Museu no Morro do Bumba faz campanha para reformar telhado

Importante espaço cultural da cidade sofre com os desgastes provocados pela chuva


Por Livia Figueiredo

O interior do Museu Rancho Verde, no Morro do Bumba / Foto: Gustavo Stephan


¨Nenhum museu, nenhuma comunidade é completamente auto-suficiente e pode viver bem, fechado em si mesmo¨. Esse é o lema da Casa Museu Rancho Verde, primeiro museu de periferia da cidade, localizado no Morro do Bumba em Niterói. Importante espaço cultural de Niterói, a Casa Museu nasce da curadoria educativa experimental de agenciamento sócio – afetivo iniciado, realizado em 2009, por Maria Ignes Albuquerque, para o programa Família em Trânsito, do Núcleo Experimental de Educação e Arte do MAM.


A criação de um museu-casa como ponto de encontro artístico e ambiental inspira a formação da rede de colaboradores que abraçam a pequena morada, propondo para a casa do Seu Hernandes, de 92 anos, a formação de um Museu vivo da memória e do afeto, que foi inclusive reconhecido pelo Prêmio Ações Locais da Prefeitura Municipal de Niterói e como Ponto de Cultura pelo Governo Federal no ano de 2018.


Palco de um dos maiores desastres ambientais da história da cidade, o Morro do Bumba sofre com recorrência dos estragos provocados pela chuva, o que contribuiu para parte do desgaste do telhado da casa-museu, que encontra-se atualmente em estado precário, gerando risco ao Seu Hernandes e aos visitantes. Pensando nisso, foi criada uma campanha, cujo objetivo é arrecadar R$ 7.000,00, custo necessário para a reforma do telhado e renovação das instalações elétricas. O prazo de encerramento das doações é dia 23 de dezembro e o valor da quantia fica à critério do público. O objetivo da campanha é a preservação da arquitetura da casa e de seu acervo, possibilitando, dessa forma, a continuidade dos programas realizados na pequena Casa Verde.


- Tudo que a gente tem feito é altamente inspirador para esse momento de crise pandêmica que a gente vive. É um princípio de esperança para a humanidade, um microcosmo de muitas práticas de solidariedade, amor, colaboração, desapego, enfim, das relações pautadas no afeto. A gente fala muito da pedagogia do cuidado, que engloba todas essas coisas. O mundo hoje está obrigatoriamente parando para repensar a nossa maneira de estar e viver – conta uma das gestoras do projeto, Maria Ignes Albuquerque.

Casa Museu Rancho Verde / Foto: Gustavo Stephan


A Casa Museu Rancho Verde também funciona como um espaço para atividades ligadas à arte e ao meio ambiente. Segundo Maria Ignes, os encontros são desenhados conforme as demandas por parte da população, já sendo inclusive realizados com alunos de Graduação e Mestrado da UFF, nas áreas de Arte e Produção Cultural. Dependendo do eixo do encontro, parceiros são convidados. No princípio, era tudo muito no sentido de laboratório, mas com o passar dos anos, os encontros se tornaram mais estruturados com a experiência acumulada. Até que, a partir de 2016, a Casa Museu passou a assumir uma questão ambiental, criando um sistema de saneamento alternativo, em parceria com Engenheiros sem Fronteira, para evitar a poluição por parte da casa-museu. Além de um sistema de aquecimento solar, fruto da parceria com a Solarize.


- É um trabalho bem de formiguinha. A gente tem parceiros que são grandes conhecedores da tecnologia, então tivemos a ideia de abrir oficinas para 10/15 pessoas que moram no entorno virem participar. Mas é muito difícil conseguir público. São grupos que vão se formando. Tivemos algumas vezes pessoas de outros lugares, como o pessoal do Palácio, com quem temos muita ligação, e o da Grota – conta Ignes.


Depois do Prêmio Ação Local, entregue pela Prefeitura, ela relata que junto de outros dois gestores do projeto, Seu Hernandes e Priscila Grimberg, foi possível trabalhar em parceria com pessoas que também tinham sido reconhecidas pela premiação. Um desses projetos permitiu o contato com o público infantil da rede pública de ensino, algo inédito até então.


- Como é um trabalho voluntário, que não tem orçamento, a gente se sustenta pela colaboração da rede, que vem num crescente junto conosco. Os colaboradores chegam, abraçam a nossa ideia e agregam um valor tremendo, com sua expertise na área tecnológica, dependendo de cada ação. É assim que a gente tem conseguido operar, com a ajuda de instituições parceiras e amigos nossos. A gente chama de escultura viva, porque é algo muito orgânico, de partilha de saberes. As pessoas se sentem parte daquele processo quando chegam à casa museu, como se elas fizessem parte daquilo – encerra.


Dados para a contribuição:


Meta: R$ 7.000,00

Prazo de encerramento: 23/12

BANCO SANTANDER 033

AGÊNCIA - 3973 CONTA – 13001854-6

MARIA IGNÊS VASCONCELLOS CNPJ - 19.736.058/0001-26

Para envio do comprovante do depósito/transferência: 55 (21) 982959955 ou e-mail: cmranchoverde@gmail.com

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