'Muro das Artes', em Icaraí, promove intervenções artísticas no cenário urbano

‘Quando a gente faz parte da cidade, a gente passa a viver, a querer arte também’, diz empresária


Por Livia Figueiredo

Espaço “Muro das Artes”, na Rua Mem de Sá, em Icaraí, busca intervenções artísticas no meio do cenário urbano / Foto: Divulgação


Um respiro de arte no meio do caos urbano. Essa é a proposta do “Muro das Artes”, idealizado pela empresária Aloan Lopes. A ideia é fazer intervenções artísticas na calçada da Rua Mem de Sá, em Icaraí, onde fica a loja Giovanna Home, e convidar o público a refletir sobre a arte no meio de sua rotina atribulada, além de promover um espaço para artistas terem a oportunidade de exibirem sua obra.


– Muitas pessoas tiram foto mesmo da arte. Quando tem um casal ou um grupo eles tiram foto junto, com a arte ao lado. Mas, normalmente, a pessoa está sozinha e ela mesma fotografa ou filma. Tem um semáforo na frente da loja, então os carros param e fazem foto, fazem filmagem, é muito bacana. E quando a gente fecha a loja eu gosto de olhar de longe as pessoas que param, colocam a mão, tiram foto, olham em volta, é muito legal. Tem gente que para e fica uns 10 minutos admirando, é muito bonito de ver! – conta.


Atualmente duas artistas plásticas estão expondo no “Muro das Artes”: Duda Oliveira com a sua escultura “O Gigante”, e Renata Barreto, com seu Maxi bordado. A previsão é que a escultura fique no local até final de março para a exibição, depois, de outro projeto artístico.


O embrião da ideia do “Muro das Artes” surgiu quando Aloan morava em São Paulo. A tradição de visitar espaços culturais acompanha a sua família, que sempre teve como hábito reservar um dia da semana para ir ao museu ou algo do tipo. No seu período em São Paulo, Aloan conta que ficava encantada, pois a maioria dos lugares que transitava tinha arte, de todos os jeitos, todas as formas, na roupa das pessoas, em murais.


- Morei por mais de dois anos em São Paulo e aquela cidade respira arte. A maioria dos estabelecimentos bacanas de lá tem alguma intervenção artística na calçada, em esquinas, a céu aberto. A impressão que me dá é que a arte é para todos lá. E quando a gente faz parte da cidade, a gente passa a viver, a querer arte também. Assim como no Rio, que a gente tem necessidade de praia, de estar olhando, passear e curtir a praia, a arte se torna uma necessidade em São Paulo – explica.


A ideia é investir um pouco nesse segmento de arte que ocupa espaços de rua, que resiste nos espaços públicos. Aloan conta que, a princípio, estava pensando em fazer grafite em telas de ferro ou de madeira, depois teve a ideia de convidar um artista para fazer roupinhas para as árvores, que ficam em frente à loja. Amadurecendo melhor a proposta, conversou com sua assessora de comunicação, que logo lembrou de vários artistas e foi assim estabelecendo os contatos.


Um dos objetivos do projeto é que, aos poucos, o ponto se torne uma referência de arte em Niterói para que as pessoas possam valorizar a cena local e os artistas da cidade. Sua meta é trazer com o tempo um pouco de cada manifestação artística, como a leitura, maquiagem, dança, música, entre outros.

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