Niterói perto da emergência: Covid ocupa 88% dos leitos particulares

Atualizado: 3 de Dez de 2020

Cidade tem 800 novos casos da doença por semana e 15 mortos nos últimos sete dias



O Sindicato dos hospitais particulares de Niterói reportou nesta quarta-feira, 2, que a taxa de ocupação dos leitos reservados para pacientes com Covid-19 chegou a 88%, com 248 quartos ocupados - a mais alta desde o pico da doença em maio, junho e julho. O mesmo documento informa que os doentes com Covid também ocupam 63% das vagas de UTI reservadas para estes casos, com 16 pessoas internadas. No total, são 414 pessoas internadas na rede particular da cidade com a doença.


A situação se torna ainda mais grave diante da explosão da doença no Rio de Janeiro. Segundo reportagem do RJTV, existe hoje uma fila para pacientes esperando vaga em UTIS. A Fiocruz, alertou para o colapso da Saúde na cidade. O Diretor da Associação de Hospitais Privados do Estado do Rio, Graccho Alvim, disse que as redes estão transferindo pacientes para outras cidades, onde ainda há vagas, como Niterói.


A doença voltou a se espalhar de forma muito rápida, em novembro, depois que parecer ter arrefecido, No caso de Niterói, a cidade permaneceu no que os epidemiologistas chamam de "platô", um patamar estável, porém ainda alto, durante praticamente três meses. Alguns hospitais particulares, chegaram a desmontar unidades exclusivas para pacientes de Covid. Mas em novembro, o número de novos casos saltou de 500 por semana para 800, nos últimos dez dias, de acordo com os dados dos boletins diários da Prefeitura.


Com relação aos dados dos hospitais particulares, na primeira semana de agosto, eram 72 internados em leitos (24%) e 66 em UTIs (23%). No início de setembro, 55 nos leitos (18%) e 63 nas UTIs (22%). O número de internações se manteve estável em setembro, sempre abaixo de 30% de ocupação hospitalar. Na última semana do mês, eram 74 nos leitos (24%) e 52 em UTIs (18%). A piora coincide com a flexibilização das atividades a partir do fim de setembro e início de outubro.


A ocupação dos leitos particulares é maior do que a Prefeitura reporta na rede do SUS. De acordo com o último relatório de monitoramento da Covid na cidade, 23 dos 75 leitos reservados para a doença estavam ocupados, 31% do total; e 83 das 126 vagas de UTI, 69%. Apesar da velocidade da doença, a Secretaria de Saúde de Niterói não atualiza os dados de ocupação desde o dia 27.


Não é comum que uma cidade tenha uma taxa de ocupação dos hospitais particulares maior do na rede pública, considerando-se que os dados divulgados estejam corretos. Uma explicação possível seria o fato de que 50% dos moradores da cidade contam com plano de saúde.


Outro dado que chama atenção no levantamento da ocupação dos hospitais é o fato de que a taxa é maior em Niterói do que em São Gonçalo, que enfrenta uma crise reconhecidamente mais grave, com 30 mortos em uma semana. Na cidade vizinha, a ocupação dos quartos particulares é de 60% e chega a 70% nas UTIs. Uma explicação possível é a qualidade da rede hospitalar da cidade, que faz com que pacientes de São Gonçalo busquem socorro em Niterói.


O Prefeito Rodrigo Neves, na sua última transmissão pública, na segunda-feira, 30, alegou que muito da ocupação da rede particular de Niterói se deve a pacientes de cidades vizinhas, como Rio e São Gonçalo. Esta situação pode agravar o problema do atendimento de emergência, num momento em que a doença avança na cidade: nos últimos sete dias, Niterói registrou 780 novos casos da doença e 15 mortes. Números que escapam do "platô" e apontam para o agravamento da doença em Niterói.



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