emociona porque fiquei muito surpresa quando recebi a convocação. É hora de a sociedade brasileira mostrar realmente o que eu tenho tentado chamar atenção como médica e cidadã de consciência cívica: é realmente inaceitável que, neste momento, no Brasil, acabamos de receber a notícia de que as vacinas não virão da China e não virão da Índia — declarou a pneumologista, no começo de seu discurso.


Na sequência, com a voz embargada, a médica cita o fracasso na gestão diplomática brasileira como o entrave para a produção do imunizante da Oxford em Bio-Manguinhos.


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— Isso é absolutamente injustificável. Não há nada, nenhuma explicação que possa justificar isso que acabamos de saber. Depois de termos feito um acordo de cooperação e estabelecido, ponto a ponto, desde agosto do ano passado, que uma instituição pública como a Fundação Oswaldo Cruz tenha a sua linha de produção absolutamente pronta, toda a IFA, o insumo farmacêutico, pronto e pago para chegar ao Brasil e que as missões diplomáticas tenham fracassado até esse ponto — desabafa.



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O vídeo da pesquisadora, que se tornou uma das principais vozes do combate ao coronavírus, repercutiu nas redes sociais na tarde desta quarta-feira. "A Doutora Margareth Dalcolmo diz tudo: É injustificável. À beira de um colapso, sem suprimento constante de vacinas. Nada justifica", comentou um usuário do Twitter. "Dra. Margareth Dalcolmo sentindo nossa angústia e traduzindo nosso sentimento", declarou.


Na noite de terça-feira, a Fiocruz admitiu, em nota ao Ministério Público Federal, que não será mais possível cumprir o cronograma de entrega das primeiras doses da vacina da Oxford/AstraZeneca produzidas em Bio-Manguinhos. O motivo é o atraso na chegada do IFA, o insumo necessário para a fabricação do imunizante. O produto depende de liberação da China para ser exportado, e a diplomacia brasileira ainda não conseguiu resolver os entraves burocráticos com o país asiático, com quem tem mantido uma relação tensa ao longo do governo de Jair Bolsonaro.

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