Niterói tem recorde de candidatos a vereador na disputa por sua atenção

Atualizado: Nov 5

Cidade tem 713 concorrentes para 21 vagas na Câmara com salário de R$ 13 mil

Por Luiz Claudio Latgé

O “índio” Pokaropa, candidato a vereador


O emprego é bom. R$ 13.514,90 por mês. Mais um chefe de gabinete, seis assessores parlamentares e verba de representação. Em tempos difíceis, não é fácil encontrar tantas vagas em oferta: são 21 assentos na Câmara de Vereadores. Vale tentar, por que não?


A disputa é difícil, são 713 candidatos. Com o fim das coligações, cada partido pode inscrever até 32 candidatos. Nunca houve tanto candidato a vereador, bem mais que na última eleição.


A tentativa de conquistar o mandato fica ainda mais dura porque todos os vereadores atuais concorrem à reeleição. Quer dizer, quase todos: o presidente da casa, Paulo Bagueira, do Solidariedade, se apresenta como vice de Axel Grael, na disputa pela Prefeitura; e Bruno Lessa, do DEM, aparece como vice de Felipe Peixoto.


Na lista, tem gente que conhece o caminho do voto faz tempo. Caso do vereador Luiz Carlos Gallo, nesta eleição concorrendo pelo Cidadania. São 28 anos na casa. Este, sim, pode chamar a Câmara de casa. E tem candidatos como Paulo Eduardo Gomes, do PSOL, e Rodrigo Farah, do PMDB, que disputam o quinto mandato.


Dificuldade para os novatos, porque o niteroiense tem sido conservador na escolha. Na última eleição, o índice de renovação foi baixo: apenas sete vereadores se elegeram pela primeira vez, 33% do total. Todos os demais, hoje, têm dois mandato ou mais.


Numa campanha diferente de todas, sem comícios, com restrições à panfletagem, sem TV, salvo para um ou outro puxador de votos dos partidos, 15 segundos e olhe lá, as mensagens têm que ser curtas e muito objetivas. Como vender o nome, o número, o partido e a proposta política?


A maior parte dos candidatos busca se apresentar com suas qualificações no próprio nome. conforme registro no TRE. As mais comuns são associar o nome à atividade, ao reduto eleitoral ou a uma causa.


Passear pela lista de candidatos à Câmara de Vereadores de Niterói é como um passeio pela cidade. Muitos candidatos carregam no nome o bairro de origem ou seu reduto eleitoral. É o recurso mais frequente. Você vai encontrar na lista: Janeide do Preventório, Nunes do Fonseca, Wélio do Barreto, Leley do Maruí...


E alguns endereços mais secretos: Elias da Barca, Fran da Loteria, Galdino do Estacionamento, Alex do Posto, Ana do Mercadinho, Rayaza do Quiosque, Bruno do Sacolão...


Muitos candidatos se apresentam pelo apelido, como Gugu, Feijão, Lulinha, Sapinho, Queixinho... falam de uma forma mais íntima a seu eleitor.


Às vezes, a lista de candidatos parece páginas amarelas. Landinho Estofador, Joanir Marceneiro, Jocimar do Frete, Maguinho da Oficina, Marcelão do Gás, Caxanga do Lava Jato…


Ou serviço de delivery: Myriam das Quentinhas, Luís do Biscoito, João das Flores…


Incrível não ter um candidato “da farmácia”, numa cidade que tem uma drogaria em cada esquina.


As profissões impõem respeito e muitos carregam a atividade no nome de registro eleitoral. Guarda, sargento... até DJ aparece. Na lista do TRE, destaque em número de candidaturas para advogados, empresários e comerciantes. Mas parece que não dá voto. Nenhum candidato carregou no nome de registro na célula o ofício. Nenhum advogado, empresário, nenhum comerciante.


Nestes tempos de pandemia, doutores estão em alta. Doutora Livia Mothé, Doutor Aurélio, Doutor Joel, Doutor Ricardo Rodrigues... São 17 doutores. E alguns enfermeiros.


Mas a profissão que o maior número de candidatos carrega no nome é a de professor. Professor Luciano Paez, professor Rubem, professor Marcos Formiguinha... No total, 23.


A religião também tem apelo, especialmente depois de 2016, quando Deus aparecia em slogan político e o voto evangélico elegeu muitos candidatos. Na lista tem pastores, bispo e um pai de santo. E tem um Papai Noel.


É muito candidato, não dá para conhecer todos. Mas você provavelmente vai topar com alguns deles pela cidade, gente que você se acostumou ver pelas ruas e de repente vai descobrir que é candidato. Alguns até andavam sumidos. Quanto tempo faz que você não vê o Pokaropa? O índio que atravessava a cidade de bicicleta vestindo apenas uma sunga. Pois ele está lá na lista, com o nome e endereço: chama-se Ismar Porto da Conceição, é candidato do DEM. Mas não procure pelo nome: na ficha eleitoral, é Pokaropa, mesmo. Possivelmente, vai ter dificuldade para entrar no plenário.


Para o eleitor, a quantidade de candidatos é mais uma razão para pesquisar, conhecer sua origem, o partido e escolher o voto com consciência. Afinal, os vereadores são responsáveis por decisões importantes, como o planejamento urbano e serviços ao morador. Também passam pela Prefeitura e pela Câmara a definição do preço das passagens e o valor do IPTU, entre outras contas que você paga. Melhor prestar atenção.


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