Ministério da Saúde vai entregar em maio menos vacinas do que o prometido

Novo cronograma prevê entrega de 32,4 milhões de doses no mês, em vez das 46,9 milhões prometidas


Vacinação contra Covid em Niterói. Foto: Divulgação Prefeitura


Apesar de grande parte da população ter pressa para ser vacinada, a quantidade de vacinas que o Ministério da Saúde vai entregar em maio é menor do que o previsto pela pasta no cronograma de distribuição de doses de imunizantes contra a Covid-19. A previsão agora é entregar 31% menos do que estava prometido para maio, confirmando uma redução de doses em relação ao anunciado anteriormente que tem sido verificada desde o início da campanha de imunização no país.


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O Brasil deve dispor no próximo mês de 32,4 milhões de doses das vacinas, quando o cronograma divulgado em março falava em 46,9 milhões. A vacinação em conta-gotas por causa dos atrasos e da escassez de imunizantes tem provocado a suspensão do programa, como ocorreu na sexta-feira (23) em Niterói. A vacinação foi retomada nesta segunda (26) na cidade.


A Fiocruz, por exemplo, que produz a AstraZeneca em parceria com a universidade de Oxford, agora deve entregar 21,5 milhões de doses ao Ministério da Saúde em maio, e não mais as 26,8 milhões prometidas pelo governo. Só da AstraZeneca, portanto, serão 5,3 milhões de doses a menos em maio.


Já o Instituto Butantan, que produz a Coronavac, informou que depende da entrega de insumos vindos da China. Por isso, o instituto paulista não faz previsão de entregas para os próximos meses. Mesmo assim, o Ministério da Saúde informou em seu cronograma que espera 6 milhões de doses da Coronavac para junho. Da Fiocruz, são esperadas 34,2 milhões de doses em junho, se não houver mais atrasos.


A maior parte das vacinas encomendadas pelo governo só deve chegar aos postos de vacinação no segundo semestre, quando a previsão é distribuir 348 milhões de doses.


Atualmente, o Brasil só aplica duas vacinas contra a Covid-19, a AstraZeneca (Fiocruz) e a Coronavac (Butantan). Há previsão de chegada de vacinas da Pfeizer, mas sem data certa. Governos estaduais e municipais, como Niterói, tentam comprar a russa Sputnik, mas dependem de autorização da Anvisa.


Sobre os atrasos nas entregas das vacinas hoje disponíveis no país, o Secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Otávio Moreira da Cruz, listou diversos motivos. Entre eles, o não recebimento dos insumos, questões logísticas e operacionais dos laboratórios, atraso nas entregas das doses prontas e procedimentos de avaliação da Anvisa.


A projeção do governo para este ano é alcançar o total de 562.912.870 doses. A maioria, entretanto, só chegará no segundo semestre. Até junho, o cronograma atualizado fala em um acumulado de 159 milhões de doses. É um número 23% menor do que da previsão anterior.