Niterói deve ter de adotar novas restrições; índice de risco da Covid chega a 9,6

Alerta Laranja começa com índice 10 e impõe restrições ao comércio e a outras atividades, de acordo com plano de controle da pandemia



A informação está escondida no site da Prefeitura. Num quadro colorido, publicado nesta quarta-feira (30), que aparece no canto direito da tela e anuncia: Sinal da Semana, Semana de 28 de dezembro a 3 de janeiro, Alerta Máximo, e o número em destaque, 9,6. É o número que sintetiza o risco de avanço da Covid, numa tabela desenhada por cientistas e transformada em decreto pela Prefeitura. Não houve nenhum comentário da Secretaria de Saúde ou da Prefeitura, que esta semana não fez a sua tradicional live.


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Num outro quadro, na mesma página, deveriam estar as explicações para o número, na planilha de Monitoramento da Covid. Mas a página "não foi encontrada", adverte o sistema. O que o número quer dizer - e está definido no manual de transição para o novo normal - é que Niterói está muito perto da adoção de medidas severas de restrição ao comércio e à movimentação de pessoas da cidade. Na escala de risco estabelecida pela Prefeitura, quando o índice chega a 10 a recomendação é suspender atividades nos shoppings e comércio de rua, entre outras.


O número piorou diante do forte aumento do número de novos casos, internações e mortes registrados a partir de novembro, que já estabelecem um novo pico da doença. A recomendação de medidas mais efetivas de isolamento já fora feita, na semana passada, por epidemiologistas da UFF em carta aberta à comunidade. A única medida adotada pela prefeitura, diante do agravamento da situação, no entanto, foi a suspensão das festas de réveillon e o aumento da fiscalização nas praias.


Os riscos da Covid


No auge da pandemia, depois de adotar um lockdown, e quando acreditava ter controlado a expansão da Covid, a Prefeitura de Niterói estabeleceu, por decreto, um plano de transição para o novo normal, para regular o funcionamento das atividades de acordo com o risco de avanço da epidemia. O plano, ainda em vigor, prevê o monitoramento de 12 indicadores, como o número de novos casos, internações, capacidade de atendimento dos hospitais, em leitos e UTIs, públicos e privados, e mortes. Estas informações são lançadas numa planilha e têm um peso específico, na pontuação final. E esta índice final, que o Prefeito Rodrigo Neves costuma chamar de indicador-síntese, a "nota" final da cidade, que determina em que grau de risco Niterói se enquadra no momento.


A tabela vai do Verde, situação de normalidade, que talvez nem a vacina permita, num primeiro momento, Amarelo 1, que estabelece normas de restrição moderadas, quando quase tudo funciona, mas de acordo com protocolos, Amarelo 2, estágio em que estamos, desde junho, Laranja, que já impõe restrições mais severas à movimentação na cidade e às atividades econômicas, Vermelho e Roxo, os mais graves, que recomendam medidas de lockdown.


Depois que Niterói fechou o comércio, em maio, e derrubou, efetivamente, o avanço da doença, a cidade entrou no estágio Amarelo 2. O Manual de Transição para o Novo Normal, foi anunciado como um guia, definido com a ajuda de epidemiologistas, para estabelecer que as atividades seriam retomadas de acordo com o sucesso no controle da doença. Quanto menor o índice, maior número de atividades poderiam ser retomadas.


O Amarelo-2 acontece com índice entre 5 e 10. A cidade nunca saiu do "platô" de casos e mortes que se seguiu ao lockdown, registrando números estáveis, porém ainda altos para o controle desejado da epidemia. Mas esteve bem perto de evoluir para o estágio Amarelo-1. Chegou a registrar um índice de 5,38. O Prefeito Rodrigo Neves, confiante no resultado, contrariou as recomendações do Comitê Científico, formado por especialistas da UFF, UFRJ e Fiocruz, e antecipou o retorno de atividades que só deveriam acontecer no estágio seguinte, o Amarelo 1, como bares de madrugada, eventos com música, cinemas, escolas.


O relaxamento que ocorreu em Niterói e também em muitas outras cidades brasileiras, no entanto, resultou num forte aumento dos casos da doença, em novembro. O número de novos casos, que se situava em torno de 50 e 60 por dia já chegou a 200 por dia. As mortes eram 12, 13 por semana, nas últimas três semanas passaram de 20. A Secretaria de Saúde reconhece que a doença voltou a avançar a partir de novembro e que o pico da doença, que aconteceu em maio, já foi superado, nas semanas epidemiológicas 46 e 47, acima do pior momento da doença em número de casos e internações, mas não em mortes.


Em dezembro, a taxa de ocupação de leitos particulares chegou a 93% e foi preciso ampliar a oferta de leitos para doentes de Covid. A deterioração dos indicadores foi rápida. O Mapa de Monitoramento passou de 5,38 para 9,6. Caso o indicador-síntese passe de 10, Niterói vai se enquadrar no estágio de alerta Laranja. Nesta condição, a recomendação é de adoção de medidas mais severas de isolamento, como fechamento de atividades culturais, de lazer, cinemas, teatros, clubes, academias, excursões, passeios, parques e praças, missas e cultos, escolas, fechamento do comércio de rua e shoppings, restaurantes restritos a entregas e, mesmo na indústria, funcionamento com 50% da capacidade. Isto é o que determina o decreto. Mas nem sempre o Prefeito seguiu à risca as instruções e já modificou o decreto mais de uma vez.

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