Mesmo com barreiras, Itacoatiara teve caos e aglomerações no fim de semana

Desordem e desrespeito às normas sanitárias em meio ao agravamento da pandemia de Covid também foram registrados em outras praias


Por Gabriel Gontijo

Câmeras do bairro flagraram aglomeração em um dos quiosques de Itacoatiara. Foto: Reprodução/Facebook/Soami Alerta


Apesar de a Prefeitura de Niterói ter anunciado na última sexta-feira (30) que Itacoatiara e Itaipu contariam com barreiras sanitárias para evitar aglomerações nas praias diante do aumento dos casos de Covid-19, o que se viu foi muita aglomeração, caos e desrespeito às regras.


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Nas redes sociais da Sociedade dos Amigos e Moradores de Itacoatiara, Soami Alerta, imagens mostram aglomeração e o flagrante desrespeito à desocupação da praia entre 12h30m e 16h. Neste período, mesmo quem sai da areia continua aglomerado ao longo da orla. E as barreiras sanitárias não impedem a entrada de muita gente, especialmente a pé.


Na publicação feita no domingo, a página registra queixas de outros problemas além da aglomeração. Ainda de acordo com esse relato, uma moradora chegou a acionar a Polícia Militar pelo 190, mas foi informada que a fiscalização era responsabilidade da Prefeitura. Nas fotos e nos vídeos, não há registros de viatura ou agente coibindo as aglomerações causadas.


— Estamos enfrentando mais um dia de grandes aglomerações no horário de proibição da praia. Os banhistas se concentram em alguns pontos do bairro provocando grandes aglomerações, não utilizam máscaras, perturbam o sossego com caixas de som alto e gritaria. Já enviamos os alertas para o Cisp e estamos aguardando a fiscalização. Uma moradora acionou a PM pelo o 190, mas foi informada que esta fiscalização cabia à Prefeitura de Niterói — informou na publicação.


De acordo com o presidente da Soami, Eugêncio Schitine, a Guarda Municipal até estava presente no bairro, mas "não conseguiu fazer nada" para conter o excesso de pessoas em Itacoatiara. Ele afirmou que vai marcar uma reunião com a Prefeitura para rever os horários de liberação das praias, pois o intervalo entre um período e outro foi marcado por muita desordem neste domingo.


- Entramos em contato com o Centro Integrado de Segurança Pública e disseram que estavam cientes do que acontecia. Apenas isso. Até tinha gente da Guarda Civil fazendo patrulha, mas não conseguiram fazer nada. Vamos conversar com a Prefeitura pra saber de que forma esse decreto, o 13.878/2021, pode ser mais efetivo na prática, porque ele não conseguiu resolver esse problema, pois enquanto os banhistas não vão à praia nos horários liberados, muitos fazem nas ruas daqui o que bem entendem nesse intervalo. Ontem foi um caos, teve gente urinando na rua, jogando lixo na calçada, destruindo lixeira, pisando e maltratando plantas nos jardins abertos, xingando e provocando moradores e muitos que residem aqui ficaram com medo de ter brigas por causa desses excessos. Foi pior que bloco de carnaval de rua, um inferno - desabafou Schitine.

Outro registro de aglomerações em Itacoatiara. Foto: Reprodução/Facebook/Soami Alerta


Presidente da Associação de Moradores do Engenho do Mato, Simone Siqueira confirmou que a situação aconteceu também no bairro vizinho e em Itaipu. Além disso, disse que o excesso de gente começou logo de manhã e relatou outras irregularidades cometidas pelos banhistas.


— Foi um absurdo. Itaipu estava lotada e em Itacoatiara já estava tudo parado na entrada do bairro logo às sete e meia da manhã, com um monte de gente que estava chegando à praia. Foi um caos na Região Oceânica toda, pois o trânsito parou tudo. Os moradores não conseguiam se deslocar para lugar nenhum, pois muitos estacionaram em locais proibidos ou na frente de garagem. Alguns estabelecimentos também tiveram aglomeração, como o Puro Suco e o Compão de Itacoatiara. Os guardas até pediam para os banhistas saírem, só que eles ficavam pelo calçadão até dar o horário de voltarem outra vez para a praia — reclamou Simone.


Segundo a presidente da Associação de Moradores, o cenário é comum também nos dias de semana. Ela afirmou que há moradores de outras cidades que acessam os bairros pela Avenida Irene Lopes Sodré e entram por Várzea da Moças, acarretando pontos de engarrafamento na altura do Colégio Paulo Freire e também na Avenida Central Ewerton Xavier.


— Tem muita gente que mora em municípios vizinhos que vêm para cá e causa esse nó no trânsito prejudicando os moradores da região. Falo isso porque observo que muitas placas desses veículos não são de Niterói. É gente de São Gonçalo e até cidades da Baixada Fluminense, como Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Quero deixar claro que isso não é de agora, mas em todo o verão é assim. O problema é a falta de organização e também de consciência de quem vem para cá, pois estamos em uma pandemia. Ou seja, deveriam ter barreiras lá também, já que não são apenas as praias da região que ficam cheias, mas os supermercados, lanchonetes e bares. Quem se desloca para essa área, faz compras nesse lugares e, por causa da grande quantidade de carros, gera tumulto no trânsito — explica.


Procurada pela reportagem para explicar a falta de ação, a Guarda Municipal não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.

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