Niterói lança Fórum do Clima, para ampliar debate sobre o Meio Ambiente

Lançamento reuniu representantes nacionais e internacionais da agenda da sustentabilidade


O Prefeito Axel Grael na Semana do Meio Ambiente. Foto: Prefeitura/Bruno Eduardo Alves


O Prefeito de Niterói, Axel Grael, definiu bem a idea que sustenta a criação de uma Secretaria do Clima e um Fórum do Clima na cidade. Para ele, "não é mais possível olhar para a cidade e delegar para outros a solução dos problemas climáticos." Sustenta que a complexidade de soluções para os problemas do mundo requer uma abordagem ao mesmo tempo local, nacional, global e planetária.


- O tema da mudança climática é extremamente complexo e trazer o cidadão a se interessar para participar das ações decisórias é um enorme desafio. O processo de transformação precisa romper uma certa inércia, que passa uma mensagem pessimista. Precisamos montar uma agenda ambiental com situações de sucesso que possam promover a mudança. Niterói tem que fazer a sua parte para que o que a gente faz aqui motive os municípios vizinhos -, destacou.


O Fórum do Clima


Lideranças nacionais e internacionais se reuniram de forma virtual para o lançamento do Fórum Municipal de Mudanças Climáticas de Niterói, nesta terça-feira (01). Do Solar do Jambeiro, o Prefeito Axel Grael e o secretário municipal do Clima, Luciano Paez, participaram presencialmente. Outros palestrantes, como a Chefe do Programa de Soluções para Cidades Resilientes e Sustentáveis da Cidade de Copenhague, Lykke Leonardsen; a Coordenadora Residente das Nações Unidas no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto; o consultor do Banco Mundial e dos Fundos de Investimento de Clima, Andres Falconer; e o coordenador estratégico do Climate Reality, Sérgio Besserman, participaram de forma remota.


O evento da Prefeitura de Niterói marcou a criação do fórum, uma instância de caráter consultivo com objetivo de conscientizar e mobilizar a sociedade niteroiense para discutir os problemas decorrentes das mudanças do clima e promover o desenvolvimento sustentável.


O secretário municipal do Clima, Luciano Paez, explicou que, com a criação do Fórum serão instalados grupos técnicos para estudar e atuar os efeitos, riscos e soluções diante das mudanças climáticas em Niterói. “Essa é a primeira secretaria de mudanças climáticas da América Latina, então temos um grande aprendizado a percorrer”, disse.


Economista, professor da PUC-RJ e coordenador estratégico do Climate Reality, Sérgio Besserman ressaltou a possibilidade de que a experiência niteroiense chame atenção para a discussão da agenda climática.


- As iniciativas de Niterói na agenda climática dão uma contribuição muito grande ao Brasil. Com este fórum, além de engajar cidadãos, Niterói pode desempenhar um papel de trazer luz à importância do trabalho conjunto das cidades nesse tema -, destacou.


Marlova Neto, da Unesco, que já tem cooperações técnicas com a Prefeitura de Niterói, pontuou que a instituição deve continuar trabalhando com o município.


- No ano passado, a Unesco conduziu uma pesquisa chamada 'O mundo em 2030', com resultados disponibilizados em 25 línguas. Chamou nossa atenção que a mudança climática e a perda da biodiversidade são vistos como dois dos mais preocupantes desafios dos próximos anos. É um aprendizado muito importante. Sabendo desses dados, saúdo essa iniciativa de Niterói e renovo o compromisso da Unesco em continuar trabalhando com o município, entendendo a necessidade de construir um mundo mais igual, onde ninguém seja deixado para trás - , comentou.


Também participaram do fórum, Ana Wernke e Rodrigo Perpétuo, do ICLEI; Guilherme Sirkis, do Centro Brasil do Clima; Márcia Massotti, da ENEL; Marcio Cataldi e Larissa Silveira, da UFF; Mario Mantovani, do SOS Mata Atlântica; Rafael Robertson e Fabiana Barros, da SMARHS; Valéria Braga e Victor Costa Ramos, da EGP; Filipe Simões, do Niterói de Bicicleta; Walace Medeiros, da Defesa Civil de Niterói; Vinicius Wu, da Secretaria de Educação; e Dayse Monassa, da Seconser.


Aliança pela Ação Climática


Niterói passou a fazer parte da Aliança pela Ação Climática (ACA) Brasil, uma coalizão dedicada a empreender medidas e aumentar o apoio público no enfrentamento à emergência climática mundial. O convite para a adesão da cidade partiu da equipe do Local Governments for Sustainability (ICLEI) Brasil, uma rede internacional da qual Niterói é membro desde 2017. Uma das metas da iniciativa é que sejam cumpridos os compromissos pactuados no Acordo de Paris, que foi assinado por 195 países para conter o aumento do aquecimento global e prevê metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa. O movimento já existe nos Estados Unidos, Vietnã, México, Argentina, Japão e África do Sul. Atualmente, a ACA Brasil conta com 17 cidades membros, três estados, nove empresas e investidores e 14 organizações da sociedade civil organizada.