Niterói na UTI: os números que fizeram a Prefeitura adotar o lockdown

Secretário de Saúde Rodrigo Oliveira destacou ocupação das UTIs públicas e privadas para pedir medidas mais duras de isolamento social


Secretário Rodrigo Oliveira apresenta os números da pandemia, em Niterói


O monitoramento da Covid envolve o acompanhamento de uma série de indicadores, que acompanham a evolução de novos casos da doença, internações, disponibilidade de leitos, recuperação de doentes e mortes. Na planilha que a Prefeitura de Niterói usa para medir o risco da Covid na cidade, doze itens são pesquisados, semanalmente, e mais recentemente, diariamente. Mas o número que pautou a apresentação do Secretário de Saúde Rodrigo Oliveira no anúncio de novas medidas de isolamento social foi um só, e contundente: a taxa de ocupação das UTIs reservadas para doentes de Covid na rede pública, chegou a 86%; na rede privada, está perto de 90%.


O encontro dos prefeitos de Niterói, Axel Grael, e Eduardo Paes, do Rio, no Teatro Popular, aconteceu depois de consultas feitas pela manhã ao Comitê Científico de assessoramento aos dois governos. Na oportunidade, os prefeitos ouviram a recomendação dos especialistas de ampliar o fechamento das atividades, mantendo serviços essenciais. À tarde, coube aos secretários apresentar o cenário nas suas cidades.


O Secretário Rodrigo Oliveira destacou os dados sobre a ocupação das UTIs. No caso da rede pública, passou de 60% para 86% em uma semana. Ele destacou a nota dos hospitais particulares indicando que a capacidade de atendimento das UTIs está perto do limite e a rede não tem como ampliar a oferta de vagas por falta de equipamentos e insumos. "No último relatório, a ocupação na rede particular era de 51% e hoje os hospitais informaram que agora já passa de 90%. É um crescimento muito rápido. Um aumento de 40% em três dias."


No Rio, além dos números, um relato feito pelo Prefeito Eduardo Paes, ilustra, mais do que qualquer número apresentado, a situação do atendimento hospitalar. A chegada a um mesmo tempo de doze ambulâncias com doentes graves num mesmo hospital.


Diante dos argumentos, os prefeitos do Rio e de Niterói apresentaram medidas comuns para reduzir a circulação de pessoas, durante o superferiado, estabelecido de sexta-feira, 26, até o domingo de Páscoa, 4 de abril. Especialistas têm recomendado ações coordenadas para o enfrentamento da pandemia, mas a articulação na Região Metropolitana esbarrou no movimento do governador Cláudio Castro, que tenta se aproximar do Presidente Jair Bolsonaro e boicotou a ideia de restrições ao comércio, bares e restaurantes. As duas cidades decidiram, então, adotar medidas comuns.