MPF nos estados cobra atuação para Brasil conseguir insumos de vacinas

Procuradores do Rio e mais cinco estados pedem ao PGR que analise providências para obter matéria-prima da China


Sem insumos da China, nem Butantan nem Fiocruz conseguem produzir vacinas contra a Covid


Representantes do Ministério Público Federal (MPF) em seis estados, incluindo o Rio de Janeiro, encaminharam ofício ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que cobre do Ministério da Saúde e do Ministério das Relações Exteriores informações sobre as medidas adotadas para assegurar que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) receba a matéria-prima necessária para a produção de vacina contra a covid-19.


Tanto a Fiocruz, que tem capacidade para produzir vacina em parceria com Oxford/AstraZeneca, como o Instituto Butantan, que produz junto com a chinesa Sinovac, estão parados, sem qualquer perspectiva de produção de imunizantes contra a Covid, por falta de insumos. Nos dois casos, a matéria-prima vem da China, que não dá sinais de pretender atender aos pedidos brasileiros. O Brasil depende também da Índia, que entregaria um lote de 2 milhões de vacinas prontas para a Fiocruz.


Os procuradores da República solicitam que a Procuradoria-Geral da República (PGR), com auxílio do Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia Covid-19 (Giac-Covid19) e da Secretaria de Cooperação Internacional do MPF, analise quais medidas poderia tomar para agilizar a entrega da matéria-prima a ser importada da China.


Produção da vacina inviabilizada


Os procuradores da República que assinaram o documento afirmam que foi amplamente divulgado nos meios de comunicação que a Fiocruz ainda não recebeu o estoque de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) necessário para a produção nacional da vacina de Oxford/AstraZeneca. O Butantan depende também de receber IFA da China para produzir a CoronaVac, a única já em aplicação no Brasil mas com apenas 6 milhões de doses distribuídas aos estados.