Mesária de Niterói quase faltou por ter pais do grupo de risco da Covid

Ausência de convocados pode ser punida pela Justiça Eleitoral

por Gabriel Gontijo

Local de votação em Niterói: ausência de mesários preocupou a Justiça Eleitoral


Um dos temas abordados na entrevista coletiva dada pelo presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, no início da tarde deste domingo, foi sobre a percepção de uma ausência elevada do número de mesários. Afirmando que, se existir “um motivo razoável” para o não comparecimento cabe à Justiça Eleitoral analisar a justificativa de quem não cumpriu com esta responsabilidade, o tribunal vai analisar os casos em que houver uma explicação.


-O mesário assume uma responsabilidade não apenas perante a Justiça Eleitoral, mas também com a sociedade. Então isso (o grande número de ausentes) é um dado muito grave. Se não houver uma justificativa para o não comparecimento, certamente nós vamos apurar e punir - afirmou o presidente do TRE-RJ.


Ao ser questionado se a ausência de mesários estaria acarretando o aumento do número de filas nas zonas eleitorais, o desembargador explicou que esse problema é resolvido pelo próprio juiz eleitoral. Ele também argumentou que o excesso de pessoas nos locais de votação não se trata de um “problema generalizado”, mas que há situações momentâneas que podem gerar filas.


-Se a máquina apresenta algum problema, e é necessário algum reparo ou a substituição do aparelho, é normal que haja um aumento na fila nesse instante e que ultrapasse o que seria o tempo normal. Mas não é um problema crônico que esteja acontecendo em todas as sessões”, explicou o desembargador.


A analista de mídias sociais Carolina Meneses quase desistiu de ser mesária. Escalada para atuar no Country Club de Niterói, em Pendotiba, ela explica que desde o dia 5 de novembro pediu para ser liberada da obrigação pelo fato de os pais integrarem o grupo de risco da Covid, já que ela mora com eles.


Mas a resposta só veio na última sexta-feira (13) e o pedido foi negado. Tensa, ela conta que chorou e admitiu que não iria, mesmo sabendo que poderia pagar a multa prevista no artigo 124 do Código Eleitoral, que é um valor equivalente à metade de um salário-mínimo. Apesar do receio, ela foi convencida pelos pais e compareceu à sessão para a qual foi chamada.


-Eu estava bem indecisa e não sabia se ia, porque a vida dos meus pais vale mais do que metade do salário-mínimo. Por isso que me recusei a ir. Mas como meus pais disseram que eu deveria comparecer, fui convencida. O que eu acho estranho é que a própria Justiça Eleitoral admitiu que teve um grande número de mesários voluntários. Então, se tanta gente quis trabalhar nessa função, por que me obrigam a participar? - questionou Carolina.

728x90.gif

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.