Não acabou! 2020 ainda vai 'invadir' 2021, mesmo para os mais otimistas

Vacina é a grande esperança, mas problemas agravados pela pandemia vão entrar no Novo Ano e cobrar sacrifícios


por Silvia Fonseca

Um novo ano começa mas 2020 ainda vai permanecer entre nós por um bom tempo. Foto Divulgação


2020 não acaba neste 31 de dezembro. A pandemia de Covid-19 começou em março e vai entrar pelo novo ano sob ameaça de ficar ainda pior após as festas de fim de ano. Graves problemas na Educação, na Saúde, na Economia e na esperança, especialmente dos brasileiros, vão levar as marcas de 2020 para 2021 ainda por um bom tempo. A boa notícia é que a vacina vem aí, mas não há data certa sobre quando isso ocorrerá no país e nem mesmo em Niterói, que chegou a anunciar o começo da imunização para 25 de janeiro, mas pode atrasar.


Veja vídeo do A Seguir: Niterói sobre o quanto 2021 depende de cada um de nós

Mas a hora é de otimismo, embora seja necessário ficar com o pé no chão e se preparar para o que ainda está por vir. Veja os sinais de que 2020, infelizmente, não acaba tão cedo:


VACINAS


A Prefeitura de Niterói assinou protocolo com o Instituto Butantan para adquirir 1,1 milhão de doses da CoronaVac e anunciou que começaria a vacinar profissionais de saúde e idosos no dia 25 de janeiro. Desde então, o Butantan, que produz a vacina no Brasil em parceria com a chinesa Sinovac, ainda não apresentou os resultados dos testes nem pediu o uso emergencial do imunizante. Além disso, há discussão nas três esferas de Governo (federal, estaduais e municipais) sobre o uso de vacinas por municípios ou estados fora do Plano Nacional de Imunização (PNI). O Governo federal tem demonstrado não ter pressa nem marcou data para o início da vacinação, que já ocorre em diversos países do mundo, inclusive na América Latina. Então, é provável que não se comece a vacinar em Niterói no fim de janeiro. Além disso, nem todos estarão vacinados, mesmo no caso de um município como Niterói, antes do segundo semestre de 2021.


CUIDADOS SANITÁRIOS


Todas as vacinas em produção contra a Covid-19 no mundo são aplicadas em duas doses. Entre uma dose e outra é necessário um período de três semanas a um mês. E só se atinge a chamada imunidade de rebanho quando pelo menos 60% da população estiverem imunizados, com as duas doses. Portanto, isso não deve ocorrer até o fim de 2021 no caso do Brasil. E não haverá vacinas para todos em 2021, especialmente no caso de um país que saiu atrasado na busca por contratos de compra e na montagem da logística de vacinação. Até lá, todos devem continuar usando máscara, lavar as mãos, evitar aglomerações e todos os cuidados sanitários recomendados para evitar a proliferação do vírus.


SAÚDE


A pandemia carrega um passivo de mais pessoas doentes. Com medo do contágio pela Covid, pacientes de doenças crônicas deixaram de fazer o tratamento adequado ao longo de 2020. O ano acaba com hospitais lotados por causa do aumento de casos de Covid, o que volta a afastar aqueles que precisam de tratamento regular.


EDUCAÇÃO e DESIGUALDADE


Além da morte de quase 200 mil pessoas, uma das maiores tragédias para o Brasil neste 2020 é que a maioria das escolas ficou o ano todo fechada. No caso dos colégios públicos, os alunos deixaram de ter acesso à educação porque também não havia como oferecer aulas on-line. Todo esse passivo está sendo levado para 2021, com uma complexidade enorme de problemas. Dificilmente o conteúdo e tudo o mais que uma escola deve oferecer serão recuperados em 2021. Nem tão cedo. A desigualdade se acentuou. Estudantes do Ensino Médio farão o Enem no começo de 2021 mas apenas os das escolas privadas puderam ter aulas virtuais regularmente ao longo de 2020. Alunos carentes de escolas públicas passaram 2020 em casa, sem aulas on-line. Nem o mais otimista dos educadores faz previsões otimistas para a Educação no Brasil nos próximos anos.


DESEMPREGO


São mais de 14 milhões de desempregados no país. Um número assustador que bateu recorde em dezembro, segundo o IBGE. Soma-se a ele o grande contingente de pessoas que tiveram redução brutal de renda em 2020 por causa da pandemia. Grande parte dos desempregados ainda terá de enfrentar meses sem conseguir emprego formal, especialmente se o Governo continuar mostrando falta de ação política para reverter esse quadro, gerar empregos e aprovar reformas. O desemprego, o fechamento de postos de trabalho, a redução da renda são marcas deste 2020 que seguem sem solução para 2021.


RENDA e FOME


O auxílio emergencial que vinha sendo pago pelo Governo Federal acaba neste 31 de dezembro, e milhões de famílias passarão a ficar sem renda a partir de janeiro de 2021. De R$ 600 caiu para R$ 300 e agora está sendo extinto. O fantasma da fome já voltou a rondar essas famílias. Nas grandes cidades, e até em municípios como Niterói, é visível o aumento de pessoas dormindo nas ruas, vivendo nas ruas, procurando comida.


PLANOS DE SAÚDE


Quem paga plano de saúde vai levar um susto: os aumentos que deixaram de ser aplicados ao longo de 2020, por causa da pandemia, vão ser cobrados em 2021. A diferença retroativa será parcelada em 12 vezes, a ser cobrada a partir de janeiro, quando as mensalidades também sofrerão o aumento anual. Reajuste em dose dupla, em plena pandemia.